Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que a visão negativa sobre a inteligência artificial reflete, em sua essência, uma crise de confiança entre o público, as empresas, os governos e o setor de tecnologia, e não é resultado direto das mensagens de alerta transmitidas pelos líderes da indústria. Suas declarações foram uma resposta ao investidor Gavin Baker, que considerou que os alertas de Amodei sobre os riscos da inteligência artificial ajudaram a alimentar uma reação negativa nos Estados Unidos, especialmente em relação aos centros de dados.
Baker havia criticado, no programa All-In e na plataforma X, a posição da Anthropic favorável a algumas formas de regulamentação, incluindo um projeto de lei na Califórnia que impõe requisitos de transparência às grandes empresas de inteligência artificial. Ele afirmou que Amodei, por liderar uma empresa candidata a estar entre as mais importantes do mundo, deveria apresentar uma imagem mais positiva de seu setor, considerando que perdeu o debate sobre a regulamentação da inteligência artificial.
Amodei rejeita atribuir o ceticismo aos alertas
Amodei respondeu que suas mensagens não foram desequilibradamente negativas, observando que estavam distribuídas aproximadamente de forma igual entre os riscos e os benefícios da inteligência artificial. Acrescentou que escreveu seu artigo «Machines of Loving Grace» porque não considerava que a indústria estivesse apresentando uma imagem suficientemente inspiradora da capacidade da tecnologia de transformar o mundo para melhor.
Embora reconheça que a visão geral sobre a inteligência artificial é negativa e que isso representa um grande problema, Amodei rejeitou a afirmação de que essa negatividade seja causada principalmente pelos alertas dos líderes da indústria. Segundo sua interpretação, o público comum não confia nas empresas, nos governos ou no setor de tecnologia e tende a acreditar que essas entidades podem desenvolver uma nova maneira de prejudicá-lo. Amodei considera que a reação contra a inteligência artificial é a manifestação mais recente de uma crise de confiança formada ao longo de décadas.
O que Amodei considera uma crítica mais precisa?
Amodei afirmou que a crítica mais precisa às empresas de inteligência artificial, incluindo a Anthropic, é que elas ainda não cumpriram suas grandes promessas de beneficiar o mundo. Acrescentou que a responsabilidade cabe às próprias empresas e que promessas públicas, como dizer que a inteligência artificial curará o câncer, tornaram-se mais próximas de clichês do que de uma fonte de inspiração. Em sua opinião, o que pode mudar a posição das pessoas é alcançar resultados concretos, não melhorar o marketing ou as mensagens para a imprensa.
A regulamentação entre a redução de riscos e a concentração de poder
Amodei também rejeitou retratar o debate regulatório como uma escolha binária entre implantar a inteligência artificial sem restrições ou limitar a tecnologia a um pequeno número de empresas por causa das regras governamentais. Ele afirmou que a ideia comum no Vale do Silício, que iguala regulamentação a captura regulatória e concentração de poder, simplifica excessivamente a realidade, pois muitas pessoas fora desse círculo consideram que a regulamentação limita a influência das empresas e protege os indivíduos.
Ele explicou que a Anthropic formula cuidadosamente suas propostas políticas com o objetivo de desacelerar as principais empresas de inteligência artificial, ao mesmo tempo que concede às empresas menores uma vantagem relativa. Amodei considera que a inteligência artificial é uma tecnologia que, por sua estrutura, tende a concentrar o poder, enquanto os modelos de pesos abertos ajudam apenas parcialmente a lidar com isso, pois transferem parte da concentração para as entidades que possuem a maior capacidade computacional e o maior número de chips.
Segundo Amodei, as «regras da estrada» adequadas podem lidar com os riscos de cibersegurança, biológicos e de alinhamento, e limitar institucionalmente o poder das principais empresas de inteligência artificial, mantendo aberto o espaço para modelos de pesos abertos e para lidar com seus riscos específicos. Essa proposta coloca o cerne da divergência na forma de construir confiança e alcançar benefícios práticos, e não apenas na escolha de um discurso mais otimista ou pessimista.