A Docker corrigiu uma vulnerabilidade de segurança crítica no Docker Hub que permitia reatribuir tokens de acesso pessoais (PATs) a um novo proprietário ao converter uma conta pessoal em uma organização, sem rotacionar ou revogar o token nem obter o consentimento do novo proprietário. A vulnerabilidade recebeu o identificador CVE-2026-105445 e foi considerada pela empresa um risco para a cadeia de suprimentos de software.
Os pesquisadores Peter Molnar e Krisztian Hozak relataram o problema em 30 de setembro de 2026 por meio do programa de divulgação de vulnerabilidades, e a Docker confirmou que publicou a correção menos de quatro horas depois, por volta das 19h10 no horário universal coordenado. O período de possível exposição se estendeu de 26 de agosto de 2024, às 20h33 no horário universal coordenado, até a publicação da correção.
Como a falha poderia ser explorada?
O Docker Hub permite converter uma conta pessoal em uma organização para preservar o mesmo caminho do repositório, como converter alice/app em um repositório pertencente a uma organização sem interromper as operações de pull existentes. Durante o processo de conversão, o usuário selecionava uma conta existente para se tornar o proprietário da nova organização.
Desde a introdução do comportamento defeituoso, os tokens PAT pertencentes à conta convertida eram transferidos para a conta definida como proprietária, enquanto o segredo do token permanecia com seu criador, e o novo proprietário não precisava confirmar a operação nem era notificado sobre ela. Assim, o invasor poderia usar o token como se ele pertencesse ao proprietário visado no nível do registro do Docker.
Dependendo do escopo do token, isso poderia permitir baixar, enviar ou excluir imagens dos repositórios da vítima ou das organizações às quais a vítima tivesse acesso. A própria interface do Docker Hub não era acessível por meio da falha, e não era possível alterar a senha, o endereço de e-mail, as configurações de autenticação de dois fatores ou assumir o controle da conta.
Resultados da investigação e medidas de contenção
A Docker analisou todas as conversões de contas desde 26 de agosto de 2024 e as correlacionou com registros de autenticação, uso do Docker Hub e registros de gerenciamento de identidade e tokens. A empresa também examinou cerca de 304 mil operações de push executadas com tokens transferidos e afirmou não ter encontrado evidências de exploração da vulnerabilidade.
Todas as operações de push analisadas pela empresa ocorreram dentro dos repositórios da organização convertida ou do novo proprietário, e não foram registradas operações em contas ou organizações não relacionadas. A empresa também analisou estaticamente as imagens públicas de maior risco e não encontrou malware, ferramentas de mineração, atividade de comando e controle, roubo de credenciais, mecanismos de persistência ou adulteração de imagens.
Apesar disso, a Docker esclareceu que os registros do registro mostram o uso do token, mas não comprovam sua existência caso ele não tenha sido utilizado. Por isso, tratou como afetado todo token PAT transferido por meio do processo de conversão durante o período de exposição, independentemente de haver registros de uso.
O que mudou na prática?
A Docker interrompeu definitivamente a transferência de tokens PAT durante a conversão de contas e, em 2 de outubro, enviou notificações aos usuários afetados e aos proprietários das organizações envolvidas. Em 8 de outubro, desativou os tokens transferidos que havia identificado, exceto os tokens cujos proprietários solicitaram sua manutenção antes do prazo final.
A empresa também passou a exigir o consentimento do usuário antes de nomeá-lo proprietário de uma organização e a notificá-lo quando isso ocorrer, além de registrar um histórico auditável para cada alteração na propriedade dos tokens. Atualmente, a Docker está revisando outros fluxos que possam alterar a propriedade de credenciais em busca do mesmo padrão.
A empresa recomenda revisar os tokens de acesso pessoais nas configurações da conta no Docker Hub e revogar qualquer token desconhecido ou que não seja mais utilizado. Para a automação de tarefas pertencentes às organizações, recomenda o uso de tokens de acesso de organizações em vez de um token pessoal vinculado a um indivíduo.