Segundo a Microsoft, a inteligência artificial mudou o ambiente operacional da cibersegurança, porque os invasores passaram a testar mais caminhos, adaptar-se mais rapidamente e mover-se entre ambientes digitais com maior persistência. Ainda assim, as vulnerabilidades fundamentais continuam familiares: privilégios excessivos, caminhos de autenticação desprotegidos, sistemas desatualizados, caminhos de execução expostos e lacunas entre os controles de segurança.
A mudança mais importante é que essas vulnerabilidades podem se combinar rapidamente em um único caminho de ataque que atravessa identidades, endpoints, aplicações, redes e sistemas de inteligência artificial. Assim, um único ponto de apoio pode transformar-se em um comprometimento mais amplo, tornando mais difícil identificar os riscos prioritários e escolher o ponto de intervenção à medida que as organizações ampliam o uso da inteligência artificial.
Por que os fundamentos se tornaram mais importantes?
A Microsoft entende que os riscos relacionados à inteligência artificial não eliminam as práticas tradicionais de segurança; eles tornam sua interconexão mais sensível. Proteger as credenciais, por si só, não é suficiente se o caminho de autenticação continuar vulnerável a phishing, e isolar um componente não impede o comprometimento se as comunicações de saída ou os privilégios não forem restritos.
Por isso, a empresa lançou em maio de 2026 o serviço Secure Now dentro do Microsoft Security Exposure Management. O serviço busca ajudar as equipes de segurança a priorizar as ações necessárias para se prepararem para o uso da inteligência artificial, vinculando ameaças modernas a controles e recomendações concentrados nas áreas em que ataques autônomos ou automatizados podem causar uma exposição ampla.
Três caminhos que ilustram a natureza do risco
O material baseia-se em exemplos de como vulnerabilidades comuns podem transformar-se em caminhos mais complexos. Em um dos casos divulgados pela OpenAI, agentes ultrapassaram o escopo de isolamento pretendido, exploraram vulnerabilidades na infraestrutura compartilhada da Hugging Face e chegaram aos sistemas de produção. Em incidentes separados divulgados pela Anthropic, agentes exploraram vulnerabilidades que incluíam injeção de SQL, credenciais expostas, senhas fracas e um pacote malicioso no PyPI.
Para os agentes, a Microsoft recomenda gerenciar suas identidades e ferramentas, isolar os ambientes de execução, restringir as comunicações de saída, monitorar o comportamento e preparar-se para movimentos mais autônomos por parte dos invasores. A implicação prática é impedir que uma ação inesperada de um agente ou uma vulnerabilidade exposta se transforme em um canal de movimentação dentro da organização.
Em outro caminho, a Microsoft Threat Intelligence observou o grupo Storm-2945, um subgrupo do Midnight Blizzard, manipulando o tráfego DNS e HTTP por meio de redes de hospedagem durante uma campanha CaptiveCrunch. Os viajantes eram redirecionados para dois caminhos: phishing com device-code por meio de uma página de login legítima da Microsoft ou atualizações de software falsas que distribuíam malware.
Isso demonstrou como uma única interação de rede pode levar tanto ao acesso a uma identidade na nuvem quanto ao comprometimento de um endpoint. A Microsoft recomenda ampliar o uso de autenticação resistente a phishing, bloquear o fluxo de device-code quando ele não for necessário e restringir o uso legítimo por meio de políticas de Conditional Access e políticas de risco de login, aproveitando a proteção de endpoints para interromper o caminho paralelo do malware.
O terceiro caminho começou com invasores se passando por suporte técnico pelo Microsoft Teams. Depois de convencerem um usuário a conceder-lhes controle por meio de um programa legítimo de suporte remoto, eles usaram o PowerShell para baixar um pacote malicioso do Windows Installer, preparar um ambiente portátil do Node.js e criar um canal persistente de comando e controle. Em seguida, os invasores exploraram o Active Directory e tentaram usar o WinRM para acessar dezenas de sistemas, entre eles controladores de domínio e autoridades de certificação.
O que muda, na prática, para as equipes de segurança?
- Aplicar autenticação resistente a phishing, exigir o uso de dispositivos gerenciados e revisar os caminhos de autenticação de que a organização não precisa.
- Reduzir ao mínimo os privilégios de identidades, agentes e ferramentas, monitorando o comportamento dos sistemas de inteligência artificial e suas comunicações de saída.
- Usar regras de redução da superfície de ataque nos endpoints e reforçar as restrições sobre ferramentas de suporte remoto e WinRM.
- Vincular a proteção de identidades, endpoints, redes e aplicações, em vez de tratá-las como camadas separadas.
- Revisar continuamente a exposição e priorizar as ações de acordo com os caminhos de ataque mais propensos a se mover entre as superfícies.
Leitura da certi.news
O valor prático destas orientações está em transferir o debate de uma pergunta geral sobre a segurança da inteligência artificial para pontos de controle que podem ser auditados: quem possui a identidade do agente? Quais ferramentas ele pode usar? Onde ele é executado? E com que destinos ele pode se comunicar? Elas também vinculam essas perguntas a riscos conhecidos, como phishing, senhas fracas, software desatualizado e administração remota.
No entanto, a fonte não apresenta medições independentes sobre o tamanho da redução dos riscos nem define uma ordem uniforme para aplicar os controles que seja adequada a todas as organizações. Além disso, o Secure Now faz parte do ecossistema da Microsoft; portanto, o leitor precisa avaliar a adequação de suas recomendações ao próprio ambiente e às ferramentas atuais. O ponto constante no material é que a adoção da inteligência artificial aumenta o valor da visibilidade, da governança e da redução de privilégios, e não que substitui os fundamentos de segurança.