A Lynk Global concluiu sua fusão com a Omnispace e relançou suas operações sob o nome Elveo Mobile, em uma medida que fornece à empresa uma plataforma de conexão direta a dispositivos via satélite, além de 60 megahertz de espectro da banda S coordenado globalmente. As duas empresas disseram em 17 de agosto que a transação havia obtido todas as aprovações regulatórias exigidas nos Estados Unidos e no exterior, depois que o anúncio havia sido feito em outubro sem a divulgação de seus termos financeiros.
A Elveo combina a atual plataforma da Lynk para serviços de conexão direta a dispositivos com o espectro da Omnispace destinado a comunicações via satélite. A Lynk havia começado a oferecer serviços intermitentes de mensagens e alertas em um pequeno grupo de países insulares, utilizando uma rede de sete pequenos satélites. O objetivo declarado da nova empresa é ampliar o alcance desses serviços para aplicações que vão além das mensagens básicas.
O que a fusão acrescenta?
Até agora, a Lynk dependia de frequências celulares fornecidas por empresas de telecomunicações parceiras, um modelo que permite conectar satélites a telefones utilizando bandas conhecidas das redes móveis. No entanto, a adição de espectro da banda S dedicado a satélites pode dar à Elveo margem para oferecer suporte a aplicações que necessitam de maior capacidade de dados, em vez de se limitar a serviços de mensagens e alertas.
Essa estratégia surge em um momento em que outras empresas do setor de conexão direta a dispositivos avançam rumo a serviços mais amplos de voz, vídeo e dados. A Starlink Mobile ampliou seus serviços, apesar de atualmente depender de frequências celulares, para incluir voz, vídeo e alguns serviços de dados, com mais de 650 satélites dedicados à conexão direta a dispositivos em órbita. A empresa também planeja lançar satélites de próxima geração no próximo ano, utilizando espectro obtido da EchoStar com o objetivo de oferecer velocidades semelhantes às das redes 5G a partir do espaço. A AST SpaceMobile também trabalha em uma trajetória semelhante no uso de espectro dedicado a satélites.
O que isso significa, na prática, para as operadoras?
A Elveo afirma ter acordos contratuais com mais de 50 operadoras de redes móveis que atuam em mais de 60 países. O CEO da empresa, Ramu Potarazu, afirmou que a Elveo anunciará mais tarde neste ano parcerias e investimentos estratégicos, além de parcerias adicionais com operadoras de redes móveis e novidades relacionadas à fabricação e ao lançamento, como preparação para seu serviço de próxima geração.
Essa medida indica que o sucesso da Elveo não dependerá apenas dos satélites e do espectro, mas também de sua capacidade de transformar os acordos com as operadoras em cobertura e serviços utilizáveis em uma escala mais ampla. No entanto, a empresa não anunciou, no material disponível, uma data para o lançamento do novo serviço nem detalhes sobre suas velocidades ou sobre os dispositivos compatíveis com ele.
O papel da SES e os planos para uma rede multi-órbita
A SES, operadora multi-órbita sediada em Luxemburgo, continua sendo uma das maiores acionistas do novo empreendimento, depois de ter investido anteriormente tanto na Lynk quanto na Omnispace. Antes da fusão, a Lynk havia apresentado um plano para utilizar satélites da SES em órbita geoestacionária e em órbita terrestre média a fim de apoiar serviços globais e contínuos de conexão direta a dispositivos até 2027.
A SES lançou no início deste ano dois satélites experimentais para validar tecnologias de próxima geração em órbita média, incluindo uma capacidade de retransmissão em órbita compatível com a rede da Elveo. Potarazu explicou que os dois satélites ainda estão em fase de testes, o que significa que seu papel operacional na rede ainda não se transformou em um serviço completo.