Pesquisadores do Google estão testando uma forma de usar a inteligência artificial para ampliar a disponibilidade de exames de ultrassom pré-natais, especialmente em regiões que carecem de equipamentos especializados ou de técnicos de diagnóstico por imagem. O método consiste em treinar profissionais de saúde não especializados para realizar uma varredura abdominal simplificada e, em seguida, analisar as gravações com um modelo de aprendizado de máquina que funciona no próprio dispositivo.
O estudo foi realizado em colaboração com a Jacaranda Health e a Northwestern Medicine e envolveu 1.000 mães em Nairóbi, no Quênia, e outras 1.000 mães em Chicago. Segundo os pesquisadores, o modelo conseguiu determinar a idade gestacional e a posição do feto com precisão semelhante à de um técnico de ultrassom treinado.
Como a ideia funciona?
No exame tradicional, o técnico precisa movimentar o transdutor com precisão para obter medidas específicas, uma habilidade que exige treinamento prático intensivo. Já o que o estudo chama de “blind sweep” consiste em passar o transdutor sobre o abdômen seguindo um padrão previamente definido. Os pesquisadores afirmam que um profissional de saúde que nunca tenha realizado um exame de ultrassom pode aprender esse procedimento em oito horas.
O profissional de saúde grava um vídeo durante o processo de varredura, que depois é analisado pelo modelo de inteligência artificial. O modelo pode alertar o operador sobre a necessidade de repetir a varredura, além de estimar a idade gestacional e determinar a posição do feto, ou seja, sua orientação dentro do útero.
O que muda na prática?
A importância da abordagem está no fato de que ela não tenta substituir todas as funções do técnico de diagnóstico por imagem, mas se concentra em informações básicas que podem influenciar a preparação para o parto. Determinar com precisão a idade gestacional ajuda os médicos a interpretar o crescimento fetal, estimar a data do parto e se preparar para lidar com situações que exigem um parto prematuro. A fonte explicou que um erro na estimativa da idade gestacional pode levar a uma diferença significativa no nível de cuidados necessários para recém-nascidos, especialmente quando se confunde um feto de 37 semanas com outro de 34 semanas.
Além disso, o processamento é realizado no dispositivo, sem necessidade de conexão Wi-Fi ou fornecimento contínuo de energia elétrica. Essa característica enfrenta algumas das limitações das clínicas remotas, onde os equipamentos tradicionais são grandes e caros e podem ser difíceis de reparar quando apresentam falhas, enquanto os dispositivos portáteis oferecem uma opção menor, de menor custo e operada por bateria.
Limitações do resultado e o que o estudo não comprovou
Os resultados mostram a possibilidade de ampliar o acesso a dois indicadores específicos: a idade gestacional e a posição do feto. Eles não comprovam que o sistema substitui a avaliação médica abrangente ou os técnicos especializados em todos os tipos de exames de gravidez. A fonte também não informa detalhes sobre a aprovação regulatória, as taxas detalhadas de erro ou o plano de disponibilização comercial. Portanto, o resultado permanece no âmbito da pesquisa, demonstrando a viabilidade da ideia.
Para a certi.news, a mudança efetiva aqui não é o lançamento de um novo dispositivo, mas a transferência de parte da habilidade de realizar exames de ultrassom para um fluxo de trabalho que pode ser aprendido em horas, seguida do uso de um modelo de processamento local para extrair informações clínicas específicas. O impacto disso continua condicionado à qualidade dos dispositivos, ao treinamento e à supervisão médica e à capacidade dos sistemas de saúde de agir com base nos resultados.