Energia e tecnologias verdes

Estudo internacional propõe transformar resíduos eletrônicos em materiais para dispositivos sensores

Um estudo internacional liderado pelo Dr. Tamer Shoaib, da Universidade Americana do Cairo, propõe transformar componentes de resíduos eletrônicos, industriais e plásticos em materiais utilizados na fabricação de dispositivos sensores para o meio ambiente, a saúde e a indústria. A proposta surge em um contexto no qual o mundo produz cerca de 62 milhões de toneladas desses resíduos por ano, a uma taxa de crescimento cinco vezes superior aos esforços de reciclagem.

2026-08-19
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certi.news
Estudo internacional propõe transformar resíduos eletrônicos em materiais para dispositivos sensores

Um estudo internacional liderado pelo Dr. Tamer Shoaib, professor de química da Universidade Americana do Cairo, propõe tratar os resíduos eletrônicos, industriais e plásticos como uma fonte de materiais que podem ser utilizados na fabricação da próxima geração de dispositivos sensores, em vez de considerá-los produtos que chegaram ao fim de sua vida útil. O estudo foi publicado na revista Nature Sensors, com a participação de pesquisadores de instituições científicas do Egito, da Austrália, da Espanha e dos Estados Unidos.

O estudo indica que o mundo produz cerca de 62 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos e industriais anualmente, enquanto o volume desses resíduos cresce a uma taxa aproximadamente cinco vezes superior aos esforços de reciclagem. Essa diferença exerce uma pressão crescente sobre o meio ambiente e a economia, mas também revela grandes quantidades de metais, elementos raros e estruturas de carbono que já passaram por processos de refino, tratamento e engenharia durante a fabricação.

Dos resíduos a materiais de alto valor

A equipe de pesquisa considera que a recuperação desses componentes não deve se limitar à reciclagem no sentido tradicional; eles podem ser transformados em materiais utilizados diretamente em aplicações tecnológicas avançadas. A proposta concentra-se em dois eixos complementares: desenvolver tecnologias para extrair materiais de valor dos resíduos e, em seguida, utilizar esses materiais na construção de dispositivos sensores de alta eficiência.

Esses dispositivos são importantes em áreas que incluem a assistência à saúde, o monitoramento ambiental, a segurança alimentar e a segurança industrial. Pesquisas relacionadas ao grupo de Shoaib também demonstraram a possibilidade de utilizar os materiais extraídos para detectar simultaneamente concentrações muito baixas de metais tóxicos, como chumbo, cádmio e mercúrio, em amostras de águas residuais. Um estudo relacionado a essa linha, publicado na revista npj Clean Water em março de 2026, abordou esse tipo de aplicação.

Possíveis aplicações na saúde e no meio ambiente

As pesquisas também se estendem a dispositivos sensores vestíveis para monitorar indicadores biométricos, como glicose e lactato. Essas aplicações mostram como materiais que se tornariam parte do problema dos resíduos podem ser incorporados a tecnologias que ajudam a medir a poluição ou acompanhar indicadores de saúde, de acordo com o estudo.

O que muda na prática?

O estudo não propõe apenas um modelo de reciclagem de resíduos, mas sugere um sistema econômico e tecnológico circular que começa com a criação de centros locais para coletar resíduos e transformá-los em materiais utilizados na fabricação de dispositivos voltados à saúde pública, à agricultura e à segurança industrial. Também defende o projeto de dispositivos sensores que, após o fim de sua vida útil, possam ser decompostos com segurança ou reciclados novamente, reduzindo os resíduos que a própria tecnologia pode gerar.

Shoaib afirma que a aplicação desse modelo exige a cooperação de formuladores de políticas, do setor industrial e da sociedade, além de políticas e normas que incentivem o uso de equipamentos eletrônicos e dispositivos sensores fabricados com materiais reaproveitados. Ele também defende o aumento dos investimentos em instalações locais para transformar resíduos em recursos de valor agregado, mudando o lugar dos resíduos na cadeia de fabricação: de um encargo a ser descartado para uma fonte de matérias-primas.

Participaram do estudo pesquisadores da Universidade Americana do Cairo, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, do Instituto Catalão de Nanociência e Nanotecnologia, da Instituição Catalã de Pesquisa e Estudos Avançados, na Espanha, e da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos. O material de origem foi publicado em 19 de agosto de 2026.

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ICT Business Egypt
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