O Ministério do Comércio da China e seis outras entidades governamentais anunciaram uma opinião de implementação para impulsionar a expansão e a modernização do consumo de bens, incluindo medidas diretas para acelerar a aplicação de produtos de inteligência artificial no mercado, entre eles telefones e computadores inteligentes, dispositivos vestíveis, robôs e soluções para casas inteligentes.
O documento, publicado em 13 de agosto de 2026, visa apoiar o que a China descreve como consumo inteligente, juntamente com o consumo de automóveis, eletrodomésticos e produtos verdes e de saúde. O plano estabelece como objetivo geral que o total das vendas no varejo de bens de consumo alcance cerca de 60 trilhões de yuans até 2030, com o desenvolvimento de mercados de produtos verdes, inteligentes e de saúde de até dezenas de trilhões de yuans.
Da promoção de produtos à construção de um sistema de testes
O plano prevê a criação de bases-piloto nacionais para aplicações de inteligência artificial no campo do consumo e o aprimoramento dos mecanismos de desenvolvimento de produtos de inteligência artificial, com o objetivo de lançar produtos descritos no documento como internacionalmente avançados e com grande potencial de consumo. Também propõe a criação de aglomerados e lojas especializadas no conceito de inteligência artificial e consumo, além de centros para experimentar aplicações dessa tecnologia.
As medidas não se limitam aos dispositivos pessoais. O documento apoia a implantação de casas inteligentes e de centros de experiência para suas soluções, incentiva as famílias a realizar reformas abrangentes nas residências e propõe ampliar o uso da inteligência artificial em produtos destinados a idosos, como exoesqueletos, cadeiras de rodas elétricas, colchões inteligentes e dispositivos de monitoramento da saúde e de assistência à mobilidade e ao banho.
Padrões e interoperabilidade no centro do plano
As entidades governamentais pedem a aceleração da aplicação de padrões para produtos automotivos conectados e inteligentes, eletrodomésticos inteligentes, produtos digitais e terminais de inteligência artificial. Entre as prioridades estão o estabelecimento de padrões de interoperabilidade entre dispositivos de casas inteligentes e a conclusão dos padrões nacionais relativos aos protocolos básicos de comunicação e às interfaces de dados em dispositivos inteligentes.
O plano também fala em reduzir o tempo de elaboração e atualização dos padrões e criar um mecanismo de resposta rápida, com monitoramento de sua aplicação e avaliação de seu impacto. Esse ponto é importante tanto para fabricantes quanto para consumidores, porque a expansão dos dispositivos inteligentes não depende apenas das capacidades de cada dispositivo isoladamente, mas também de sua capacidade de funcionar com outros dispositivos e plataformas.
O que muda na prática?
O documento oferece um marco político e de mercado para ampliar o uso de produtos de inteligência artificial, mas não anuncia nenhum produto específico ou financiamento determinado, nem define uma lista final dos dispositivos elegíveis ou um cronograma detalhado para cada medida. Portanto, seu impacto direto estará ligado à forma como será implementado pelos governos locais e pelas empresas, bem como às medidas que as entidades responsáveis adotarão para transformar o apelo em bases de teste, centros de experiência e padrões aplicáveis.
O plano também inclui apoio financeiro e de crédito geral ao consumo de automóveis, eletrodomésticos, produtos digitais e casas inteligentes, condicionado ao cumprimento da lei e ao controle dos riscos. Para o setor de tecnologia, a combinação de estímulo à demanda, desenvolvimento de padrões e infraestrutura poderá ampliar os canais de lançamento de dispositivos inteligentes, mas o documento, por si só, não comprova o volume efetivo do apoio nem a natureza dos incentivos que serão recebidos pelos consumidores.