A NASA pretende realizar um conjunto de estudos sobre saúde e desempenho humano durante a missão SpaceX Crew-13 à Estação Espacial Internacional, com novo foco na relação entre a ausência de peso, o fluxo sanguíneo e a formação de coágulos, além de testar habilidades de pilotagem manual, visão, condicionamento físico e forças durante o retorno à Terra.
A missão inclui uma colaboração com a Agência Espacial Europeia ESA por meio do estudo Venous Haemostasis, que reúne medições de pesquisas anteriores sobre a circulação sanguínea no espaço em um protocolo conjunto. A coordenação das operações de coleta de sangue e dos dados fisiológicos permitirá reduzir o número de coletas de amostras dos astronautas, ao mesmo tempo que fornecerá medições mais integradas para compreender o efeito da microgravidade sobre a coagulação e a circulação sanguínea.
Coágulos e alterações na circulação sanguínea
Os participantes serão submetidos, antes, durante e depois do voo, a exames de ressonância magnética, ultrassonografia da veia jugular, medições da pressão arterial e análises de sangue. Os resultados têm como objetivo identificar as causas das diferenças de resposta entre os astronautas e desenvolver medidas preventivas para os integrantes das tripulações mais vulneráveis. Os pesquisadores também esperam que os conhecimentos obtidos ajudem a melhorar a prevenção e o tratamento de coágulos no espaço e na Terra.
Teste de pilotagem e visão
O estudo Manual Piloting utiliza uma simulação de pouso na Lua para testar a capacidade dos astronautas de lidar com pousos difíceis após longos períodos em microgravidade. O estudo examina o efeito das alterações nos sistemas sensoriais, no equilíbrio e no controle dos movimentos durante a transição entre ambientes com diferentes níveis de gravidade, além de testar se o treinamento de ativação antes do pouso melhora a tomada de decisões e o desempenho.
A NASA também dá continuidade ao estudo B-Complex, que investiga a capacidade de suplementos diários de vitaminas do complexo B de reduzir ou prevenir a síndrome neuro-ocular associada aos voos espaciais, conhecida como SANS, uma condição que pode alterar a estrutura do olho de um astronauta durante missões longas. Os participantes serão submetidos a exames oftalmológicos e tomarão os suplementos antes, durante e depois do voo, com avaliação de seu possível efeito sobre as funções dos vasos sanguíneos.
Dados para o planejamento das próximas missões
Os estudos adicionais incluem o Standard Measures, para coletar dados fisiológicos e comportamentais padronizados; o Spacecraft Occupant Risk, para medir as forças às quais os astronautas são submetidos durante o pouso e melhorar os equipamentos e procedimentos que limitam lesões; e o Zero T2, para comparar dados de astronautas que utilizam uma esteira para exercícios aeróbicos a bordo da estação com dados daqueles que não a utilizam.
Essa comparação dos exercícios pode ajudar a elaborar planos de condicionamento físico para as missões Artemis e para a exploração do espaço profundo, especialmente nos casos em que o espaço da nave possa limitar ou impedir completamente o uso de uma esteira.
Por que esta notícia é importante?
O valor do programa Crew-13 não se limita à coleta de dados médicos adicionais; os estudos relacionam diretamente problemas específicos de saúde e desempenho às exigências de pousos e missões longas. A NASA afirma que os resultados apoiarão os esforços para enviar seres humanos à Lua, trabalhar em uma base lunar e, posteriormente, realizar futuras viagens a Marte. No entanto, a fonte ainda não apresenta resultados finais dos estudos, e a eficácia das vitaminas do complexo B ou das medidas de prevenção de coágulos continuará a depender da avaliação do que as medições produzirem durante e depois do voo.