A Google DeepMind selecionou 16 startups, organizações sem fins lucrativos e uma equipe de pesquisa para participar da primeira turma do acelerador AI for the Planet na Ásia-Pacífico. As equipes receberão três meses de orientação e suporte técnico para usar modelos de inteligência artificial em biodiversidade, agricultura sustentável e soluções de carbono.
A Google DeepMind selecionou 16 organizações para participar da primeira turma do programa Accelerator: AI for the Planet (APAC), com o objetivo de ampliar soluções ambientais baseadas em inteligência artificial na região da Ásia-Pacífico. A turma inclui startups, organizações sem fins lucrativos e equipes de pesquisa que atuam na proteção da biodiversidade, na agricultura sustentável e na medição de soluções de carbono.
O programa começou esta semana com um treinamento prático em Singapura e o apoio aos participantes continuará por três meses por meio de orientação especializada, suporte técnico e acesso ao pacote Google AI, incluindo modelos avançados personalizados. A Google informou que os participantes usarão modelos como AnthroKrishi, ForestCast, AlphaEarth Foundations, SpeciesNet e Perch para desenvolver e ampliar suas soluções.
Três caminhos para aplicações ambientais
Na área de proteção da natureza e adaptação climática, a turma inclui 800 Trust, Listening Lab e Wildlife.ai, da Nova Zelândia; Kumi Analytics, SIGMA e City Syntax Lab, de Singapura; além de TelePIX, da Coreia do Sul, e Yayasan Ekosistem Lestari, da Indonésia. Suas aplicações variam da análise de sons da vida selvagem e do monitoramento da biodiversidade ao uso de dados de satélite para monitorar manguezais, à construção de câmeras de código aberto para a conservação da vida selvagem e à conexão entre a degradação ambiental e os riscos de desastres.
Já o caminho da agricultura sustentável inclui Edufarmers, Living Roots, SIGMA, Terrastack e X-Centric. Essas organizações trabalham para fornecer aos agricultores orientações quase em tempo real sobre pragas, doenças e clima; desenvolver biofertilizantes adequados às culturas; estimar a produtividade por meio de satélites; disponibilizar informações em nível de parcela; além de usar dispositivos portáteis que funcionam com raios X e inteligência artificial para analisar as características do solo.
O terceiro caminho se concentra em soluções climáticas e de carbono, com a participação da Archeda, do Japão; da Climitra Carbon, Farmers for Forests e Varaha Climate, da Índia; e da City Syntax Lab, de Singapura. Os projetos incluem transformar créditos de carbono baseados na natureza em ativos mensuráveis, melhorar o consumo de energia e carbono em áreas urbanas, verificar a remoção de espécies invasoras e sua conversão em biocarvão, além de permitir que pequenos agricultores meçam práticas de agricultura regenerativa e créditos de carbono.
O que importa na prática?
A importância da iniciativa está em reunir modelos de inteligência artificial, dados de satélite, bioacústica e dispositivos de campo, em vez de limitar os usos ambientais a ferramentas analíticas gerais. A diversidade dos participantes também mostra que os possíveis beneficiários não são apenas empresas de tecnologia; pequenos agricultores, projetos de conservação, pesquisadores e entidades que medem carbono estão todos dentro do escopo do programa.
Entretanto, o anúncio confirma a oferta de suporte e acesso aos modelos por três meses, mas ainda não apresenta resultados operacionais nem números sobre a redução de emissões ou a melhoria da produtividade. Portanto, o valor efetivo do programa dependerá da capacidade das equipes de passar dos protótipos para aplicações escaláveis, bem como da qualidade dos dados e da verificação independente dos resultados das soluções de carbono e biodiversidade.