A Cloudflare considera que os agentes de inteligência artificial estão mudando a natureza da web, não apenas por serem um novo tipo de software, mas por serem um novo tipo de visitante que navega em nome de pessoas ou empresas. A empresa afirma que grande parte do tráfego gerado por robôs disciplinados recarrega páginas que não mudaram, em bilhões de solicitações que consomem esforço computacional sem um resultado claro.
A Cloudflare chama de «Internet Agentic» o ambiente web que se forma em torno desse tipo de visitante. Em sua visão, essa Internet deve ser legível, descobrível, executável e pagável, com base em ferramentas e protocolos abertos que permitam aos proprietários de domínios e aos agentes cooperar em vez de entrar em conflito.
Bloquear agentes pode significar bloquear clientes
Um agente difere de um navegador tradicional: ele não renderiza CSS, não vê as imagens principais nem clica em anúncios. Porém, atua em nome de um ser humano que paga por seu serviço, o que faz com que cada solicitação esteja associada a um objetivo e a um custo financeiro. Segundo a proposta da Cloudflare, tratar essas solicitações como operações tradicionais de raspagem pode levar à perda do cliente, e não apenas à interrupção de uma fonte maliciosa.
A empresa alerta que a web atual, as ferramentas de análise e os modelos de negócios associados a ela não foram projetados para essa realidade. Ela considera que a forma como os agentes leem, descobrem, acessam e pagam pelo conteúdo influenciará se a Internet continuará aberta ou se será controlada por um grupo limitado de plataformas que detêm a descoberta, a identidade e os pagamentos.
Quatro pilares da Internet Agentic
A Cloudflare afirma que sua visão se baseia em padrões abertos que qualquer entidade pode implementar, entre eles x402, MCP, Web Bot Auth e PACT. A empresa destaca que os proprietários de domínios escolhem os provedores de identidade, processadores de pagamentos e parceiros de agentes que melhor atendem às suas necessidades, e que a Cloudflare é uma opção dentro do ecossistema, não o ecossistema inteiro.
Leitura: o Web Bot Auth permite que o robô se identifique criptograficamente perante os sites, ajudando seus proprietários a determinar quais agentes desejam receber, em vez de depender do User-Agent, que pode ser falsificado. A empresa também menciona os «Tokens de Controle de Acesso Privado» PACT, anunciados em colaboração com Mozilla, Google, Microsoft e Shopify, que permitem aos sites atestar agentes de forma anônima.
A Cloudflare também propõe o Markdown for Agents para exibir o conteúdo dos sites de uma forma que reduza o consumo de tokens e a largura de banda. Já o Kitesurf é um novo navegador que a empresa descreve como leve o suficiente para funcionar no Workers, sendo executado para cada solicitação e depois descartado, e fornecendo o conteúdo e os recursos de que os agentes precisam, sem as características dos navegadores voltados para humanos.
Descoberta: a empresa considera que o acesso aos recursos começa pelo conhecimento de sua existência. Ela afirma que o AI Search está disponível atualmente, permitindo tornar qualquer site público pesquisável por agentes. Também menciona o Agent Engine Optimization, ou AEO, para medir a visibilidade das marcas nos modelos e agentes importantes; se o site não for visível para os agentes usados pelos clientes, poderá, na prática, tornar-se invisível para eles.
Execução: o WebMCP permite que o site apresente suas ações diretamente aos agentes dentro do navegador. Em vez de analisar HTML e adivinhar campos e botões, o agente pode usar um «contrato» claro da ferramenta, aproveitando a sessão e o estado atual do usuário. A Cloudflare afirma que o Code Mode vai um passo além ao permitir que os agentes invoquem ferramentas escrevendo código, com uma indicação mais clara do conteúdo que foi efetivamente utilizado.
Pagamento: a Cloudflare considera que os modelos de publicidade e assinaturas baseados em licenças por assento nem sempre são adequados quando o usuário é um software. Ela propõe que o agente pague por cada interação, como buscar uma receita, licenciar um artigo ou usar uma API. A empresa afirma que cada operação paga deixa um recibo que comprova qual agente buscou a página e pelo que foi pago, enquanto o Monetization Gateway permite que os proprietários de domínios configurem pagamentos de agentes em poucas etapas.
Distinguir agentes desejados dos maliciosos
A Cloudflare não considera mais suficiente a dicotomia tradicional segundo a qual os robôs são ruins e os humanos são bons. Um agente pode ser desejável quando lê o conteúdo de forma a preservar os recursos, interage com o site de acordo com as regras definidas e paga pelo que usa. Também pode ser prejudicial quando coleta milhões de páginas sem compensação, tenta contornar bloqueios ou ignora o robots.txt.
A empresa propõe dar aos proprietários de domínios ferramentas para escolher os agentes que desejam apoiar. Um desenvolvedor pode querer facilitar a descoberta e o pagamento por seu serviço, enquanto um editor pode bloquear agentes que consomem conteúdo sem pagar e permitir aqueles que o licenciam ou o compensam. Um provedor de dados sem fins lucrativos também pode permitir o uso de seus serviços após o pagamento de uma taxa que cubra o consumo adicional de recursos.
Por fim, a Cloudflare apresenta essa visão como uma alternativa aberta cuja infraestrutura não é propriedade de uma única empresa. A empresa convida proprietários de sites e agentes a experimentar as novas tecnologias da Internet por meio do painel de configuração de sites prontos para agentes e do AI Playground, além de se cadastrarem para receber notícias sobre o produto Answer Engine Optimization.