Cibersegurança

Desmantelada uma infraestrutura criminosa por trás de mais de mil milhões de mensagens de phishing que visaram 75 mil organizações

Autoridades de aplicação da lei e parceiros tecnológicos desmantelaram uma infraestrutura criminosa associada à YAM Store e a outros grupos de phishing, depois de esta ter sido utilizada para enviar mais de mil milhões de mensagens maliciosas a organizações em 150 países. As medidas incluíram a apreensão de domínios, o encerramento de mais de 20 mil contas e o bloqueio de 100 mil domínios utilizados para falsificação de identidade e fraude.

2026-10-14
4 min de leitura
1 visualizações
certi.news Editorial Team
Desmantelada uma infraestrutura criminosa por trás de mais de mil milhões de mensagens de phishing que visaram 75 mil organizações

A Microsoft e os seus parceiros de aplicação da lei e de cibersegurança anunciaram o desmantelamento de um ecossistema criminoso de grande escala que permitiu enviar mais de mil milhões de mensagens maliciosas e visar mais de 75 mil organizações em 150 países. A operação centrou-se no mercado YAM Store, também conhecido como Storm-3119, e em plataformas de phishing associadas que a Microsoft acompanha sob os nomes CoGUI, Haozi e Iron Man System, no âmbito da Storm-2990.

A operação ocorreu após uma investigação iniciada pela Microsoft e pela Agência Nacional de Polícia do Japão (NPA) sobre uma onda de atividades fraudulentas. Segundo a Microsoft, mais de 750 milhões de mensagens visaram os seus clientes através de correio eletrónico e mensagens de texto desde o início do ano, com várias campanhas a utilizarem uma técnica de phishing baseada em tokens de dispositivo para obter códigos de autenticação.

Um mercado de serviços de phishing, não apenas um conjunto de campanhas

As investigações revelaram que a YAM Store vendia ambientes Microsoft e Google, bem como as respetivas contas, licenças e espaços de armazenamento, quer depois de estes serem comprometidos, quer após serem obtidos de forma fraudulenta. Os operadores exploravam domínios expirados pertencentes a organizações reais, reconstruíam os seus sites para parecerem ativos e utilizavam as suas identidades para obter contas na nuvem.

Também criavam organizações fictícias apoiadas por conteúdos e documentos gerados com ferramentas de inteligência artificial. Nos ambientes Microsoft comprometidos, eram utilizadas credenciais roubadas de aplicações para gerir contas e licenças, enquanto o SharePoint e o OneDrive eram explorados para alojar conteúdos de phishing.

Múltiplos modelos e técnicas para dificultar a análise

Os grupos de phishing disponibilizavam iscos baseados em infrações de trânsito, portagens não pagas, problemas de entrega e pedidos de verificação de contas. Também suportavam geolocalização, páginas CAPTCHA falsas e filtragem de endereços IP, meios destinados a ocultar a infraestrutura dos investigadores e dos sistemas de proteção.

A CoGUI visava vítimas nos Estados Unidos e no Japão, mas, em meados de 2026, a Iron Man tornou-se a plataforma dominante, incluindo mais de 2.300 modelos que imitavam bancos, lojas, serviços de entrega e entidades governamentais. A empresa Resecurity, que participou na investigação, identificou um registo público de builds e contentores com 911 versões publicadas e oito contas registadas, além de um sistema de seleção de produtos associado à captura de dados de cartões. O catálogo de pacotes de phishing chegou a 2.360 pacotes que abrangiam 130 países e regiões, com atualizações até 1 de outubro de 2026.

O que mudou na prática?

Ao abrigo de uma ordem do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Florida, a Microsoft e a Health-ISAC apreenderam e redirecionaram domínios que apoiavam a YAM Store, a CoGUI e a Iron Man. A Microsoft também desativou mais de 20 mil contas associadas ao mercado e bloqueou 100 mil domínios utilizados para falsificação de identidade e fraude.

A operação revela que o phishing contemporâneo funciona como um mercado de serviços escalável, vendendo infraestrutura, contas e modelos em vez de depender de uma única campanha. No entanto, o bloqueio de domínios e contas não significa o fim da atividade; a Microsoft afirmou que a remoção de infraestrutura adicional continua, enquanto a dimensão da infraestrutura ainda não descoberta permanece uma questão em aberto.

Além da Microsoft e da NPA, participaram na investigação a JC3, a Resecurity, a Cloudflare, a Oracle, a Proofpoint e a TRM Labs. No final de 2024, a Proofpoint já tinha associado de forma contínua à CoGUI campanhas que visavam o Japão, com foco no roubo de credenciais e dados de pagamento através da imitação de empresas japonesas conhecidas e organizações internacionais.

Fonte da notícia
BleepingComputer
Abrir fonte original ↗
c
Autor

certi.news Editorial Team

O que você precisa saber

A Microsoft e os seus parceiros desmantelaram uma infraestrutura criminosa associada ao YAM Store e a outras plataformas de phishing, depois de esta ter sido utilizada para enviar mais de mil milhões de mensagens maliciosas e visar mais de 75 mil organizações em 150 países. A operação incluiu a apreensão de domínios, a desativação de mais de 20 mil contas e o bloqueio de 100 mil domínios, embora continue a existir a possibilidade de atividade através de uma infraestrutura ainda não descoberta.

  • A operação estava associada ao YAM Store, também conhecido como Storm-3119, e às plataformas CoGUI e Iron Man System, integradas no Storm-2990.
  • O ecossistema foi utilizado para vender contas e ambientes Microsoft e Google, bem como licenças e espaços de armazenamento comprometidos ou obtidos por fraude.
  • Os atacantes alojaram conteúdo de phishing no SharePoint e no OneDrive e utilizaram credenciais de aplicações roubadas para gerir algumas contas e licenças.
  • As técnicas de phishing incluíam mensagens sobre infrações de trânsito, taxas não pagas, problemas de entrega e verificação de contas, além de páginas CAPTCHA falsas e filtragem de endereços IP.
  • Ao abrigo de uma ordem judicial dos Estados Unidos, a Microsoft e a Health-ISAC apreenderam e redirecionaram domínios associados à infraestrutura, enquanto a Microsoft desativou mais de 20 mil contas e bloqueou 100 mil domínios.
  • A Microsoft afirmou que a remoção de infraestrutura adicional continua, pelo que a desativação não significa o fim da atividade criminosa.

Perguntas frequentes

O que é o YAM Store?

É um mercado de serviços de phishing associado ao ecossistema Storm-3119. Vendia contas, ambientes, licenças e espaços de armazenamento da Microsoft e da Google, além de infraestrutura e modelos de phishing.

Qual foi a dimensão dos alvos?

O ecossistema visou mais de 75 mil organizações em 150 países e enviou mais de mil milhões de mensagens maliciosas.

Que medidas foram tomadas pelas entidades participantes?

Foram apreendidos e redirecionados domínios que sustentavam a infraestrutura, mais de 20 mil contas foram desativadas e 100 mil domínios utilizados para personificação e fraude foram bloqueados.

A ameaça deste ecossistema terminou?

Não. A Microsoft afirmou que a remoção de infraestrutura adicional continua e que a dimensão da infraestrutura ainda não descoberta permanece desconhecida.

Na mesma categoria

Você também pode gostar

Ver todas as notícias