O Centro de Informação e Apoio à Tomada de Decisões do Conselho de Ministros egípcio publicou a primeira edição do seu boletim periódico «O futuro pelos olhos do mundo», com o objetivo de acompanhar as transformações debatidas por centros de estudos e instituições internacionais de pesquisa e analisar seus possíveis impactos sobre a economia e os setores do desenvolvimento. O boletim coloca a inteligência artificial, a energia limpa e o comércio regional entre os principais motores que podem remodelar a economia mundial durante a década de 2030.
Três motores e oportunidades desiguais
Segundo a visão apresentada pelo boletim com base no Banco Mundial, os investimentos globais em energia limpa alcançaram cerca de 2,2 trilhões de dólares durante 2025, superando os investimentos em combustíveis fósseis. O número de acordos comerciais regionais também aumentou de mais de 300 acordos em 2020 para cerca de 400 atualmente, abrangendo aproximadamente 60% do comércio mundial, ante cerca de 40% em 1990.
Contudo, o aproveitamento dessas transformações continuará ligado à posse da infraestrutura e das capacidades digitais necessárias. As economias em desenvolvimento detêm menos de um quarto da capacidade global dos centros de dados, enquanto a participação das 24 economias mais pobres não ultrapassa 0,1% dela. Esses números mostram que a expansão da inteligência artificial, da energia limpa e do comércio não garante automaticamente a redução da desigualdade no desenvolvimento.
Uma economia mundial mais exposta à incerteza
O boletim também apresentou os resultados de uma pesquisa realizada pela McKinsey entre 27 de maio e 5 de junho de 2026, na qual quase dois terços dos participantes afirmaram que a economia mundial havia piorado nos seis meses anteriores, a maior proporção desde junho de 2022. Os participantes relacionaram esse quadro às tensões geopolíticas, às perturbações na navegação pelo Estreito de Ormuz, à volatilidade dos preços da energia, à inflação e aos riscos nas cadeias de abastecimento.
Paralelamente, o boletim apresentou quatro cenários para a agenda de desenvolvimento sustentável após 2030, que variam entre a ausência de uma nova agenda mundial e o surgimento de múltiplas agendas regionais, chegando à extensão da agenda atual ou a um acordo sobre uma nova agenda global que se concentre mais nas necessidades básicas e no desenvolvimento econômico e social.
Energia e infraestrutura no centro da transição
As estimativas da Agência de Energia Nuclear da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico indicam uma ampla faixa para a capacidade nuclear mundial em 2050, entre 347 e 1324 gigawatts, conforme as políticas e os investimentos. Em um cenário de continuidade das tendências atuais, a capacidade poderá chegar a 619 gigawatts, contra 883 gigawatts em um cenário mais ambicioso, baseado na aceleração dos projetos, na expansão dos pequenos reatores e na extensão da vida útil dos reatores existentes.
O boletim estima que as redes elétricas mundiais necessitarão de mais de 22,5 trilhões de dólares em investimentos até 2050. A Europa também pretende que o combustível sustentável para aviação alcance 70% do uso até esse ano, enquanto a capacidade nuclear na região da Ásia-Pacífico poderá atingir cerca de 229 gigawatts até 2035, um aumento superior a 70%.
O que isso significa para o Egito?
O boletim conclui que acompanhar essas tendências é importante para o Egito nos campos da transformação digital, da inteligência artificial, da segurança energética, da competitividade industrial, do comércio regional, do desenvolvimento da infraestrutura e da adaptação climática. Na prática, a questão não diz respeito à adoção de uma tecnologia isolada, mas à posse de um sistema que inclua centros de dados, energia, competências, capacidade de atrair investimentos e integração às redes de produção e comércio.
Este material continua sendo uma leitura prospectiva que reúne resultados e relatórios internacionais, e não uma previsão confirmada da trajetória da economia mundial. Além disso, as faixas de crescimento nuclear, investimento e infraestrutura nele apresentadas dependem de cenários e políticas futuras, o que torna sua implementação efetiva vinculada às decisões dos países, à disponibilidade de financiamento e às capacidades locais.