Inteligência artificial

Como Claude é usado para acelerar a resposta ao surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo

A Organização Mundial da Saúde e seus parceiros usam Claude para analisar dados de profissionais de saúde, acelerar a elaboração de relatórios situacionais e apoiar a modelagem da disseminação do Ebola e a análise do genoma do vírus na República Democrática do Congo. O sistema não toma decisões científicas no lugar dos especialistas, mas reduz o tempo necessário para organizar e analisar os dados.

2026-09-23
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certi.news Editorial Team
Como Claude é usado para acelerar a resposta ao surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo

Equipes internacionais de saúde estão usando a ferramenta Claude, da Anthropic, para acelerar a resposta ao surto de uma rara linhagem do vírus Ebola no leste da República Democrática do Congo, onde ainda não existe uma vacina com aprovação confirmada para essa linhagem. O uso concentra-se na transformação de dados de campo dispersos em relatórios e análises que podem ajudar as equipes de resposta a identificar os locais de disseminação da infecção e direcionar recursos.

Participam da iniciativa a Coalizão para Inovações de Preparação para Epidemias (CEPI), o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para a África (WHO AFRO), o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da República Democrática do Congo (INRB), além das equipes da Anthropic responsáveis pela implantação para benefício público e pela inteligência artificial aplicada.

Dos cadernos de campo ao relatório situacional

Os agentes comunitários de saúde registram diariamente casos de febre, recuperação e morte, e enviam suas observações pelo WhatsApp aos responsáveis pelas áreas. Em seguida, os dados dos casos e os resultados laboratoriais são reunidos em apresentações do PowerPoint que circulam entre as áreas, os centros de coordenação da resposta e o Ministério da Saúde, antes de serem convertidos no relatório situacional conhecido como sitrep.

Uma equipe da WHO AFRO desenvolveu uma habilidade específica para o Claude que extrai números de casos e dados laboratoriais das apresentações das áreas, compara-os com o relatório do dia anterior, identifica mudanças nas tendências e resume os relatórios dos distritos. Segundo o artigo, o tempo de elaboração do relatório caiu de um dia inteiro de trabalho para menos de uma hora.

A ferramenta também é usada para analisar dados e modelar a disseminação da doença. Paul Ouma, da equipe da WHO AFRO, afirmou que as equipes agora conseguem executar vários modelos ao mesmo tempo, em vez de se limitarem a um único modelo devido à falta de tempo, o que ajuda as equipes de logística a avaliar onde estabelecer centros de tratamento.

Apoio à pesquisa de vacinas e à análise genética

Atualmente, não existe vacina aprovada para a linhagem Bundibugyo, enquanto a vacina Ervebo está disponível para a linhagem do Zaire. A CEPI usou Claude para organizar dados complexos e comparar propostas relacionadas ao desenvolvimento de vacinas, além de criar um painel de acompanhamento das ações necessárias às equipes de pesquisa e desenvolvimento.

Entretanto, a ferramenta não seleciona amostras de estudos sorológicos nem determina as conclusões científicas; Polina Brangl, da CEPI, esclareceu que esses julgamentos continuam sendo responsabilidade dos especialistas, enquanto o papel do Claude se limita a organizar os dados para acelerar a revisão humana.

No laboratório do INRB, o Claude Science, um ambiente de trabalho para cientistas, é usado para ajudar a montar o genoma viral e construir uma árvore de parentesco genético a partir dos milhões de fragmentos produzidos pelos equipamentos de sequenciamento. Essa análise pode apoiar o rastreamento das cadeias de infecção, a estimativa do alcance do surto e a detecção de novas variantes.

O que muda na prática?

A principal mudança não é a substituição dos especialistas, mas a redução do tempo entre a coleta dos dados e sua transformação em informações utilizáveis. Isso é importante em surtos nos quais a detecção do caso antes de sua piora pode afetar as chances de sobrevivência, assim como dados precisos sobre contatos podem ajudar a direcionar vacinas ou medidas de proteção quando disponíveis.

A WHO Africa também começou a usar Claude para limpar e verificar listas de casos de surtos de chikungunya e planeja conectar bancos de dados históricos de doenças, para que as decisões em crises futuras se baseiem na experiência de surtos anteriores. Ainda assim, a qualidade dos resultados continua relacionada à precisão dos dados de campo, e as decisões médicas e científicas ainda exigem revisão humana especializada. O artigo indica que a contenção do surto de Bundibugyo ainda não foi concluída, apesar de haver sinais de desaceleração em Ituri.

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Anthropic Newsroom
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