Inteligência artificial

A OpenAI aposta em agentes de inteligência artificial para o trabalho diário: os usuários confiarão neles?

A OpenAI busca transferir os agentes de inteligência artificial do ambiente de programação para as áreas de contabilidade, investimentos, medicina e outras funções administrativas por meio do ChatGPT Work. Mas a ampliação do uso depende da capacidade do produto de gerenciar permissões, explicar suas etapas e trabalhar de forma confiável em tarefas difíceis de avaliar, como estratégia, apresentações e vendas.

2026-08-24
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فريق تحرير certi.news
A OpenAI aposta em agentes de inteligência artificial para o trabalho diário: os usuários confiarão neles?

A OpenAI está levando os agentes de inteligência artificial para além da escrita de código por meio do ChatGPT Work, uma versão voltada a trabalhadores de funções administrativas que a empresa lançou no mês passado e que está disponível no menor nível de assinatura, por 20 dólares mensais. A ideia não é apenas que o modelo responda a perguntas, mas que execute projetos com várias etapas usando e-mail, ferramentas de trabalho e plataformas de nuvem em nome do usuário.

Essa estratégia representa a maior aposta comercial e de produto da OpenAI, mas coloca a empresa diante de uma pergunta mais difícil do que simplesmente melhorar o modelo: quanto controle sobre a vida digital o usuário estará disposto a conceder a um agente automatizado? Para realizar tarefas úteis, o agente precisa acessar fontes como e-mail, Slack, Notion, Figma e calendário, e pode ter autorização para executar alterações nelas. Essas permissões aumentam o valor da ferramenta, mas também elevam os riscos de exposição de informações privadas ou de execução de uma ação não intencional.

Das ferramentas para desenvolvedores às demais funções

O ChatGPT Work foi construído sobre uma versão modificada da ferramenta de programação Codex. A OpenAI afirma que o objetivo é dar a não engenheiros um tipo de capacidade que os desenvolvedores começaram a usar: uma ferramenta capaz de executar uma tarefa completa de forma quase autônoma, em vez de apenas produzir uma resposta. Entre os usos atuais apresentados pela matéria estão a elaboração de relatórios semanais de indicadores, a transformação de planilhas em ferramentas de planejamento, a compilação de informações sobre empresas em memorandos de investimento e a criação de painéis de acompanhamento e gráficos.

A importância da expansão está no fato de que os desenvolvedores de inteligência artificial não podem depender apenas do setor de software para justificar os enormes investimentos em treinamento e computação. Tarefas mais longas consomem um número maior de tokens, e o acesso a novas especialidades abre um mercado mais amplo. Ao mesmo tempo, empresas especializadas como a Harvey, no setor jurídico, e a Clay, em vendas, disputam os mesmos clientes usando uma abordagem que não está vinculada a um único modelo.

Os números de uso dentro e fora da OpenAI revelam a lacuna que a empresa tenta preencher. Um estudo apoiado pela OpenAI mostrou que 98% dos funcionários da empresa usaram o Codex em junho, contra apenas 17% dos assinantes corporativos e menos de 1% dos assinantes individuais. A empresa também não divulgou o número de usuários do Work em comparação com o Codex, enquanto seus aplicativos combinados são usados por cerca de 20 milhões de pessoas, segundo a matéria, contra mais de um bilhão de usuários que, de acordo com a OpenAI, interagem com o ChatGPT pela internet.

O que muda na prática?

O agente depende do que os engenheiros chamam de “harness”, ou seja, uma camada de software que define quais informações o modelo vê, quais ferramentas pode usar e como o resultado é apresentado. Nas ferramentas de programação, a linha de comando era suficiente para alguns usuários. Já o público mais amplo precisa de uma interface que oculte a complexidade e esclareça o que o agente pode fazer e como iniciar a tarefa.

A experiência descrita na matéria mostra, ao mesmo tempo, os benefícios e os pontos de atrito. O ChatGPT Work conseguiu transferir do e-mail para o Google Calendar um calendário escolar formatado de maneira incomum, criar um painel que se atualiza automaticamente com indicadores de empresas listadas, construir um banco de dados consultável sobre lançamentos espaciais e enviar uma mensagem semanal sobre novas pesquisas em inteligência artificial. Mas configurar as permissões para acessar o armazenamento em nuvem foi confuso, e não ficou claro para o usuário como conceder à ferramenta acesso somente para leitura; posteriormente, descobriu-se que a tarefa exigia acesso completo.

Além disso, algumas configurações só estão disponíveis pelo aplicativo web, o que obriga o usuário a alternar entre ele e o aplicativo para celular. Há outras limitações práticas, como a capacidade da ferramenta de criar eventos no Google Calendar sem criar novos calendários. A tarefa também pode produzir um resultado fraco se o usuário selecionar um nível de esforço baixo, enquanto os níveis de raciocínio não parecem suficientemente compreensíveis para novos usuários, segundo admitiu um dos engenheiros da OpenAI.

Confiança e avaliação são o próximo obstáculo

O problema não se limita à interface. O software geralmente pode ser testado com uma pergunta direta: funciona ou não? Já avaliar uma boa apresentação, uma estratégia de negócios ou um discurso de vendas é menos claro e mais difícil de acompanhar. Por isso, a OpenAI afirmou que usa o padrão GDPval, baseado em testes para trabalho cognitivo em 44 profissões, além do feedback dos usuários. A empresa ainda enfrenta o desafio de determinar se está construindo o fluxo de trabalho de que a maioria das pessoas precisa ou um fluxo adequado apenas a seus funcionários especializados.

As permissões também levantam uma questão sobre os limites da dependência. Um engenheiro principal da OpenAI testou o aplicativo com seu e-mail, sua conta do Slack, seu telefone e outros aplicativos, mas reconheceu que o sistema poderia extrair informações de uma mensagem privada e depois usá-las em um documento que não deveria incluí-las. Já o autor da matéria não concedeu à ferramenta acesso ao seu e-mail, à sua conta bancária ou aos rascunhos de seu trabalho, embora a tenha considerado útil para tarefas menos sensíveis.

A competição entre o modelo e o harness

O ChatGPT Work se assemelha a produtos como o Claude Cowork e outras ferramentas de agentes voltadas a usuários comuns. A matéria mostra que o Claude Code se antecipou ao Codex na adoção de um estilo conversacional que permite ao usuário escolher o caminho entre várias opções e receber atualizações sucessivas, antes que a OpenAI acrescentasse mais pontos de interação ao Codex e desenvolvesse seus aplicativos para desktop e celular. As estatísticas de downloads indicam que o Claude Code teve maior demanda até abril do ano atual, antes de o Codex assumir a liderança por uma margem pequena.

A OpenAI considera que a força de seus modelos mais recentes e sua eficiência em termos de custo são o principal diferencial, enquanto pesquisadores e usuários entendem que o design do harness e a facilidade de solicitar revisão e comparação são igualmente importantes. A questão continua em aberto: um modelo geral poderoso conseguirá substituir gradualmente as ferramentas e instruções especializadas ou o usuário continuará precisando de uma interface mais explicativa e controlável? A resposta determinará se os agentes de inteligência artificial passarão de ferramentas impressionantes para os primeiros usuários a uma camada habitual do trabalho administrativo.

Fonte da notícia
TechCrunch AI
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