A startup americana Chariot Defense recebeu um contrato de 7,6 milhões de dólares da Unidade de Inovação em Defesa do Departamento de Defesa dos EUA para implementar o sistema de microrrede móvel Amphora junto ao Exército dos EUA neste outono, no âmbito do programa PRISM, destinado a soluções integradas de armazenamento e energia distribuída.
O anúncio não apresenta um novo gerador no sentido tradicional, mas um sistema para gerenciar, armazenar e distribuir fontes de energia por meio de uma plataforma transportável e de conexão direta. A Chariot Defense afirma que o Amphora pode aproveitar a energia disponível no campo, incluindo geradores táticos, veículos estacionados e tomadas elétricas, além do que a empresa descreve como “o ambiente”. A fonte indica a possibilidade de inclusão de energia solar nesse conceito, mas não comprova que a versão a ser implementada com o Exército incluirá um sistema solar específico.
Por que esse desenvolvimento é importante?
As necessidades energéticas das unidades militares estão aumentando com a disseminação de drones, sensores, sistemas de guerra eletrônica e computação de inteligência artificial na borda. De acordo com uma apresentação da Chariot Defense, esses sistemas atualmente dependem em grande medida de geradores a diesel tradicionais, que enfrentam problemas operacionais e logísticos, incluindo ruído, calor e emissões, além da necessidade de transportar combustível por comboios que podem ser caros e perigosos.
A ideia prática consiste em separar a produção de energia de seu consumo imediato. Em vez de operar continuamente um gerador grande para atender a cargas variáveis, o Amphora armazena energia e gerencia programaticamente seu fluxo entre as fontes e os equipamentos consumidores. Essa abordagem, se demonstrar eficácia no campo, poderá ajudar as unidades a operar vários equipamentos a partir de um único sistema, reduzindo a dependência de geradores maiores do que a necessidade real.
O problema que o programa PRISM tenta resolver
A fonte citou uma avaliação publicada pela revista Military Review, do Exército dos EUA, em 2022, que indicou que a maioria dos geradores do Exército opera a cerca de 30% de sua capacidade nominal. A operação com cargas baixas pode levar ao fenômeno conhecido como wet stacking, no qual combustível não queimado passa para o sistema de exaustão, aumentando o consumo de combustível e as necessidades de manutenção.
A descrição do programa PRISM também apontou uma lacuna entre os sistemas de armazenamento governamentais disponíveis, que variam de soluções leves com capacidade de 1 quilowatt-hora a unidades mais pesadas com capacidade de 90 quilowatts-hora, e a necessidade de um sistema flexível situado entre essas categorias. O programa busca uma solução escalável, transportável, conversível e distribuível, com redução das assinaturas eletromagnética, térmica, acústica e visual.
O que muda na prática?
- O sistema visa a uma entrada e saída de energia entre 1 e 15 quilowatts, com tensões de corrente contínua de até 48 volts, além de tensões e frequências globais de corrente alternada.
- Baseia-se em módulos de armazenamento escaláveis, com capacidade total entre 1 e 30 quilowatts-hora.
- Oferece suporte a conectores militares e comerciais padronizados, com um projeto adequado ao transporte por pessoas ou veículos táticos leves.
- O peso de cada componente, no nível do subsistema, não excede 160 libras.
- Utiliza uma arquitetura modular aberta que permite atualizar posteriormente a eletrônica de potência e os módulos de armazenamento.
Essas especificações tornam o Amphora mais próximo de uma camada de coordenação entre diferentes fontes de energia e cargas militares do que de um substituto independente garantido para geradores a diesel em todas as condições. O sistema precisa de uma ou mais fontes primárias de energia, e seu sucesso dependerá da eficiência do armazenamento e da conversão, de sua capacidade de operar em ambientes severos e de seu grau de compatibilidade com os equipamentos existentes.
Análise da certi.news
A mudança mais importante aqui é a transição do debate sobre substituir o gerador a diesel por uma única fonte para o gerenciamento de uma pequena rede que reúne múltiplas fontes e armazenamento compartilhado. Isso é importante para o Exército porque a redução do calor e do ruído não está ligada apenas ao conforto operacional, mas também à capacidade das unidades de reduzir os sinais que podem revelar suas posições e diminuir sua dependência das linhas de abastecimento de combustível.
Entretanto, o contrato, por si só, não comprova que o Exército dos EUA tenha definido sua escolha pela energia solar ou que esteja caminhando para eliminar completamente o diesel. A fonte esclarece que o Amphora pode captar energia de geradores, veículos e outras fontes, enquanto a presença de energia renovável, especialmente solar, continua sendo uma possibilidade não confirmada pelos detalhes da implementação. Além disso, o teste de campo continuará sendo necessário para responder a perguntas sobre a capacidade efetiva, o tempo de operação, a capacidade de reparo e o nível de redução das assinaturas em condições operacionais.
A Chariot Defense foi fundada em agosto de 2024 e arrecadou um total de 41 milhões de dólares após uma rodada de financiamento Série A de 34 milhões de dólares liderada pela empresa de capital de risco Andreessen Horowitz. O contrato PRISM oferece à empresa a oportunidade de testar seu produto dentro de uma necessidade de defesa clara, mas o valor técnico do projeto será determinado pelo grau em que ele passará de uma solução comercializável a uma capacidade confiável no campo.