Espaço e tecnologias espaciais

A economia espacial se expande liderada pelo setor privado em meio à escalada dos riscos orbitais e das cadeias de suprimentos

Dados da OCDE e da Agência Espacial Europeia revelam que o setor privado passou a dominar os lançamentos de satélites, enquanto os investimentos de empresas espaciais privadas subiram para 11,7 bilhões de euros em 2025, apesar da queda dos orçamentos governamentais globais. Esse crescimento ocorre em meio a pressões crescentes relacionadas ao lixo espacial, à gestão do tráfego orbital, à cibersegurança e às cadeias de suprimentos.

2026-09-16
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certi.news
A economia espacial se expande liderada pelo setor privado em meio à escalada dos riscos orbitais e das cadeias de suprimentos

A economia espacial está passando por uma rápida transição de um modelo liderado pelos governos para um mercado no qual o peso das empresas privadas aumenta, segundo dados reunidos em um relatório sobre as publicações mais recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Agência Espacial Europeia (ESA). Em 2025, a participação de operadores privados entre os satélites lançados subiu para 88%, ante apenas 23% em 2010, enquanto os investimentos privados em empresas espaciais chegaram a 11,7 bilhões de euros, o nível mais alto desde o recorde registrado em 2021.

Isso não significa uma redução do papel governamental no setor, mas indica uma redistribuição de funções entre o financiamento público, os programas de defesa e civis e as empresas que fornecem infraestrutura e serviços comerciais. Ao mesmo tempo, a atividade espacial se expande rapidamente, revelando os limites da capacidade atual de administrar o ambiente orbital e proteger as cadeias de suprimentos.

O mercado de serviços espaciais tornou-se o centro de gravidade

O valor do mercado espacial downstream, que inclui comunicações por satélite, navegação, serviços baseados em localização e observação da Terra, alcançou 489 bilhões de euros em 2025, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. Os sistemas globais de navegação e os serviços baseados neles responderam por 77% do mercado, contra 22% das comunicações por satélite e 1% dos dados de observação da Terra e dos serviços de valor agregado.

Esses números mostram que a maior parte do valor econômico não é necessariamente gerada pela fabricação do foguete ou do satélite, mas pelos serviços que dependem de dados, conectividade e navegação. No mesmo ano, o mercado de fabricação e lançamento de veículos espaciais cresceu 20%, para 75 bilhões de euros; 78% desse valor corresponderam à fabricação e 22% às operações de lançamento.

O número de satélites ativos em órbita também se aproximou de 15 mil em meados de 2026, depois de superar 14 mil no fim de 2025. Os satélites de comunicação representaram 82% dos satélites lançados durante 2025. As notificações da União Internacional de Telecomunicações e os projetos de futuras constelações indicam a possibilidade de lançamento de mais de 2 milhões de satélites adicionais, embora a OCDE ressalte que se espera que apenas uma parte deles seja efetivamente colocada em órbita.

Os Estados Unidos lideram a onda de investimentos privados

Os investimentos globais em empresas espaciais caíram de 10,5 bilhões de euros em 2021 para 7,8 bilhões em 2022 e 6,7 bilhões em 2023, antes de subirem para 7,3 bilhões em 2024 e saltarem para 11,7 bilhões de euros em 2025. Os Estados Unidos foram o fator decisivo nesse salto; o investimento privado em empresas espaciais americanas aumentou de cerca de 3 bilhões de euros em 2024 para quase 8 bilhões em 2025, uma alta de 177%.

Em contrapartida, os investimentos em empresas espaciais europeias, chinesas e japonesas caíram 8%, 15% e 35%, respectivamente, enquanto os investimentos privados no restante do mundo recuaram 65%. Portanto, o elevado número global não reflete uma recuperação equilibrada em todos os mercados, mas está concentrado em grande medida nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos também continuam respondendo pela maior parcela da atividade orbital; realizaram 181 tentativas de lançamento orbital em 2025, contra 92 da China e 8 da Europa. Em termos da massa colocada em órbita no âmbito de programas civis e de defesa, a China liderou, com uma participação de 46%, seguida pelos Estados Unidos, com 27%, pela Rússia, com 9%, pela Europa, com 7%, e pelo Japão, com 4%.

Os gastos públicos caem, mas a dimensão de segurança se amplia

O orçamento governamental global para o espaço, que inclui programas civis e de defesa, caiu 3% em 2025, para 119 bilhões de euros, ante 123 bilhões em 2024. Cinquenta e três por cento desse orçamento foram destinados a programas de defesa, incluindo comunicações militares, alerta antecipado, inteligência, vigilância e monitoramento orbital, enquanto os programas civis, como pesquisa espacial, voos tripulados e meteorologia, representaram 47%.

Os Estados Unidos lideraram os gastos governamentais espaciais globais, com uma participação de 58%, seguidos pela China, com 15%, e pela Europa, com 11%, depois pela Rússia e pelo Japão, com 5% cada. O relatório alerta que a limitação dos dados públicos pode significar que o orçamento espacial chinês esteja subestimado em relação ao seu tamanho real. Os orçamentos civis para o espaço nos países da OCDE também aumentaram de 40,5 bilhões de dólares em 2022 para 46,4 bilhões de dólares em 2025.

A prioridade de segurança aparece claramente em alguns países. Os programas militares representaram 46,3% dos gastos espaciais dos Estados Unidos, 25% dos gastos da França e 14,8% dos gastos do Japão em 2025. O Japão multiplicou por cerca de sete seus gastos espaciais de defesa entre 2022 e 2025, enquanto a Alemanha anunciou planos de investir 35 bilhões de euros em capacidades de defesa relacionadas ao espaço até 2030.

Por que essa tendência é importante?

A transição para uma economia espacial mais dependente de empresas privadas amplia a inovação e os serviços, mas torna mais disseminada a dependência da infraestrutura espacial em comunicações, navegação, serviços baseados em localização e observação da Terra. Além disso, a concentração dos investimentos em um único mercado, especialmente nos Estados Unidos, pode criar lacunas na capacidade de outras regiões de construir empresas, componentes e projetos competitivos.

Os riscos aumentam paralelamente à expansão. Cerca de 45.860 fragmentos de lixo espacial estão sendo rastreados em órbita, enquanto se estima que o número de fragmentos menores, difíceis de detectar e capazes de causar danos, seja superior a 140 milhões. Isso acrescenta pressão sobre a gestão do tráfego orbital, a redução de detritos, o projeto de satélites e as operações de lançamento.

A fonte também chama atenção para os riscos de cibersegurança e a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos, sem apresentar detalhes suficientes para medir o impacto de cada risco ou determinar os setores mais expostos a ele. As inovações atuais concentram-se em análises apoiadas por inteligência artificial, aplicações quânticas, sistemas em órbita e tecnologias avançadas de energia, enquanto as tecnologias de propulsão elétrica para veículos espaciais representaram 46% dos pedidos de patentes relacionados ao espaço em 2023.

Leitura editorial: a mudança mais importante não é apenas o aumento do número de satélites ou dos investimentos, mas a transformação do espaço em uma estrutura econômica e de segurança da qual depende um número crescente de serviços terrestres. No entanto, os dados disponíveis não comprovam que o crescimento esteja distribuído globalmente ou que esteja resolvendo os problemas orbitais e das cadeias de suprimentos; eles indicam uma expansão rápida liderada pelos Estados Unidos e pelas comunicações comerciais, enquanto permanecem em aberto as questões relativas à gestão orbital, à transparência dos gastos e à sustentabilidade desse crescimento.

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Anadolu Agency Technology
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