Energia e tecnologias verdes

Janelas fotovoltaicas em um apartamento em Bucareste cobrem cerca de 47% da demanda de água quente

Um experimento residencial com duração superior a dois anos demonstrou a possibilidade de usar vidro fotovoltaico semitransparente para aquecer água diretamente com corrente contínua, sem bateria ou inversor solar. O sistema cobriu entre 43,7% e 46,7% da energia doméstica para água quente, com possíveis benefícios adicionais na redução do desperdício de água e no ganho de calor solar.

2026-08-25
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فريق تحرير certi.news
Janelas fotovoltaicas em um apartamento em Bucareste cobrem cerca de 47% da demanda de água quente

Um experimento operacional em um apartamento na cidade romena de Bucareste demonstrou que janelas fotovoltaicas semitransparentes podem alimentar diretamente um aquecedor de água com corrente contínua, usando o tanque de água como meio de armazenamento térmico em vez de uma bateria elétrica. Segundo as medições publicadas pelo responsável pelo experimento, o sistema cobriu entre 43,7% e 46,7% da necessidade de uma família de quatro pessoas de energia para água quente durante dois períodos consecutivos de monitoramento.

O experimento, apresentado por Adrian Băisan, da empresa PhotoVoltaic Windows SRL, tem como alvo um problema prático enfrentado por moradores de apartamentos: a ausência de espaço próprio no telhado para a instalação de painéis solares. Nesses casos, janelas, varandas e barreiras de vidro tornam-se algumas das poucas superfícies disponíveis para a geração de energia, mas a produção de eletricidade nem sempre coincide com seu consumo dentro da residência.

O que aconteceu na prática no apartamento?

O sistema foi instalado em uma varanda envidraçada voltada para o sul e é composto por 11 janelas fotovoltaicas semitransparentes. Sua potência nominal corrigida é de aproximadamente 845 watts de pico, enquanto documentos anteriores do projeto indicavam 683 watts de pico com base em uma ficha técnica mais antiga, de 2021. A fabricante explicou que o vidro entregue pertencia a modelos mais recentes, com maior potência. Essa correção não altera os resultados da energia medida nem o percentual de cobertura da água quente.

As janelas operam fora da rede elétrica residencial, conectadas diretamente ao elemento de aquecimento resistivo de um aquecedor de água comum. Quando a energia solar é insuficiente, o controlador comuta o aquecedor para a corrente alternada da rede após o pôr do sol, até que a temperatura definida no termostato seja atingida. Com essa configuração, o sistema não precisa de inversor solar nem de bateria eletroquímica.

Durante o período de 2023 a 2024, as janelas forneceram 446 quilowatts-hora ao aquecedor de água, cobrindo 46,7% da demanda da residência por energia para água quente. No período de 2024 a 2025, a energia fornecida aumentou para 462 quilowatts-hora, mas o percentual de cobertura foi de 43,7%. Cada período inclui cerca de 11 meses efetivos de uso, porque a família ficou fora de casa por aproximadamente um mês.

Por que foi escolhido o aquecimento de água em vez de uma bateria?

A ideia central é separar o momento da produção de energia do momento de seu uso. Um tanque de água pode receber 100, 300 ou 500 watts ao longo de várias horas e depois conservar a energia na forma de calor para uso posterior. Isso difere de um sistema solar tradicional conectado a cargas elétricas instantâneas, no qual o sistema pode produzir 500 watts enquanto a residência, naquele mesmo momento, consome apenas 150 watts.

O material menciona um exemplo de referência da Agência Ambiental Alemã, UBA, para um sistema fotovoltaico de varanda de 800 watts, instalado verticalmente e voltado para o sul. Estima-se que sua produção anual seja de aproximadamente 532 quilowatts-hora, com consumo direto dentro do apartamento de cerca de 240 quilowatts-hora, ou aproximadamente 45%, na ausência de bateria. Já direcionar a eletricidade solar diretamente para um aquecedor de água permite absorver a produção durante um período mais longo, o que pode aumentar o aproveitamento da energia disponível sem acrescentar armazenamento elétrico.

A compatibilidade elétrica é o fator decisivo

Os resultados não significam que o vidro fotovoltaico seja naturalmente mais eficiente do que os painéis de silício tradicionais. O ponto mais importante é a compatibilidade entre a tensão do conjunto e a carga de aquecimento. Ao conectar diretamente dois painéis tradicionais, com potência total de aproximadamente 800 watts, a um elemento de aquecimento de 3 quilowatts e 230 volts, a comparação apresentada no material indica que a potência transferida pode não ultrapassar cerca de 300 watts, devido às características de tensão e corrente.

Em contrapartida, as janelas fotovoltaicas utilizam um número maior de elementos de geração de menor potência, permitindo organizá-los para alcançar uma tensão de corrente contínua mais adequada ao elemento de aquecimento, mantendo moderada a potência total. O sistema registrou um pico medido de 499 watts no aquecedor, a partir de uma potência nominal corrigida de 845 watts de pico.

Um conversor MPPT ativo pode aumentar a potência instantânea em algumas condições de iluminação, mas não necessariamente transformará esse aumento em uma quantidade equivalente de energia anual útil; o aquecedor desliga quando atinge a temperatura definida, e o conversor também acrescenta consumo, perdas, custo e complexidade. Essa conclusão permanece relacionada à configuração do experimento e não constitui uma regra geral que elimine a necessidade de eletrônica de potência em todos os sistemas.

Benefícios adicionais e limitações a considerar

O material afirma que a produção local de água quente reduziu o tempo de espera para que a água quente central chegasse ao chuveiro. Com base em uma vazão medida de 6,7 litros por minuto e em uma espera de aproximadamente cinco minutos para atingir cerca de 43 graus Celsius no fim de setembro, o modelo do caso estimou um desperdício de aproximadamente 62,1 metros cúbicos de água por ano durante a espera para uma família de quatro pessoas. A fonte confirma que essa é uma estimativa específica do caso, não um número geral, porque o comprimento das tubulações, o sistema de recirculação e as condições de operação variam entre os edifícios.

O vidro fotovoltaico também funciona como elemento de sombreamento. De uma área total de vidro de aproximadamente 12,9 metros quadrados, o vidro fotovoltaico semitransparente cobre 7,92 metros quadrados. O modelo estima que sua substituição pelo vidro transparente reduziu o ganho de calor solar através da fachada em cerca de 40%, com uma estimativa de redução do consumo de refrigeração nesse apartamento entre 433 e 481 quilowatts-hora no verão, e um valor central de aproximadamente 457 quilowatts-hora. Esses são valores calculados, não medições efetivas da economia de ar-condicionado.

Leitura editorial da certi.news: A importância do experimento está em redefinir o aproveitamento da energia solar em apartamentos: nem sempre é necessário converter a eletricidade em corrente alternada ou armazená-la em uma bateria; o tanque de água já existente pode ser uma carga flexível e útil. No entanto, os resultados, por si só, não comprovam a viabilidade econômica nem a possibilidade de expansão, e os dados foram fornecidos pela entidade relacionada à própria tecnologia, enquanto alguns benefícios de refrigeração e economia de água se baseiam em modelos e estimativas. Por isso, a comparação com painéis tradicionais, os custos de instalação e os requisitos de segurança e regulamentação nos edifícios precisam de uma avaliação independente antes que a solução seja generalizada.

Fonte da notícia
CleanTechnica
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