Inteligência artificial

Como criar uma estrutura reutilizável para avaliar agentes de IA

Susan Chang, da Elastic, explica como as equipes passaram de avaliações isoladas de agentes de IA para uma estrutura unificada que combina avaliação programática, LLM-as-a-judge e rastreamento aprofundado. A experiência mostra que a automação não elimina a necessidade de especialistas de domínio, especialmente na criação de dados de teste e na calibração das métricas.

2026-10-05
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certi.news Editorial Team
Como criar uma estrutura reutilizável para avaliar agentes de IA

As equipes que desenvolvem agentes de IA precisam de mais do que verificar a resposta final para saber se o sistema está funcionando como deveria. Em aplicações que combinam recuperação, geração e chamadas de ferramentas, o resultado incorreto pode ser causado pela seleção de um banco de dados errado ou pela recuperação de documentos inadequados, mesmo que o problema pareça estar apenas no texto final. Durante uma apresentação realizada pela InfoQ, Susan Chang, cientista de dados principal da Elastic, explicou como a empresa desenvolveu uma estrutura compartilhada para avaliar seus agentes usados em segurança cibernética e chatbots corporativos.

De avaliações isoladas a ferramentas compartilhadas

As equipes da Elastic começaram criando conjuntos de dados, avaliadores e processos de rastreamento separados para cada agente. No caso de um agente de detecção de ataques, os testes incluíam cenários de ataque e cenários benignos elaborados por analistas e pesquisadores de segurança, com métricas como precisão e revocação, correção factual, similaridade e classificação de táticas do MITRE. Já os chatbots baseados em dados corporativos testavam perguntas e recuperação de documentos, com foco na relevância e na completude da resposta, na correção dos identificadores de produtos e na formulação de consultas ES|QL.

A diferença entre esses casos resultou em uma grande repetição de trabalho. Por isso, a Elastic criou uma estrutura compartilhada capaz de importar diferentes tipos de conjuntos de dados para um esquema unificado, executar avaliações baseadas em rastros de execução e usar avaliadores compartilhados para aplicações de RAG, além de componentes personalizados para cada produto. O processo pode ser executado localmente: os dados são carregados, o agente é executado, os resultados são coletados e as pontuações são exibidas aos desenvolvedores.

O rastreamento é essencial para entender a causa da falha

A experiência confirma que o rastreamento do agente não deve se limitar à sua saída final. É necessário registrar as ferramentas chamadas, as operações de busca vetorial e textual, os dados recuperados, o consumo de tokens, o tempo de resposta e a sequência de decisões. Esse nível de detalhe permite avaliar a chamada de uma ferramenta específica ou descobrir que o agente usou uma fonte incorreta antes que o problema apareça na resposta final.

Também é possível transformar casos de falha relatados pelos usuários, como uma avaliação negativa, em novos exemplos no conjunto de testes. Assim, o feedback de produção torna-se parte dos testes de regressão em versões posteriores, em vez de permanecer como observações manuais separadas do ciclo de desenvolvimento.

Por que LLM-as-a-judge não é suficiente?

A Elastic usou modelos de linguagem para avaliar saídas de outros modelos em tarefas abertas ou ambíguas, como estilo, coerência e adequação da resposta ao contexto. Essa abordagem permite ampliar a avaliação quando é difícil escrever uma regra precisa para julgar um texto longo. No entanto, ela pode produzir resultados diferentes entre uma execução e outra e pode não detectar erros específicos, como um identificador de produto inexistente ou uma consulta inválida.

Por isso, a Elastic combinou LLM-as-a-judge com avaliações determinísticas baseadas em regras e programação. Essas avaliações verificam a estrutura de JSON ou YAML, a correção da sintaxe, a presença das entidades necessárias e a possibilidade de execução do código ou da consulta, além de métricas como precisão, revocação e correção factual. Essa combinação reduz o custo e acelera a avaliação nos casos que têm uma resposta clara, deixando o julgamento semântico para as tarefas difíceis de reduzir a regras.

O que não pode ser generalizado?

A Elastic não considerou a criação de dados de teste especializados como algo totalmente automatizável. Em segurança cibernética, a equipe precisa de analistas e pesquisadores para definir o que constitui um ataque real e qual é o comportamento aceitável para o usuário final. Além disso, a definição de regressão varia entre os agentes; um agente de segurança pode tornar-se mais propenso a declarar a existência de ataques mesmo quando são inseridos dados benignos após determinada atualização.

A calibração dos avaliadores continua sendo responsabilidade de cada equipe. Se o avaliador de linguagem atribuir pontuações diferentes ao mesmo caso ou não concordar com o julgamento humano de referência, a estrutura compartilhada produzirá números enganosos, independentemente da qualidade da arquitetura de software. Chang também apontou o risco de viés do avaliador quando membros da mesma família de modelos são usados para geração e julgamento, pois o avaliador pode superestimar o desempenho desses modelos.

O que muda na prática para as equipes?

A experiência da Elastic recomenda começar com um pequeno conjunto de exemplos de teste, que pode variar entre 20 e 50 casos, em vez de esperar por um conjunto ideal. Nas primeiras etapas, o trabalho fragmentado pode ser aceitável para acelerar o aprendizado, especialmente quando os casos de uso e as métricas ainda estão sendo descobertos. No entanto, quando vários agentes entram em produção, o rastreamento e a avaliação básica tornam-se essenciais para responder a perguntas sobre desempenho e diagnosticar problemas dos usuários.

A Elastic também transferiu algumas ferramentas de avaliação de Python para TypeScript, para corresponder ao código de produção escrito em TypeScript e usar o Playwright e uma ferramenta interna personalizada chamada Scout. Essa medida não significa que seja necessário transferir todas as avaliações de ciência de dados, mas reflete uma necessidade específica de reduzir a distância entre aquilo que a equipe testa e o que o sistema realmente executa. A conclusão prática é que a estrutura compartilhada pode unificar o esquema, a execução e as métricas gerais, mas não pode substituir a experiência de domínio nem o julgamento sobre o que deve ser considerado sucesso ou fracasso.

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InfoQ - Architecture Articles
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