A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada para a Saúde (ARPA-H) anunciou subvenções de mais de 100 milhões de dólares a quatro entidades que trabalham no desenvolvimento de biossensores vestíveis para monitorar indicadores relacionados à insuficiência cardíaca, ataques cardíacos, inflamação e transições da perimenopausa. A agência planeja um compromisso total de 117,4 milhões de dólares ao longo de 4,5 anos no âmbito do programa Delphi.
Quatro linhas para o desenvolvimento dos sensores
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) recebeu a maior subvenção, no valor de até 37,9 milhões de dólares, para desenvolver um adesivo vestível de nível clínico que monitore continuamente indicadores de insuficiência cardíaca. Segundo a ARPA-H, o adesivo obterá energia do calor do corpo do paciente e usará inteligência artificial no chip, projetada para baixo consumo de energia.
A Novelna, uma empresa de proteômica sediada na Califórnia, receberá até 33,2 milhões de dólares para desenvolver um adesivo que meça a inflamação após um ataque cardíaco, com o objetivo de ajudar a reduzir as readmissões hospitalares. O dispositivo usará o corpo humano para transmitir dados, o que ajudará a prolongar a duração da bateria.
A Universidade de Nova York recebeu até 30,8 milhões de dólares para desenvolver um adesivo que monitore continuamente a inflamação por meio de sondas microscópicas colocadas sob a pele. O design inclui sensores baseados em DNA, além da captação de energia de fontes de radiofrequência, como Bluetooth e Wi-Fi.
A Universidade de Washington recebeu até 7,5 milhões de dólares para desenvolver um adesivo de consumo de energia ultrabaixo que acompanhe as mudanças associadas à perimenopausa. A equipe usará proteínas para medir biomarcadores no suor, com a possibilidade de regenerar e reutilizar essas proteínas por meio do ajuste do pH local do sensor, a fim de manter sua sensibilidade e confiabilidade por períodos mais longos.
O que o programa Delphi muda?
A ARPA-H lançou o programa em março com o objetivo de superar a limitação das plataformas de sensores vestíveis normalmente projetadas para uma única aplicação. A visão do programa baseia-se em uma abordagem de chiplet que permite aos desenvolvedores integrar diferentes biossensores e substituí-los de acordo com os indicadores a serem medidos, em vez de construir uma plataforma separada para cada uso.
A importância prática dessa abordagem não está relacionada apenas ao financiamento, mas também à tentativa de enfrentar desafios persistentes nos dispositivos médicos vestíveis: operação de longo prazo, consumo de energia, transmissão de dados e ampliação do conjunto de indicadores mensuráveis. No entanto, a fonte descreve projetos em desenvolvimento e ainda não comprova a prontidão de nenhum dos dispositivos para uso clínico ou comercial.
Etapas de validação e limitações
A ARPA-H espera que as equipes comprovem a interoperabilidade completa e cumpram padrões de comunicação seguros durante os primeiros 18 meses. Após 24 meses, elas deverão apresentar protótipos in vivo e identificar sensores adicionais para ampliar o conjunto de biomarcadores. Até o mês 54, a agência pretende concluir ensaios clínicos ou estudos de fatores humanos.
Esses cronogramas significam que o valor médico dos projetos continuará condicionado aos resultados dos testes posteriores, incluindo a precisão das medições, a estabilidade dos sensores e a segurança de seu uso em seres humanos. Além disso, as subvenções anunciadas são valores máximos potenciais, e não necessariamente um financiamento pago integralmente de forma antecipada.