Em 11 de setembro de 2026, a FANUC anunciou o desenvolvimento de um agente de inteligência artificial destinado a robôs de soldagem, capaz de ler desenhos de produtos e compreender o formato e os materiais da peça, gerando então automaticamente as condições de soldagem e a trajetória de movimento do robô. A empresa pretende reduzir o trabalho manual necessário para transformar um desenho técnico em um programa executável em um robô industrial.
O sistema baseia-se em tecnologias do Google Cloud. De acordo com a apresentação anunciada, o operador pode dar instruções ao agente de inteligência artificial para que ele analise o desenho e proponha configurações do processo de soldagem e movimentos do robô, antes de executá-los no sistema. A FANUC pretende apresentar a tecnologia na 2026 International Welding Show, programada para ocorrer entre 16 e 19 de setembro de 2026, e começar a comercializá-la em dezembro do mesmo ano.
Como funciona o sistema?
O sistema lê os desenhos das peças utilizadas na fabricação e identifica as informações necessárias para o processo, como o formato da peça e os materiais usados em sua fabricação. Em seguida, cria dados relacionados ao processo de soldagem, incluindo as condições de operação e o movimento do robô. Essa abordagem permite que o operador passe do desenho à configuração do robô por meio de instruções em linguagem natural, em vez de criar todo o programa manualmente.
O processo de leitura dos desenhos utiliza uma câmera integrada à unidade de ensino ou ao painel de operação do robô FANUC CRX. Também é possível adicionar outra câmera quando necessário, permitindo lidar com diferenças no ambiente de uso ou na forma de inserir os desenhos.
O que muda na prática?
O principal valor prático do anúncio não é adicionar uma nova função de soldagem ao robô, mas transferir parte do trabalho de programação e compreensão de engenharia para um agente de inteligência artificial. Isso pode ajudar os operadores a configurar tarefas de soldagem mais rapidamente, especialmente quando os desenhos mudam ou quando as tarefas se repetem com peças diferentes. No entanto, a fonte não fornece números sobre o tempo de configuração ou a taxa de sucesso dos programas gerados pelo sistema; portanto, ainda não é possível medir o tamanho da melhoria em comparação com a programação tradicional.
A FANUC afirma que o usuário não precisa criar uma conta separada no Google Cloud para usar o sistema, pois o acesso ao agente deverá ocorrer por meio de um mecanismo de assinatura vinculado à FANUC. A empresa também indica que o sistema não depende de uma fonte de alimentação externa para o robô FANUC conectado a ele, de acordo com as informações apresentadas no anúncio.
Dados e limitações em aberto
O sistema inclui o uso do Gemini Enterprise, do Google Cloud, nos aspectos relacionados à inteligência artificial. A FANUC esclarece que os desenhos de produtos lidos pelo sistema não são usados para treinar a inteligência artificial em benefício de outros usuários. Ainda assim, o anúncio não esclarece suficientemente os mecanismos de verificação dos programas gerados, como são tratados os desenhos incompletos ou quais são os limites da intervenção do operador antes da ativação do robô.
Do ponto de vista da certi.news, o anúncio representa uma tendência importante na interseção entre inteligência artificial e robótica industrial, pois conecta modelos de inteligência artificial diretamente à etapa de configuração do processo de fabricação. No entanto, a transição de uma demonstração experimental para um uso produtivo amplo dependerá da precisão da leitura dos desenhos, da segurança dos comandos gerados e da capacidade dos operadores de revisar os resultados antes de ativar o robô.