Os resultados da JetBrains Developer Ecosystem Survey 2026 indicam que o uso de agentes de programação ultrapassou a fase de experimentação limitada, mas ainda não se transformou em um método de trabalho completo para a maioria dos desenvolvedores. Mais de 15 mil desenvolvedores profissionais participaram da pesquisa entre maio e julho de 2026, informando a proporção do código produzido para o trabalho durante o mês anterior que foi totalmente gerada por agentes de IA, escrita com auxílio da IA ou escrita manualmente sem qualquer ajuda.
De acordo com as médias dos participantes publicadas pela JetBrains, cerca de 47% do código foi totalmente gerado por agentes, aproximadamente 38% foi escrito com auxílio da IA e cerca de 27% foi escrito inteiramente à mão. O estudo apresenta essas proporções conforme aparecem em seus resultados, embora a soma ultrapasse 100%, um ponto que merece revisão metodológica antes que sejam tratadas como uma medida aritmética direta da distribuição de categorias mutuamente exclusivas.
A dependência total ainda é minoritária
Apesar da redução da programação manual, a maioria dos desenvolvedores não usa agentes para escrever todo o seu código. A JetBrains afirma que mais da metade dos desenvolvedores escreve manualmente menos de 20% do código e que um em cada cinco desenvolvedores não escreve nenhum código sem a ajuda da IA. Por outro lado, a proporção dos que geram mais de 80% do código por meio de agentes não passa de cerca de 22% dos participantes.
Esse resultado apresenta uma imagem diferente das afirmações comuns de que «100% do código» passou a ser gerado automaticamente. A tendência geral é clara, mas o uso efetivo se aproxima mais de uma combinação de geração completa, assistência parcial e trabalho manual do que de uma substituição total do desenvolvedor.
Desenvolvedores mais experientes avançam na adoção
O estudo mostra que desenvolvedores com ampla experiência estão entre os primeiros grupos a transferir uma parcela significativa da escrita de código para os agentes. Cerca de um quarto dos desenvolvedores seniores gera mais de 80% do código por meio de agentes, uma proporção superior à registrada entre desenvolvedores iniciantes, que tendem mais a um modelo de trabalho apoiado por IA do que à dependência total de agentes.
Isso não significa que todos os desenvolvedores experientes tenham adotado o modelo baseado em agentes; a JetBrains confirma a existência de uma grande variação dentro desse próprio grupo. Na prática, o resultado sugere que a experiência não leva necessariamente ao abandono da programação manual, mas pode tornar o desenvolvedor mais disposto a delegar uma parcela maior do processo de geração.
Diferenças entre ferramentas e linguagens de programação
Entre os usuários do Claude Code, cerca de 32% geram mais de 80% do código por meio de agentes. A proporção sobe para 42% entre os usuários do Codex, enquanto a proporção dos que não escrevem nenhum código sem a ajuda da IA chega a 37% no grupo de usuários do Codex. Já os usuários do Cursor são relativamente semelhantes aos usuários do Claude Code; a média de código gerado por agentes entre eles é de 58%, e 28% usam agentes para gerar mais de 80% do código.
A JetBrains relaciona essas diferenças à natureza das bases de usuários, e não à qualidade geral de uma ferramenta. Os usuários do Claude Code se tornaram um grupo amplo, enquanto a base de usuários do Codex pode incluir uma proporção maior de desenvolvedores avançados no uso de agentes, segundo a interpretação do estudo.
No nível das linguagens de programação, os desenvolvedores de Go, JavaScript e TypeScript registram as maiores médias de código gerado por agentes, entre 54% e 55%. Em contrapartida, os desenvolvedores de C e C++ mantêm a maior proporção de código escrito manualmente, com uma média de 38%. Os desenvolvedores de Java e Python ficam no meio, com médias entre 48% e 51%.
A geografia revela uma disparidade acentuada
As diferenças regionais estão entre os principais resultados da pesquisa. No Leste Asiático, especialmente na China, no Japão e na Coreia do Sul, a proporção de desenvolvedores que geram mais de 80% do código por meio de agentes fica em torno de 32% a 35%. Essa proporção se aproxima do dobro do nível registrado na Europa e no Reino Unido, onde é de aproximadamente 16%.
O que está mudando na prática?
A JetBrains dividiu os participantes em três padrões. Os «desenvolvedores agentes» representam cerca de 31% dos desenvolvedores e geram, em média, 84% do código totalmente por meio de agentes. Os «desenvolvedores apoiados por IA» representam cerca de 47%, com uma média de 40% de código totalmente gerado e 60% de código escrito com auxílio da IA. Já os «desenvolvedores manuais» representam cerca de 23% e escrevem, em média, 75% do código manualmente, com uso limitado da geração completa.
A principal leitura desses números é que a transformação não ocorre como uma transição binária entre programação manual e programação baseada em agentes, mas por meio de um espectro de modelos de trabalho. Esse espectro é influenciado pela experiência, pela ferramenta, pela linguagem de programação e pela região, o que significa que medir a adoção de agentes por uma única porcentagem de uso pode ocultar grandes diferenças na forma efetiva de trabalhar.
As limitações desses resultados continuam relacionadas ao fato de eles se basearem nas respostas dos desenvolvedores sobre suas próprias estimativas, enquanto o texto extraído não fornece detalhes suficientes sobre a metodologia de classificação dos padrões ou sobre como as médias foram calculadas. A JetBrains também anunciou que publicará materiais adicionais da própria pesquisa sobre o desenvolvimento baseado em agentes.