Chuck Robbins, CEO global da Cisco, afirmou que a região do Oriente Médio e do Norte da África está passando do investimento em inteligência artificial para a implementação de projetos concretos, considerando que a infraestrutura segura, a inteligência artificial soberana e o desenvolvimento de competências são os pilares fundamentais para construir uma economia digital capaz de acompanhar a próxima fase.
As declarações de Robbins foram publicadas em sua página oficial no LinkedIn, após uma turnê que incluiu Riad, Cairo e Rabat, durante a qual ele se reuniu com governos, parceiros e equipes da Cisco nos três países. A turnê incluiu a participação na conferência LEAP 2026, em Riad, ao lado da HUMAIN e da AMD, ocasião em que foi anunciado que a infraestrutura de inteligência artificial baseada em redes da Cisco já está ativa no Reino, menos de um ano após o anúncio da intenção das empresas de cooperar.
Desenvolvimentos diferentes na Arábia Saudita, no Egito e no Marrocos
Na Arábia Saudita, a Cisco estabeleceu a meta de alcançar 500 mil alunos por meio do programa Cisco Networking Academy. Já no Egito, Robbins afirmou que mais de 670 mil egípcios receberam treinamento por meio da academia, enquanto a empresa pretende capacitar 3 mil novos instrutores.
Ele afirmou que a cooperação com o Egito resultou na implementação ou no início da implementação de 19 projetos internacionais de aceleração digital, além da assinatura de dois novos acordos com o primeiro-ministro e o ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação, com foco em inteligência artificial e desenvolvimento de competências.
No Marrocos, a primeira visita de Robbins coincidiu com o início da implementação do primeiro projeto Cisco Digital Acceleration (CDA), em parceria com a Universidade Internacional de Rabat, com o lançamento do projeto previsto para breve. Ele também mencionou o lançamento dos mais recentes programas de desenvolvimento de competências no Reino.
O que está mudando na prática?
O aspecto mais significativo dessa turnê é que a discussão não se limitou ao volume dos investimentos ou aos planos futuros, mas incluiu indicadores de que algumas iniciativas passaram à operação ou à implementação, como a ativação da infraestrutura na Arábia Saudita e o início do projeto CDA no Marrocos. Isso significa que a medição do progresso na região está gradualmente se voltando para aquilo que é efetivamente construído e utilizado, e não apenas para os anúncios.
Por outro lado, a publicação não apresenta detalhes técnicos sobre a infraestrutura ativa na Arábia Saudita, como o escopo de uso, as capacidades ou as entidades beneficiárias, nem esclarece a natureza dos 19 projetos digitais no Egito ou seus cronogramas. Portanto, os números continuam sendo indicadores da dimensão da cooperação anunciada, mas, por si só, não são suficientes para avaliar os resultados operacionais ou o impacto econômico das iniciativas.
Os três eixos
De acordo com a publicação, as reuniões de Robbins chegaram a três eixos comuns: fornecer uma infraestrutura segura, desenvolver o conceito de inteligência artificial soberana e preparar a força de trabalho com as competências necessárias. A Cisco apresenta as parcerias de longo prazo como o meio de acelerar esses eixos, com foco claro na cooperação entre governos, empresas e instituições de ensino.
Análise da certi.news: os desenvolvimentos anunciados revelam que a corrida pela inteligência artificial na região está entrando em uma fase mais prática, mas a avaliação de seu sucesso exigirá dados adicionais sobre os projetos que entraram em operação, os mecanismos de governança e soberania dos dados e os resultados efetivos dos programas de treinamento. O que está disponível atualmente comprova a expansão das parcerias e o início de alguns projetos, mas ainda não comprova seu impacto total nos mercados ou na força de trabalho.