O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) planeja aumentar o número de torres de vigilância nas fronteiras dos Estados Unidos de 830 atualmente para cerca de 2.300 até 2034, segundo um novo relatório do Government Accounting Office. O departamento estima que o custo dessa expansão ultrapasse um bilhão de dólares em recursos dos contribuintes.
O plano faz parte do programa Integrated Surveillance Tower (IST), da agência americana de Alfândega e Proteção de Fronteiras (Customs and Border Protection - CBP). O programa inclui sistemas capazes de capturar imagens de pessoas e veículos e rastrear alvos a longas distâncias, incluindo torres autônomas que utilizam radar, infravermelho térmico e sistemas ópticos.
O que a expansão inclui?
O programa IST é composto por várias categorias de sistemas. As torres autônomas de longo alcance utilizam tecnologias baseadas em inteligência artificial para identificar e acompanhar alvos, enquanto as torres fixas integradas se concentram no monitoramento do movimento de pedestres e veículos. O programa também inclui sistemas de videovigilância remota, alguns dos quais estão instalados perto da cerca fronteiriça no estado do Arizona, incluindo áreas residenciais nas quais as câmeras podem capturar imagens de casas dos dois lados da fronteira.
O Departamento de Segurança Interna espera comprar mais torres autônomas de longo alcance, além de atualizar as torres existentes para acrescentar capacidades autônomas. De acordo com o artigo, o financiamento de um bilhão de dólares vem da lei tributária e de gastos conhecida como One Big Beautiful Act, sancionada pelo presidente Donald Trump em 2025.
Por que essa expansão é importante?
A Electronic Frontier Foundation (EFF) considera que o aumento do número de torres não significa apenas ampliar o alcance da vigilância de fronteira, mas também criar uma rede cujos efeitos podem se estender a cidades, campos escolares, quintais e veículos nas regiões fronteiriças. A organização afirma que isso suscita preocupações relacionadas à privacidade e às liberdades civis, especialmente quando os sistemas capturam imagens ou rastreiam alvos em áreas onde os moradores vivem e realizam suas atividades cotidianas.
A infraestrutura mencionada pela EFF não se limita às torres. Ela também inclui drones, balões cativos, veículos de vigilância, sensores terrestres, câmeras camufladas em trilhas e leitores de placas de veículos. A organização explica que essas tecnologias também são utilizadas por órgãos de segurança pública estaduais e autoridades locais, além de governos do lado mexicano da fronteira.
O papel da EFF na documentação das tecnologias
A EFF afirma que estuda desde 2022 as tecnologias de vigilância ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o México, com base em registros públicos, informações de inteligência de fontes abertas e visitas de campo para verificar os fatos. A organização também criou um mapa interativo para ajudar pesquisadores e jornalistas a analisar o impacto das políticas americanas de segurança de fronteira.
No início deste ano, a organização atualizou sua publicação intitulada Surveillance Technology at the U.S.-Mexico Border, acrescentando novos modelos de torres de vigilância, tecnologias militares recentemente implantadas e imagens de câmeras camufladas em trilhas e leitores automáticos de placas de veículos. Suas atividades também incluem a defesa de pessoas cujos dispositivos foram apreendidos ou revistados ao entrar no país, a contestação da coleta de dados biométricos e identificadores de redes sociais e o fornecimento de orientações de segurança digital para pessoas que atravessam a fronteira.