Inteligência artificial

Anthropic anuncia a descoberta de um sistema enzimático semelhante aos mecanismos CRISPR com a ajuda de Claude

A Anthropic afirma que seu laboratório de biologia molecular descobriu um novo sistema enzimático no DNA de fagos, com características semelhantes às do CRISPR, após 21 horas de trabalho analítico intensivo do modelo Claude. No entanto, os próprios experimentos laboratoriais foram realizados integralmente por cientistas humanos, enquanto a dimensão e a originalidade da descoberta ainda precisam de verificação independente.

2026-09-23
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certi.news Editorial Team
Anthropic anuncia a descoberta de um sistema enzimático semelhante aos mecanismos CRISPR com a ajuda de Claude

A Anthropic anunciou que seu laboratório de biologia molecular na região da Baía de São Francisco identificou um sistema enzimático até então desconhecido dentro do DNA de fagos, vírus que infectam bactérias e se multiplicam dentro delas. A empresa afirma que o sistema possui características que lembram os mecanismos CRISPR, podendo realizar operações como cortar, copiar e colar DNA.

O CRISPR é usado naturalmente como parte do sistema imunológico das bactérias contra vírus e posteriormente se tornou uma tecnologia amplamente utilizada na edição genética. Por isso, encontrar um mecanismo biológico que desempenhe funções semelhantes pode ser importante, mas o grau de novidade e o valor científico da descoberta ainda não foram determinados.

O papel de Claude na descoberta

Segundo Dario Amodei, CEO da Anthropic, a descoberta foi feita «em sua maior parte, embora não completamente» por Claude. O modelo utilizou cerca de 950 agentes para processar os dados e consumiu 210 milhões de tokens, enquanto o trabalho analítico intensivo levou apenas 21 horas. A Anthropic não informou quantos meses haviam se passado desde a abertura do laboratório, mas afirmou que ele foi criado na primavera do ano atual.

Em contrapartida, Amodei reconheceu que o resultado se baseou no trabalho de outros pesquisadores, observando que uma equipe de Stanford já havia descoberto anteriormente um sistema semelhante em alguns aspectos. A comunidade científica mais ampla terá de verificar a dimensão e a novidade da descoberta, em vez de considerar sua descrição pela empresa como um resultado definitivo.

O que o modelo não fez?

O principal revelado pelo material não é apenas a descoberta, mas também os limites da autonomia de Claude dentro do laboratório. A Anthropic confirmou que todo o trabalho laboratorial foi realizado por cientistas humanos e que o laboratório opera nos níveis de biossegurança BSL-1 e BSL-2, sem lidar com patógenos capazes de infectar seres humanos. De acordo com os dados disponíveis, o papel de Claude limitou-se à pesquisa nos dados e à ajuda para chegar ao sistema enzimático, não ao controle autônomo dos equipamentos nem à execução dos experimentos físicos.

Por que esta notícia é importante?

A iniciativa ocorre enquanto líderes do setor de inteligência artificial alertam para os riscos do uso de modelos em áreas biológicas sensíveis, incluindo a possibilidade de uso indevido em terrorismo biológico. Ao mesmo tempo, Amodei acredita que a inteligência artificial poderá ajudar a tratar a maioria das doenças nos próximos 5 a 10 anos. Isso revela um dilema claro entre acelerar a pesquisa científica e a necessidade de controles rigorosos de segurança.

A Anthropic não é a única entidade que utiliza inteligência artificial em pesquisas biológicas; pesquisadores de Stanford publicaram trabalhos sobre modelos de linguagem e CRISPR, pesquisadores da University of California, San Francisco utilizaram inteligência artificial para projetar enzimas do zero, e o Google lançou a ferramenta AlphaFold para pesquisas em biologia em 2020.

A Anthropic também não descarta a criação futura de um laboratório no qual Claude possa controlar autonomamente os equipamentos laboratoriais, mas afirma que isso não ocorre hoje e que qualquer transição da assistência analítica para experimentos autônomos exigirá garantias adequadas.

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TechCrunch AI
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