As empresas de operação de satélites procuram tranquilizar investidores e clientes de que garantiram capacidade de lançamento futura, mesmo quando as datas efetivas de disponibilidade de alguns foguetes não estão confirmadas. Isso ocorre em um mercado de lançamentos que enfrenta restrições crescentes, com vários operadores dependendo de serviços de lançamentos compartilhados, especialmente voos da SpaceX, em meio a preocupações de que esses programas possam ser reduzidos ou interrompidos nos próximos anos.
Durante as teleconferências de divulgação dos resultados do segundo trimestre, várias empresas confirmaram que reservaram voos para seus satélites para daqui a dois anos ou mais. Esse comportamento reflete uma mudança prática na prioridade dos operadores: garantir o acesso à órbita tornou-se uma etapa inicial tão importante quanto concluir os próprios satélites.
A AST SpaceMobile reorganiza o plano de construção da constelação
A AST SpaceMobile trabalha para implantar uma constelação de serviços de banda larga direta para dispositivos, mas a explosão de um foguete New Glenn, da Blue Origin, em 28 de maio desacelerou o plano de implantação. A empresa havia informado que o incidente atrasaria o início do serviço comercial em um período entre três e seis meses, para o primeiro semestre de 2027.
Na teleconferência de resultados de 10 de agosto, a empresa afirmou ter reservado voos suficientes para concluir sua constelação inicial, que tem como meta cerca de 45 satélites. Contando cinco satélites da primeira geração BlueBird, ela passou a ter 12 satélites em órbita, seis dos quais foram lançados em duas missões do Falcon 9, em 17 de junho e 5 de agosto.
O plano da empresa prevê nove voos adicionais para concluir a constelação inicial, mas especifica o momento de conclusão dos satélites, e não as datas de lançamento. A conclusão dos satélites destinados ao último voo está prevista para fevereiro de 2027. Scott Wisniewski, presidente da AST SpaceMobile, afirmou que a empresa reservou 10 voos com dois provedores e pretende realizar um lançamento a cada um ou dois meses, em média.
No curto prazo, é provável que a empresa dependa do Falcon 9 enquanto o New Glenn permanecer fora de operação. Embora a Blue Origin esteja trabalhando na reconstrução da plataforma de lançamento em Cape Canaveral e no retorno aos voos antes do fim do ano, Wisniewski explicou que a AST não baseia seus cálculos para este ano no retorno do foguete. Como o Falcon 9 pode transportar apenas três satélites BlueBird, contra até oito no New Glenn, o plano precisará de alguns voos do New Glenn para chegar a 45 satélites no início de 2027.
As reservas antecipadas se estendem para além de 2028
Outras empresas enfrentam um desafio diferente: garantir voos compartilhados futuros. John Serafini, diretor executivo da HawkEye 360, afirmou que a empresa reservou voos para seus satélites até 2028. No entanto, vê questões em aberto sobre a disponibilidade em 2029 e 2030 e depois disso, especialmente diante da possibilidade de a SpaceX reduzir ou cancelar alguns voos Falcon 9 Transporter e Bandwagon.
A HawkEye 360 está analisando opções junto à Firefly Aerospace, à Stoke Space e à Rocket Lab, além de intermediários que organizam voos compartilhados. Já a Spire Global, que utiliza esses voos para implantar satélites Lemur destinados a rastreamento, dados meteorológicos e outros serviços, afirmou que a capacidade de lançamento reservada até 2028 lhe permite continuar adicionando capacidades de coleta de dados de acordo com seu próprio cronograma.
Por que essa evolução é importante?
Essas declarações revelam que ter satélites prontos, por si só, não garante a continuidade dos planos de implantação; o cronograma também depende da disponibilidade dos foguetes, da segurança dos veículos e da capacidade dos provedores de lançamento de manter os programas de lançamentos compartilhados. Por isso, as empresas trabalham para distribuir os riscos entre mais de um provedor, embora as alternativas de curto prazo nem sempre estejam disponíveis.
A AST SpaceMobile também analisa parcerias ou aquisições para aumentar a integração vertical e reduzir os riscos de depender de provedores de lançamento externos. No entanto, o material aponta para a limitação das opções disponíveis para adquirir um provedor de lançamento capaz de oferecer capacidade no curto prazo. Além disso, o foguete Vulcan, da United Launch Alliance, não é lançado desde fevereiro, depois que um de seus quatro propulsores sólidos apresentou uma falha, sem que tenha sido anunciada uma data para a retomada dos voos.