A Uno Platform considera que o maior problema ao usar agentes de IA para construir aplicações .NET multiplataforma não está em escrever o código, mas em saber se o código funciona como deveria depois que a aplicação é executada. O agente pode produzir uma página de configurações que pode ser traduzida e compilada, mas que pode conter erros de layout ou comportamento que só aparecem dentro da aplicação real.
Para resolver essa lacuna, a Uno Platform construiu dois servidores em C# usando o pacote oficial MCP C# SDK, desenvolvido pela Microsoft em colaboração com a comunidade. O primeiro servidor concentra-se em fornecer conhecimento e documentação, enquanto o segundo conecta o agente a uma aplicação em execução, permitindo que ele a execute, inspecione e use.
Dois servidores com duas funções e ciclos de vida diferentes
A decisão fundamental no design da Uno Platform foi separar o problema de “o que deveria estar correto?” do problema de “o que está acontecendo agora?”. O servidor de documentação lida com informações que mudam quando são lançadas atualizações da plataforma ou quando suas páginas são modificadas, enquanto o servidor da aplicação lida com o estado de uma sessão de execução específica, que muda durante a execução da aplicação.
O servidor de documentação está hospedado publicamente em mcp.platform.uno/v1 e funciona via HTTP, sem estado. Ele fornece ferramentas para pesquisar a documentação oficial e obter páginas completas no formato Markdown, além de instruções para trabalhar com uma aplicação em execução e instruções para usar APIs comuns da Uno Platform. Também inclui dois prompts: /new, para criar uma aplicação de acordo com as melhores práticas atuais, e /init, para inicializar uma conversa vinculada a uma base de código existente.
De acordo com a experiência publicada, o benefício de hospedar esse servidor é que a atualização de uma única página de documentação se reflete nos agentes na próxima vez que eles chamarem o servidor, em vez de incorporar as instruções em um pacote NuGet que exigiria uma nova versão.
Já o servidor da aplicação funciona como uma ferramenta .NET via stdio no dispositivo do desenvolvedor e conecta o agente ao Uno DevServer. É um servidor com estado, dedicado a uma única sessão. Ele consegue executar a aplicação no modo de depuração com o Hot Reload ativado, capturar uma captura de tela, extrair uma versão XML da árvore de elementos visuais e executar cliques, pressionamentos de teclas, entrada de texto e chamadas de ações dos elementos de automação.
Validar a interface exige mais do que uma captura de tela
A Uno Platform considera a ferramenta de árvore de elementos visuais a parte mais importante do ciclo de validação. A captura de tela ajuda o agente a detectar que algo parece errado, enquanto a árvore de elementos revela o elemento causador do problema e suas propriedades. Em termos práticos: os pixels são adequados para a detecção, a estrutura é adequada para o diagnóstico, e o agente precisa dos dois.
A plataforma recomenda usar uno_app_element_peer_action em vez de clicar por coordenadas usando uno_app_pointer_click sempre que possível, porque o clique por coordenadas é afetado por diferentes tamanhos de janela e densidades de pixels, enquanto as ações de automação estão vinculadas aos próprios elementos. A recomendação foi incluída na descrição da ferramenta, e não em um documento separado que o agente talvez não carregasse, porque a descrição da ferramenta influencia diretamente a decisão de escolha.
Com essas ferramentas, o agente pode modificar a interface, recarregar a aplicação, capturar a tela, ler a árvore visual, executar um fluxo interativo e determinar se o resultado corresponde ao solicitado antes de entregar a alteração. A Uno Platform compara essa abordagem às ferramentas Playwright para aplicações web, direcionando-a a aplicações .NET nativas executadas em Windows, macOS, Linux, iOS, Android e WebAssembly.
O custo das ferramentas faz parte do design do contexto
A experiência chama atenção para uma limitação prática que frequentemente fica ausente das discussões sobre MCP: as definições das ferramentas consomem parte da janela de contexto do modelo antes que qualquer pergunta seja feita. A Uno Platform mencionou que o servidor de documentação consome cerca de 6,4 mil tokens, enquanto o servidor da aplicação consome cerca de 1,5 mil tokens. Para comparação, o servidor GitHub MCP integrado à mesma sessão consome cerca de 5,2 mil tokens.
Por isso, as descrições das ferramentas não são apenas documentação técnica; segundo o material, elas são um tipo de orientação ou prompt que influencia a escolha da ferramenta pelo agente. Daí a importância de manter o nome, a descrição e o esquema de entrada concisos e com alta densidade de informação, incluindo as preferências operacionais importantes no local que o modelo lê ao tomar a decisão.
O que muda na prática para os desenvolvedores?
A Uno Platform não se limita a fornecer ferramentas isoladas, mas também adiciona o que chama de Skills, procedimentos estruturados que definem quando as ferramentas devem ser usadas, em que ordem e o que significa concluir a tarefa. A biblioteca inclui cenários como MVUX, estado, fontes de dados, navegação, formatação, elementos do Uno Toolkit e testes, com uma Skill chamada uno-testing-ui para automatizar testes de interface por meio do servidor da aplicação.
Essa estrutura combina documentação atualizada, uma aplicação ativa que pode ser inspecionada e procedimentos predefinidos para o fluxo de trabalho. A plataforma afirma que esses componentes dão suporte ao Uno Platform Studio 3.0, que cria uma aplicação .NET multiplataforma completa dentro do navegador. Isso depende do Microsoft Agent Framework para planejamento e execução e de um workspace do Roslyn para compilação, carregamento de assemblies, resolução de alterações do NuGet e recarregamento do resultado na aplicação em execução.
Leitura editorial da certi.news: o valor real dessa experiência não está em adicionar outro agente para escrever código, mas em tirar o agente do papel de gerador de texto e transformá-lo em uma parte capaz de consultar uma fonte de conhecimento atualizada e testar seu resultado diante de uma aplicação real. A separação dos dois servidores também oferece uma regra de design aplicável a outros projetos MCP: separe o conhecimento de longo prazo do estado de execução e escolha HTTP ou stdio com base na arquitetura de implantação, não em uma preferência meramente formal.
Entretanto, o material não demonstra que essa abordagem elimina a necessidade de revisão humana ou garante a correção da aplicação em todos os casos. Ele apresenta a experiência e as ferramentas da Uno Platform, mas não fornece resultados de medição independentes sobre taxas de detecção de erros ou qualidade do código. Além disso, o custo das definições das ferramentas e a dependência do servidor da aplicação em relação ao Uno DevServer e a uma sessão local continuam sendo limitações práticas que as equipes devem avaliar antes de adotar o modelo.