A inteligência artificial tornou-se um componente quase constante nos novos projetos dentro do Boğaziçi Üniversitesi Teknopark, segundo Cem Duran, diretor-geral do complexo. Duran disse à Agência Anadolu que praticamente todos os projetos que chegam ao Teknopark incluem algum elemento de inteligência artificial, após três anos de trabalho na instituição.
Essa tendência ocorre no contexto do Programa de Médio Prazo da Turquia para o período de 2027-2029, publicado pela Presidência de Estratégia e Orçamento no início de setembro, que inclui entre seus objetivos o aumento das capacidades nacionais de pesquisa e desenvolvimento, produção e inovação em setores estratégicos. Esses setores incluem defesa, saúde, semicondutores e inteligência artificial, com foco na transferência das tecnologias desenvolvidas para usos civis.
Da defesa às aplicações civis
Duran considera que a transferência de tecnologias das indústrias de defesa para os setores civis é um processo habitual, porque os projetos de defesa permitem ao Estado financiar necessidades estratégicas que o setor civil não consegue suportar sozinho. Segundo sua apresentação, o acúmulo de experiência, infraestrutura, patentes e licenças na defesa pode apoiar a produção de valor agregado, reduzir as importações, aumentar o emprego altamente qualificado e ampliar a competitividade internacional.
Ele também afirmou que o crescimento da indústria de defesa ajudou a Turquia a construir uma infraestrutura de testes e um estoque de conhecimentos dentro de universidades, parques tecnológicos e empresas, descrevendo isso como algo que criou um «forte exército de engenheiros de pesquisa e desenvolvimento». No entanto, a fonte não apresenta exemplos específicos de produtos civis de inteligência artificial efetivamente transferidos de projetos de defesa. Portanto, nesta matéria, a discussão sobre transferência tecnológica permanece como um enquadramento político e uma interpretação de um responsável pelo complexo, e não como um anúncio de operações de transferência concluídas.
Expansão das empresas e dos quadros
O número de empresas de pesquisa e desenvolvimento no Boğaziçi Üniversitesi Teknopark aumentou de cerca de 30 empresas há três anos para 150 empresas, enquanto o número de engenheiros cresceu de aproximadamente 200 para cerca de mil engenheiros. O complexo pretende elevar o número de engenheiros de pesquisa e desenvolvimento para aproximadamente 3 mil no próximo ano, com a expectativa de que estudantes e acadêmicos da universidade trabalhem nas empresas do complexo.
O foco dos locais pertencentes ao complexo varia de acordo com sua estrutura. O local de Etiler concentra-se mais em inteligência artificial e tecnologias financeiras, enquanto o local de Kandilli abriga projetos de saúde, biotecnologia e biomedicina, aproveitando sua infraestrutura tecnológica, sua ligação com a engenharia sísmica e a presença de um centro de tecnologias profundas.
O que muda na prática?
Os números refletem uma expansão clara da base de empresas e engenheiros dentro de um complexo universitário turco, enquanto as declarações de Duran indicam que a inteligência artificial já não está limitada a empresas especializadas, mas se tornou uma camada tecnológica presente em projetos de vários setores. No entanto, a matéria não especifica os modelos de inteligência artificial utilizados, o volume dos investimentos, os resultados dos projetos ou o número de empresas que chegaram a produtos comerciais; portanto, não é possível considerá-la uma prova de impacto econômico já concretizado.
Como parte da intenção de ampliar esse modelo para fora de Istambul, o Teknopark anunciou a abertura de um centro de incubação com mil metros quadrados em Batman. O centro abriga 15 startups, três ou quatro das quais trabalham com tecnologias agrícolas, além de iniciativas em inteligência artificial e outros setores. Duran afirma que o objetivo é transferir a experiência da Boğaziçi para as regiões da Anatólia, mas a fonte não fornece indicadores de desempenho nem um cronograma para avaliar os resultados do centro.