A Baselayer, especializada na verificação de identidades empresariais e na avaliação de riscos de fraude para instituições financeiras, captou 35 milhões de dólares em uma rodada de financiamento Series A liderada pela M13, com a participação da Picus Capital, Torch Capital, Afore Capital e Matt Thompson, da Socure. A rodada eleva o financiamento total recebido pela empresa desde sua fundação, em 2023, para cerca de 40 milhões de dólares, enquanto a Baselayer não divulgou sua avaliação de mercado.
A empresa, sediada em São Francisco, pretende usar o financiamento para expandir sua tecnologia para agentes de inteligência artificial, simultaneamente ao lançamento da Agentic Identity Suite. A nova plataforma se concentra em uma questão diferente da verificação empresarial tradicional: o agente que tenta realizar uma compra ou interagir com um serviço representa de fato uma pessoa ou instituição, e tem autorização para executar a tarefa específica?
Da verificação de empresas à verificação de agentes
A Baselayer iniciou suas atividades em fevereiro de 2023 com foco em Know Your Business (KYB), detecção de fraudes e gestão de riscos. A plataforma reúne dados de identidade empresarial, crédito e fraude para ajudar bancos, empresas de tecnologia financeira e prestadores de serviços financeiros a avaliar potenciais clientes durante a integração de comerciantes, a subscrição ou a abertura de contas.
Segundo o cofundador e CEO Jonathan Awad, mais de 2.000 instituições financeiras utilizam a tecnologia da Baselayer, o equivalente a mais de 20% das instituições financeiras nos Estados Unidos, e a empresa também trabalha com companhias da lista Fortune 500. A Baselayer afirma que sua tecnologia ajudou clientes a evitar perdas por fraude superiores a 1 bilhão de dólares e que sua receita alcançou um valor na casa das dezenas de milhões em menos de dois anos, sem publicar os números detalhados da receita.
Como funciona a identidade do agente?
A Baselayer está desenvolvendo um sistema que chama de Know Your Agent (KYA). A ideia anunciada é emitir credenciais para um agente autorizado, para que ele possa apresentá-las ao tentar realizar uma compra ou interagir com um comerciante, uma instituição financeira ou uma plataforma eletrônica. A outra parte pode usar essas informações para identificar a entidade que implantou o agente, a entidade que ele representa e se ele está autorizado a executar a ação.
A empresa trabalha com desenvolvedores de agentes, processadores de pagamentos, comerciantes e fornecedores de tecnologias de detecção de fraude para emitir e reconhecer credenciais. Entre as entidades mencionadas estão FIS, Prove e Socure.
Por que esse desenvolvimento é importante?
Agentes capazes de reservar serviços ou realizar pagamentos podem se tornar partes econômicas que executam transações em nome dos usuários, enquanto a infraestrutura atual de identidade e comércio foi concebida principalmente para lidar com pessoas e empresas. A ausência de um meio confiável de comprovar a autorização pode levar as plataformas a bloquear agentes por considerá-los robôs ou permitir que fraudadores executem operações automatizadas em escala e velocidade maiores.
A Baselayer reconhece que seu sistema não impede um modelo de inteligência artificial de ignorar instruções ou explorar uma vulnerabilidade; seu objetivo declarado é verificar as credenciais do agente quando ele interage com uma parte externa. A empresa também observa que a fraude apoiada por inteligência artificial pode operar continuamente, 24 horas por dia, aumentando a necessidade de uma camada de verificação antes de permitir transações.
Um padrão que ainda não se consolidou
Ainda não existe um padrão dominante para a identidade de agentes de inteligência artificial, portanto a Baselayer precisa convencer desenvolvedores de agentes, comerciantes, instituições financeiras e empresas de pagamentos a aceitar suas credenciais. Awad afirma que a construção de relacionamentos com instituições financeiras normalmente leva entre 12 e 18 meses, e que as parcerias com grandes comerciantes podem chegar a 24 meses, embora o acesso possa ser acelerado por meio dos atuais canais de revenda.
Leitura editorial: a mudança efetiva aqui não é apenas o lançamento de um novo produto, mas uma tentativa de transferir a experiência de verificação de identidades empresariais para softwares que agem em seu nome. O sucesso da ideia dependerá da adoção das mesmas credenciais por várias partes e de sua capacidade de comprovar a autorização sem se transformar em uma garantia abrangente do comportamento do agente ou em um substituto para outros controles de segurança. A empresa propõe usos futuros em transações de criptomoedas e contratos inteligentes, mas a fonte ainda não comprova a existência de um padrão de mercado ou de uma ampla adoção comercial dessas aplicações.