Cibersegurança

Vulnerabilidade 'GhostMap' no Android: aplicativo malicioso pode transformar seu telefone em um loop de reinicialização infinito

Pesquisadores da Bitdefender descobriram uma vulnerabilidade no sistema Android chamada 'GhostMap', que permite que aplicativos maliciosos causem falhas no dispositivo e o coloquem em um loop de reinicialização contínuo sem a necessidade de quaisquer permissões.

2026-11-05
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certi.news Editorial Team
Vulnerabilidade 'GhostMap' no Android: aplicativo malicioso pode transformar seu telefone em um loop de reinicialização infinito

Pesquisadores da empresa de segurança Bitdefender revelaram uma vulnerabilidade perigosa no sistema operacional Android, à qual deram o nome de "GhostMap". A gravidade desta falha reside na capacidade de um aplicativo malicioso, projetado especificamente, de colocar dispositivos Android em um loop de reinicialização contínuo (Boot Loop), tornando o dispositivo inutilizável, sem a necessidade de conceder ao aplicativo quaisquer permissões ou mesmo executá-lo após a instalação.

Como funciona a vulnerabilidade GhostMap?

As raízes do problema técnico residem em uma diferença na forma como duas bibliotecas do Android interpretam métodos de compressão de arquivos ZIP. Essa discrepância permite que arquivos APK (pacotes de aplicativos Android) corrompidos ignorem as verificações de tamanho habituais, levando o sistema a tentar mapear um arquivo em uma área não designada da memória.

Quando o processo central do sistema system_server tenta ler esse arquivo, ocorre um erro do tipo SIGBUS (um sinal enviado pelo processador para interromper um processo que tenta acessar um espaço de memória inválido). Como o sistema tenta reiniciar automaticamente o processo afetado, ele relê o mesmo arquivo corrompido e encontra o mesmo erro, criando um loop de falha infinito. Testes realizados pela Bitdefender em um dispositivo Pixel 10 rodando o Android 17 mostraram que o dispositivo começa a entrar no loop de falha apenas um segundo após a instalação do aplicativo.

A posição do Google sobre a vulnerabilidade

Apesar da gravidade da situação, a Bitdefender encontrou dificuldades em convencer o Google a reconhecer a vulnerabilidade; a gigante da tecnologia respondeu em agosto que o problema era "não reproduzível" (Not Reproducible) e que estava fora do escopo das atualizações de segurança. Embora a Bitdefender tenha fornecido evidências adicionais, o Google não a classificou como uma prioridade para correção imediata, limitando-se a colocá-la sob análise para futuras atualizações.

O que muda na prática para os usuários?

Como não há uma correção de software oficial disponível no momento, enfrentar essa ameaça exige medidas que podem ser caras ou complexas:

  • Redefinição de fábrica (Factory Reset): É a solução mais garantida, mas resulta na exclusão de todos os dados armazenados no dispositivo.
  • Uso da ferramenta ADB: O arquivo corrompido pode ser excluído via comandos ADB, mas isso exige que a opção "depuração USB" esteja ativada previamente, e o comando deve ser executado com extrema rapidez antes que o sistema entre no loop de falha.

A Bitdefender ressalta que a vulnerabilidade impede que os usuários acessem até mesmo o Modo de Segurança (Safe Mode), tornando o processo tradicional de recuperação do dispositivo extremamente difícil. O único meio disponível atualmente continua sendo a dependência de ferramentas de segurança externas que possam detectar aplicativos suspeitos durante a instalação.

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BleepingComputer
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