A Medtronic iniciou a fase final da separação da MiniMed, sua antiga empresa de tecnologias para diabetes, depois de lançar uma oferta de troca de ações que permite aos acionistas trocar ações da Medtronic por ações da MiniMed correspondentes a até 80,1% das ações da empresa. Atualmente, a Medtronic detém 89,9% da MiniMed.
A oferta representa a segunda parte do processo de separação, iniciado com a abertura de capital da MiniMed em março de 2026. A oferta deverá terminar em 9 de outubro de 2026, com as ações disponibilizadas na troca a um desconto de 7%, de acordo com os detalhes apresentados na matéria.
O que mudará entre as duas empresas?
Geoff Martha, CEO da Medtronic, afirmou que a separação dará à MiniMed maior foco e flexibilidade como empresa independente, enquanto permitirá à Medtronic direcionar capital para seus portfólios nas áreas cardiovascular, de neurociência e de cirurgia.
O acordo inclui uma cláusula que permite à Medtronic vender toda a sua participação remanescente na MiniMed caso a demanda pela oferta supere as ações disponíveis. Nesse caso, a Medtronic poderá encerrar completamente seu vínculo financeiro com a nova empresa.
Kendall Au, analista da RBC Capital Markets, descreveu a medida como uma etapa processual no processo de separação. Ela considera que a saída da unidade MiniMed está alinhada às prioridades da Medtronic, especialmente porque a unidade de tecnologias para diabetes gastava em pesquisa e desenvolvimento a uma taxa equivalente ao dobro da taxa do restante da empresa, segundo seu memorando de pesquisa.
A MiniMed após a separação
A transformação em uma empresa independente não significa uma mudança no público atendido pela MiniMed, segundo Que Dallara, CEO da empresa. No entanto, dá à companhia plena autonomia para alocar capital, definir o roteiro de produtos e acelerar a tomada de decisões.
Desde o início de sua negociação como empresa independente, a MiniMed afirmou ter apresentado à Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos um pedido de análise de sua primeira bomba de insulina adesiva. A empresa também concluiu o cadastro de participantes em um estudo de um algoritmo destinado a calcular as necessidades de insulina de uma pessoa sem a introdução de anúncios de refeições.
Esses avanços ainda estão em fases de apresentação ou teste; a matéria não informa que a bomba adesiva tenha recebido aprovação regulatória nem apresenta resultados do estudo do algoritmo.
Leitura da certi.news
A mudança efetiva aqui é mais institucional e estratégica do que um novo lançamento tecnológico: a MiniMed terá maior independência nas decisões de financiamento e desenvolvimento de produtos, enquanto a Medtronic se desfaz gradualmente da propriedade de uma unidade com alta intensidade de pesquisa e desenvolvimento. Isso poderá permitir à empresa-mãe liberar recursos para áreas como ablação cardíaca, denervação renal, o sistema de estimulação nervosa Altaviva e a robótica cirúrgica Hugo, áreas mencionadas no memorando da RBC.
Para o leitor técnico, a importância da medida está na possibilidade de a velocidade de desenvolvimento e as prioridades dos produtos da MiniMed mudarem após a separação, mas a fonte não apresenta um cronograma para novos produtos nem detalhes sobre o impacto do processo nos clientes, nos preços ou na disponibilidade. A ação da MiniMed subiu cerca de 18% desde sua listagem em março, para 21,50 dólares na segunda-feira, mas esse número reflete o desempenho da ação e não comprova o sucesso dos produtos em desenvolvimento.