A Borusan Ventures participou de uma rodada de financiamento inicial de 50 milhões de dólares para a empresa americana Bluecore Energy, que desenvolve pequenos reatores nucleares modulares em plataformas flutuantes para fornecer energia de baixo carbono a portos, instalações industriais e centros de dados. O primeiro teste da tecnologia está previsto para ocorrer no porto de Long Beach.
A Borusan Ventures, braço de capital de risco corporativo do Grupo Borusan, participou de uma rodada de financiamento inicial de 50 milhões de dólares para a empresa americana Bluecore Energy. A rodada foi liderada pela Silverton Partners, com a participação da Slauson & Co, Harlem Capital Partners, Precursor Ventures e LMNT Ventures, além de investidores institucionais e anjos.
Pequenos reatores em plataformas flutuantes
A Bluecore Energy trabalha para instalar pequenos reatores nucleares modulares em plataformas flutuantes, como embarcações, com o objetivo de produzir eletricidade contínua e de baixas emissões perto de portos, instalações industriais costeiras e centros de dados. O modelo baseia-se no transporte marítimo dos sistemas de geração para as áreas que precisam de capacidade adicional, em vez de conectá-los exclusivamente a locais fixos dentro da rede elétrica.
A empresa planeja que seu primeiro sistema forneça uma capacidade contínua de aproximadamente 10 megawatts, com possibilidade de operação por anos sem reabastecimento, de acordo com os planos anunciados. Também pretende aumentar a capacidade adicionando novas unidades quando a demanda por eletricidade crescer, especialmente em áreas cujas redes têm dificuldade para acompanhar o consumo dos centros de dados e das instalações industriais.
O porto de Long Beach como primeiro campo de testes
A Bluecore escolheu o porto de Long Beach, nos Estados Unidos, para sediar a primeira aplicação. A empresa começou a transportar a primeira plataforma flutuante e um reator experimental para a região a fim de realizar trabalhos de engenharia e testes. Isso ocorre em um momento em que se espera um aumento da demanda por eletricidade no porto em decorrência da eletrificação das operações e dos equipamentos de movimentação de cargas.
O porto representa, de acordo com os dados disponíveis, um ambiente para testar a tecnologia em condições operacionais reais e também pode ajudar a empresa a avaliar a capacidade de expansão antes de passar a outras aplicações. No longo prazo, a Bluecore também estuda utilizar o sistema para fornecer energia a navios de carga.
Por que esta notícia é importante?
O valor tecnológico do projeto não se limita à redução do tamanho do reator, mas consiste na combinação de pequenos reatores com a infraestrutura marítima para aproximar a fonte de geração das grandes cargas. Isso coloca centros de dados, portos e instalações industriais entre as categorias que podem acompanhar o projeto, especialmente com o aumento de suas necessidades elétricas.
No entanto, a fonte não fornece detalhes sobre o cronograma comercial, o custo final da eletricidade, as licenças nucleares e regulatórias ou os procedimentos de gestão do combustível, dos resíduos e da segurança. Portanto, o projeto permanece na fase de financiamento, desenvolvimento e testes, e ainda não comprova estar pronto para uma implementação comercial ampla.
Base técnica e de investimento
O fundador e diretor executivo da Bluecore Energy, Kofi Asante, afirmou que a empresa se baseia em uma tecnologia de reatores nucleares refrigerados a água utilizada há mais de 70 anos, adaptando-a para um tamanho menor e instalando-a em embarcações, além de buscar a produção em série de pequenos reatores. Por sua vez, Defne Kocabıyık Narter, fundadora e presidente da Borusan Ventures, relacionou o investimento ao aumento da necessidade de fontes de energia confiáveis e de baixo carbono com a expansão da inteligência artificial e a transformação da indústria.