A Força Espacial dos EUA está ampliando o uso de dados de satélites comerciais e ferramentas de análise apoiadas por inteligência artificial, numa tentativa de reduzir o intervalo entre a coleta de informações em órbita e sua chegada aos líderes militares. Isso ocorre enquanto aumenta a quantidade de imagens de satélite, dados de rastreamento marítimo, sinais, informações meteorológicas e fontes abertas disponíveis às autoridades militares.
Durante uma conferência anual da Air and Space Forces Association, em 15 de setembro, o general Douglas Schiess, chefe de Operações Espaciais, afirmou que a Força Espacial trabalha em estreita colaboração com o National Reconnaissance Office, que administra os satélites espiões dos EUA. Suas declarações foram uma resposta aos comentários do presidente Donald Trump sobre a capacidade dos Estados Unidos de monitorar o Irã a partir da órbita, incluindo o local nuclear de Pickaxe Mountain.
Da posse dos dados à sua compreensão
Autoridades do setor espacial consideram que a vantagem já não está ligada apenas ao acesso a imagens e dados, mas à capacidade de interpretá-los rapidamente e vinculá-los a outras fontes. Jesse Kallman, CEO da Danti, afirmou que as informações espaciais se tornaram mais acessíveis a usuários governamentais e comerciais em comparação com cinco anos atrás.
Segundo Kallman, o papel das ferramentas de inteligência artificial evoluiu da pesquisa e recuperação de informações mediante uma pergunta em linguagem natural para tarefas mais complexas. Essas tarefas incluem acompanhar a evolução de um evento, encontrar novas informações e então preparar um relatório que possa ser entregue a um operador ou analista. Essas ferramentas combinam imagens de satélite, dados de navegação marítima, sinais, informações meteorológicas, reportagens e outras fontes abertas.
O que muda na prática?
Esses recursos podem ajudar a automatizar partes do briefing diário de inteligência. Em vez de os analistas passarem horas durante a noite ou chegarem mais cedo para comparar o que mudou e preparar a apresentação, o software pode avaliar continuamente novas informações, formar uma imagem atualizada dos acontecimentos e criar um briefing que os usuários podem consultar.
A Danti afirma que apoiou analistas e operadores do Departamento de Defesa durante o conflito com o Irã, mas não revelou detalhes desse trabalho. Kallman também informou que a empresa recebeu recentemente uma ampliação de um contrato com a Força Espacial no valor de 2,1 milhões de dólares, com o objetivo de apoiar um número maior de usuários nas lideranças militares americanas.
O programa e as limitações
Essa iniciativa faz parte do programa Tactical Surveillance, Reconnaissance and Tracking, conhecido como TacSRT, criado pela Força Espacial para fornecer rapidamente às lideranças militares capacidades comerciais não classificadas de sensoriamento e análise. Em maio de 2025, a Força Espacial e a comunidade de inteligência formalizaram seu mecanismo de cooperação no âmbito do programa.
O uso da inteligência artificial, segundo a Danti, não significa eliminar o papel dos analistas. Os relatórios gerados pelo sistema são claramente identificados como produzidos por inteligência artificial; em seguida, analistas humanos os revisam e aprovam antes de sua distribuição. Os detalhes do desempenho efetivo nas operações militares e a extensão do uso do sistema pelas diferentes lideranças continuam indisponíveis no material, o que faz com que o impacto prático dessas ferramentas seja amplo demais para ser medido pelos números atualmente divulgados.