A Cloudflare anunciou novos recursos no Cloudflare One para ajudar as equipes de segurança a detectar e controlar o tráfego do Model Context Protocol (MCP), depois que os agentes de IA passaram a ser capazes de chamar ferramentas e executar ações rapidamente e em uma escala que pode fazer com que um único erro se repita milhares de vezes antes de ser percebido.
As novas atualizações permitem que o Cloudflare Gateway reconheça solicitações MCP por meio de indicadores no nível do protocolo, mostre os usuários e servidores que geram esse tráfego e, em seguida, aplique políticas que permitam ou bloqueiem as conexões. Em conjunto com os MCP Server Portals, os administradores podem verificar se os agentes estão usando o caminho autorizado ou se estão se conectando diretamente a um servidor, contornando os controles estabelecidos.
Detecção de tráfego MCP sem depender de endereços distintos
O MCP não exige um nome de host específico nem um caminho fixo como /mcp; por isso, as conexões diretas podem parecer qualquer solicitação HTTPS para uma API. Em uma abordagem anterior, a Cloudflare procurava nomes de host ou caminhos que contivessem indicadores comuns, mas esse método poderia deixar de detectar servidores que usam endereços comuns ou capturar serviços sem relação com o MCP.
O Gateway agora se baseia em indicadores de protocolo, principalmente no cabeçalho MCP-Protocol-Version em solicitações que passam pela descriptografia de TLS. As versões mais recentes do protocolo também podem usar os cabeçalhos Mcp-Method e Mcp-Name para identificar a operação e a ferramenta solicitada sem a necessidade de analisar todo o corpo da solicitação.
A partir da data do anúncio, todos os clientes do Cloudflare Zero Trust veem indicadores de tráfego MCP nos registros HTTP do Gateway e podem usar o seletor experimental.is_mcp == true em políticas de permissão ou bloqueio. Essa detecção não inclui tráfego criptografado que não tenha sido descriptografado, servidores MCP locais que usam stdio, conexões fora da rede gerenciada ou solicitações que não passam pelo Gateway.
Painel de acompanhamento de conexões e destinos
A Cloudflare oferece um painel dedicado ao tráfego MCP que exibe, dentro de um intervalo de tempo ajustável:
- Total de solicitações MCP e número de usuários e servidores únicos.
- Servidores que fornecem tráfego MCP, com o número de solicitações por servidor.
- Distribuição do tráfego por ponto de conexão, com separação entre o tráfego do MCP Portal e as conexões diretas dos dispositivos dos usuários.
- Os servidores MCP mais visíveis fora dos portais autorizados, o que representa tráfego MCP não gerenciado.
- Os usuários com maior volume de solicitações MCP.
Os administradores podem filtrar os resultados por servidor, usuário ou tipo de ponto de conexão e, em seguida, acessar os registros HTTP do Gateway relacionados para realizar uma investigação mais aprofundada.
Diferenciação entre servidores não autorizados e desvio do portal
A Cloudflare diferencia dois problemas distintos. O primeiro é o Shadow MCP, quando um funcionário adiciona a um cliente MCP um servidor que não foi aprovado pela organização. O segundo é o desvio do portal, quando o funcionário se conecta diretamente ao endereço de um servidor autorizado em vez de usar o MCP Portal, contornando as políticas de Access, o catálogo de ferramentas organizado, a prevenção contra perda de dados e o registro de auditoria.
Depois de descobrir um servidor desconhecido, a organização pode avaliá-lo e colocá-lo atrás de um MCP Portal. O portal oferece um ponto de acesso gerenciado, identidade do Access, um catálogo organizado de ferramentas e registro de atividades. As conexões compatíveis também podem ser encaminhadas pelo Gateway para aplicar políticas HTTP e prevenção contra perda de dados, com exportação da atividade das ferramentas por meio do Logpush.
Para impor o uso exclusivo dos portais, a Cloudflare adicionou seletores de Traffic Source às políticas de Gateway Network e HTTP. O tráfego proveniente do MCP Portal exibe a origem mcp_portal, permitindo bloquear solicitações MCP que não venham do portal e manter as solicitações que chegam pelo caminho autorizado.
Ampliação da compatibilidade com OAuth e servidores privados
Os MCP Portals agora oferecem suporte a clientes OAuth pré-registrados. O administrador pode inserir manualmente as credenciais, registrar o endereço de callback junto ao provedor de serviços e definir os endpoints de autorização, tokens, revogação e emissor quando eles não puderem ser descobertos automaticamente. Cada usuário continua responsável por autorizar o acesso às suas próprias fontes de dados, enquanto o segredo armazenado é usado apenas para obter listas de ferramentas e prompts atualizados.
A Cloudflare também está habilitando os portais a acessar servidores MCP localizados em redes privadas por meio do roteamento do Cloudflare Gateway, mas essa funcionalidade ainda está em desenvolvimento ativo. O Agents SDK na versão v0.20.0 também oferece suporte à especificação MCP de 2026-07-28 como cliente e servidor, com a possibilidade de retornar ao mecanismo de inicialização antigo quando o servidor não oferecer suporte ao novo modelo sem estado.
A Cloudflare recomenda começar pela visibilidade: analisar o tráfego que passa pelo Gateway, comparar os destinos com os servidores autorizados e mover os servidores aceitos para os MCP Portals. Depois disso, é possível impor políticas que bloqueiem conexões diretas de dispositivos e locais gerenciados, observando que a empresa planeja adicionar um controle mais detalhado sobre o uso de ferramentas específicas e relatórios sobre o uso de ferramentas em servidores MCP conhecidos e desconhecidos.