Em 17 de setembro de 2026, a Anthropic anunciou o lançamento do Life Sciences Verification Program (LSVP), um programa experimental que permite a especialistas em ciências da vida usar os modelos Mythos, Opus e Sonnet com controles mais flexíveis em tarefas relacionadas à biologia. A empresa afirma que já incluiu dezenas de instituições no acesso antecipado e começou a receber solicitações de adesão de uma parcela mais ampla da comunidade de ciências da vida.
O programa é destinado a equipes e instituições que incluem laboratórios acadêmicos, startups e empresas farmacêuticas, e abrange casos de uso como descoberta de medicamentos, pesquisa biológica, desenvolvimento clínico, fabricação, garantia de qualidade, assuntos regulatórios, cadeias de suprimentos, investimento e due diligence. Atualmente, o LSVP está disponível para equipes e instituições, enquanto a Anthropic trabalha para expandi-lo posteriormente aos planos individuais Pro e Max.
Dois caminhos de acesso conforme o nível de risco
A adesão exige a verificação das qualificações de pesquisa, dos padrões de segurança e dos mecanismos de supervisão ética da entidade candidata. Após passar pela verificação, as equipes podem solicitar um dos dois tipos de concessão.
O caminho Standard Use oferece acesso personalizado para a maioria dos trabalhos de ciências da vida e abrange equipes completas e diversas cargas de trabalho diárias, com renovação anual. Atualmente, inclui Mythos 5.1, Opus 5 e Sonnet 5, além de modelos futuros quando forem lançados. Já o caminho High-risk Use é um complemento separado para trabalhos que continuam bloqueados no caminho padrão e remove todos os controles que impedem solicitações relacionadas às ciências da vida. No entanto, está vinculado a um único projeto de pesquisa e exige renovação a cada seis meses.
A Anthropic menciona como exemplo de uso do caminho de alto risco um projeto que estuda como vias imunológicas humanas reconhecem uma família específica de vetores virais. As concessões de High-risk Use estão disponíveis para os modelos Claude Opus 5 e Claude Sonnet 5, enquanto a empresa trabalha com o governo dos Estados Unidos para ampliar sua disponibilidade ao modelo Claude Mythos, que permanecerá, no lançamento, limitado a um pequeno número de entidades submetidas a verificação adicional.
Do bloqueio imediato ao monitoramento de padrões
O desenho do programa baseia-se no que a Anthropic chama de “responsabilidade compartilhada”. Em vez de bloquear toda solicitação potencialmente prejudicial no momento em que é apresentada, a empresa monitora externamente o tráfego de uso em busca de padrões que possam indicar abuso distribuído por várias sessões e solicitações. Entre as ameaças que os controles foram concebidos para enfrentar estão o comprometimento de contas, ameaças internas e o uso indevido de agentes de software, especialmente quando operam em enxames ou em tarefas de longo prazo.
O acesso de cada entidade está vinculado aos casos de uso que ela especifica na solicitação de concessão. Se a Anthropic detectar atividade fora do escopo declarado, poderá notificar os responsáveis pela instituição para que tomem medidas de triagem e correção dentro de prazos acordados. A empresa exige a retenção, por 30 dias, dos dados associados à atividade observada. Afirma que esses dados são isolados, não são usados para treinar os modelos e não podem ser acessados pelas equipes de pesquisa em ciências da vida da Anthropic. Os demais controles de cibersegurança continuam ativos nas concessões do LSVP.
Disponibilidade e limitações atuais
O programa está disponível no console da Anthropic para usos de API, bem como nos planos Claude for Enterprise e Team, e os usuários podem alternar entre as concessões dentro da API e do Claude Science. No Claude.ai e no Claude Code, inicialmente aplica-se uma concessão padrão predefinida, exceto no uso do Claude Code com autenticação de API. Atualmente, o programa não oferece suporte a planos individuais nem a plataformas de terceiros.
O LSVP também não está disponível, durante a fase experimental, para instituições que utilizam BAA. A Anthropic solicita que entidades que lidam com informações de saúde protegidas (PHI) usem instituições separadas, sem a opção BAA ativada e não compatíveis com a HIPAA.
Leitura editorial: ampliar o acesso transferindo parte da supervisão
A mudança efetiva aqui não é o lançamento de um novo modelo, mas a criação de uma camada institucional de acesso que separa o uso diário verificado dos projetos de maior risco. Isso pode reduzir o atrito para os pesquisadores, mas transfere parte da aplicação das regras de uma decisão automatizada a cada solicitação para um monitoramento posterior que depende da entidade usuária e da capacidade da Anthropic de detectar padrões não autorizados. Além disso, a retenção de dados por 30 dias e a exclusão das instituições com BAA ativado impõem limitações práticas importantes às entidades que lidam com informações de saúde sensíveis. A eficácia do novo modelo de responsabilidade compartilhada e sua capacidade de impedir o uso indevido continuam sendo questões em aberto que o programa experimental precisará responder.