A Itochu Techno-Solutions, conhecida pela sigla CTC, anunciou em 21 de agosto de 2026 o início da oferta da solução ProcessLens, um sistema que utiliza inteligência artificial para analisar processos de trabalho com base em vídeos capturados por câmeras vestíveis e outros dispositivos de imagem. A solução tem como objetivo transformar o que realmente acontece nos locais de trabalho em dados que possam ser utilizados no chamado Process Mining (mineração de processos).
A CTC afirma que o ProcessLens lê o conteúdo dos vídeos, o comportamento dos trabalhadores e os detalhes do trabalho, e então os analisa para extrair padrões de processos, pontos de divergência e espera, além de atividades que afetam a produtividade. Dessa forma, as empresas podem passar a depender menos de entrevistas com funcionários ou de observações manuais e adotar uma análise baseada em dados visuais coletados do próprio fluxo de trabalho.
O que o ProcessLens oferece na prática?
A solução concentra-se na captura da sequência de atividades no local e em sua comparação entre trabalhadores ou diferentes etapas do processo. Entre os exemplos apresentados pela CTC está a possibilidade de verificar automaticamente as diferenças entre as etapas de trabalho dos funcionários no início e no fim do processo, ajudando a identificar fontes de atraso ou variação que afetem a produtividade e o tempo. Os dados também podem ser utilizados para analisar pontos de espera ou movimentações dentro dos locais de trabalho e examinar como eles afetam a eficiência do processo como um todo.
Esses recursos têm como alvo empresas que precisam compreender os processos de campo como eles são efetivamente executados, especialmente em ambientes de manufatura e construção, de acordo com o anúncio. A CTC apresenta a solução como uma forma de reduzir o esforço necessário para coletar dados dos processos e ampliar o uso da mineração de processos dos escritórios corporativos para os locais de trabalho reais.
Por que este anúncio é importante?
O principal valor do ProcessLens não está apenas na análise de vídeos, mas na tentativa de conectar a observação de campo a indicadores de processos passíveis de análise. A mineração de processos tradicional costuma depender de registros de sistemas, enquanto algumas atividades manuais ou etapas de trabalho realizadas fora dos aplicativos corporativos não aparecem nesses registros. O uso de vídeos pode permitir que a CTC trate dessa lacuna, desde que o processo de gravação e análise seja adequado à natureza do local e que os dados dos trabalhadores sejam administrados com cuidado.
O anúncio também representa uma expansão da atuação da CTC em serviços de mineração de processos e gestão de riscos. A empresa informou que já havia desenvolvido o serviço MiningLab para apoiar a transformação digital dos clientes e que trabalha para ampliar o alcance da aplicação da mineração de processos, dos escritórios para locais de manufatura e trabalho de campo. A empresa também relaciona isso ao seu pacote de serviços Data&AI Offering Suite e à expansão de serviços especializados em diferentes setores.
Impacto e limitações em aberto
A CTC pretende obter pedidos no valor de 5 bilhões de ienes ao longo de três anos, mas o anúncio não esclarece detalhes sobre preços, modelo de disponibilidade ou os setores pelos quais a expansão começará. Também não apresenta números independentes sobre a precisão da análise ou sobre a redução de tempo e custos obtida pela solução com clientes reais.
A proteção da privacidade e a gestão das gravações dos trabalhadores continuam sendo questões práticas importantes, pois o sistema depende de vídeos que capturam o comportamento das pessoas dentro dos locais de trabalho. A fonte não especifica o período de retenção dos dados, os controles de acesso a eles ou o mecanismo de obtenção de consentimentos. Portanto, a viabilidade do ProcessLens para as empresas não dependerá apenas de sua capacidade técnica, mas também de como ele será integrado aos procedimentos de governança, segurança e operações diárias.