A Anthropic, desenvolvedora do modelo de inteligência artificial Claude, divulgou um estudo interno intitulado «Como o trabalho está mudando na Anthropic», que destaca as transformações radicais ocorridas no ambiente de trabalho da empresa em conjunção com a adoção intensiva de ferramentas de inteligência artificial.
Os dados do estudo indicam que a porcentagem de funcionários técnicos em níveis iniciantes caiu de 21% para 14% desde o início de 2025. A queda foi ainda mais acentuada nas novas contratações dentro da mesma categoria, com a participação de funcionários iniciantes no total de contratações técnicas caindo de 27% para 9% entre maio de 2025 e maio de 2026. Em contrapartida, algumas dessas mudanças são atribuídas parcialmente à expansão da empresa para os setores de vendas e outras unidades administrativas em paralelo ao seu crescimento geral.
Da execução de tarefas à gestão de agentes de inteligência artificial
O estudo apontou que o volume de trabalho realizado por sistemas de inteligência artificial e agentes autônomos aumentou de forma notável; em março de 2026, as horas de trabalho dos agentes superaram o total de horas de trabalho dos funcionários humanos. Atualmente, cada hora de trabalho humano corresponde a cerca de seis horas de execução por agentes de inteligência artificial.
Essa mudança refletiu-se diretamente na natureza das tarefas diárias, com 20% dos funcionários afirmando em uma pesquisa realizada em abril de 2026 que a natureza de seu trabalho mudou da execução direta de tarefas para a gestão e direcionamento dos sistemas Claude. A empresa observa que a revisão de múltiplos resultados de agentes de inteligência artificial simultaneamente impõe um novo ônus organizacional, aumentando a probabilidade de que a atenção humana e as capacidades de avaliação e julgamento se tornem um novo gargalo que obstrui a produtividade absoluta.
Por que esta notícia é importante?
Este relatório interno oferece uma visão prévia realista e sem precedentes de como a inteligência artificial está remodelando as estruturas organizacionais das principais empresas de tecnologia, indo além do simples aumento da produtividade individual para alterar a natureza dos cargos profissionais:
- Declínio do papel dos iniciantes: A redução nas contratações de níveis iniciais aponta para uma mudança potencial nas vias tradicionais de progressão e qualificação profissional no setor de software.
- Mudança nas habilidades exigidas: A transição do foco dos funcionários da programação direta para a orientação e revisão destaca a importância das habilidades de supervisão administrativa e técnica sobre sistemas automatizados.
- Persistência da necessidade de coordenação humana: Ao contrário das expectativas de redução da comunicação no escritório, o tempo médio gasto em reuniões aumentou 20% para o público em geral e 16% para os técnicos, confirmando que a colaboração humana e os processos de tomada de decisão coletiva continuam sendo um pilar essencial, apesar da automação de tarefas individuais.
Apesar dessas transformações, a Anthropic afirma não ter registrado nenhum indício de queda na qualidade do código produzido até o momento, apontando a implementação de um sistema de alerta precoce interno para redirecionar os funcionários afetados pela automação de tarefas para funções menos expostas a riscos organizacionais.