A startup Honeyjar está desenvolvendo uma plataforma de inteligência artificial com o objetivo de disponibilizar a experiência de profissionais de relações públicas e comunicação para empresas e indivíduos que não contam com uma equipe especializada nessa área. A plataforma inclui a preparação de anúncios, a busca por jornalistas adequados e a identificação de oportunidades de palestras, além do monitoramento de notícias e redes sociais e do acompanhamento da cobertura da imprensa.
A ideia vem das fundadoras da empresa, Michelle Masek, diretora-executiva, e Nadia Jamshidi, diretora de comunicação, que passaram décadas trabalhando com comunicação interna e em agências. Masek ocupava recentemente o cargo de vice-presidente sênior de marketing e comunicação na empresa de capital de risco Obvious Ventures, onde ajudou a prestar consultoria em comunicação e marketing para 110 empresas do portfólio da companhia.
De ferramentas separadas a um fluxo de trabalho integrado
A visão da Honeyjar, segundo Jamshidi, não se limita a melhorar as chances de obter cobertura da imprensa ou produzir textos prontos. A plataforma busca reunir sinais, contexto, estratégia, julgamento profissional, timing e execução em um único ciclo de trabalho de comunicação.
A empresa tem como alvo um grupo mais amplo de profissionais de relações públicas, pois Masek acredita que milhões de pessoas desempenham tarefas de comunicação sem ter esse título profissional, incluindo profissionais de marketing, investidores, escritores, criadores de conteúdo, diretores de escolas e líderes de equipes esportivas.
O ser humano continua responsável pela publicação
A Honeyjar pode preparar um rascunho de mensagem para um jornalista ou uma publicação para as redes sociais com a voz do cliente, mas é o cliente quem pressiona o botão de envio ou publicação. Masek afirma que a empresa não quer remover o ser humano do processo, indicando que a ferramenta oferece sugestões e resultados iniciais, e não uma delegação completa ao sistema.
A empresa tenta incorporar a experiência profissional ao produto por meio da iniciativa Comms Lab, que tem como objetivo treiná-lo com os julgamentos e as experiências de mais profissionais de relações públicas. Segundo Jamshidi, julgamento profissional não significa apenas saber o que fazer, mas também determinar o que não deve ser feito, quando agir e como ajustar a mensagem de acordo com os objetivos da empresa e as circunstâncias ao seu redor.
Por que esse desenvolvimento é importante?
A plataforma pode ajudar pequenas equipes de comunicação ou funcionários que assumem essas responsabilidades de forma secundária a organizar o trabalho e tomar decisões melhores antes de entrar em contato com a imprensa. Mas a automação também pode aumentar o volume de mensagens de baixa qualidade que chegam aos jornalistas, um problema que já existe com a disseminação de ferramentas de conversação capazes de escrever propostas de imprensa prontas.
O teste prático está na capacidade da Honeyjar de melhorar a adequação e o timing das mensagens, e não apenas de aumentar sua quantidade. Masek afirma que, às vezes, a ferramenta pode aconselhar um fundador de que ele ainda não está preparado para a cobertura da imprensa, uma função que exige avaliar o contexto, e não apenas gerar um novo texto.
Indicadores de adoção inicial
A lista de espera recebeu 10 mil inscrições nas primeiras 24 horas após sua abertura, segundo Masek. Entre os primeiros testadores estão Nextdoor, a startup Coco Robotics, a empresa de investimentos Bloomberg Beta e as agências Mission North e Full Picture. A Honeyjar também participará do Startup Battlefield 200 durante o evento TechCrunch Disrupt.
Esse interesse, por si só, não comprova a capacidade do produto de melhorar a qualidade da comunicação ou reduzir o ruído da imprensa; esses resultados dependerão da qualidade dos dados e do contexto fornecidos pelas empresas, bem como de até que ponto as decisões sensíveis continuarão sob revisão humana.