A Modulate, empresa especializada em inteligência de voz com sede em Boston, captou 25 milhões de dólares em uma nova rodada de financiamento para desenvolver sua plataforma voltada a empresas. A plataforma utiliza um conjunto de modelos pequenos para transcrever conversas, analisar sentimentos e tom de voz, detectar deepfakes e música gerada por inteligência artificial, além de monitorar a conformidade com políticas por parte de agentes de voz em setores regulamentados.
A rodada foi liderada pela Future Ventures, com participação da Hyperplane e da Lakestar. Segundo dados da PitchBook, a Modulate havia captado 41 milhões de dólares antes desta rodada, com uma avaliação de 170 milhões de dólares.
Da modulação de vozes à análise de conversas
Mike Pappas e Carter Huffman fundaram a empresa em 2017, depois de se conhecerem enquanto estudavam física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A Modulate começou oferecendo tecnologias de modulação de voz para jogos, antes de passar a ferramentas de moderação de conteúdo de áudio e, posteriormente, com a disseminação de modelos de voz generativos, concentrar-se na detecção de tipos de áudio sintético e na análise da intenção do interlocutor.
A empresa administra atualmente mais de 100 modelos, divididos de modo geral entre modelos para extração de sinais e modelos para análise e detecção. O primeiro grupo analisa emoção, tom de voz e linguagem e determina se a voz é sintética, enquanto o segundo investiga a intenção do interlocutor, a probabilidade de ele violar regras ou sua tentativa de executar uma fraude.
O que muda na prática?
A Modulate geralmente opera ao lado do sistema de voz utilizado pela empresa, em vez de substituí-lo. Seus usos incluem alertar centrais de atendimento sobre chamadas que podem ser deepfakes ou fraudes, avaliar a qualidade da interação de agentes de inteligência artificial com clientes e verificar a conformidade desses agentes com requisitos regulatórios em áreas regulamentadas.
A empresa considera que a análise de sentimentos, por si só, não é suficiente para avaliar o sucesso de uma chamada. O cliente pode parecer educado e não demonstrar raiva evidente, enquanto está efetivamente insatisfeito com o serviço. Por isso, a plataforma também se concentra em compreender a intenção e a resposta do cliente, com o objetivo de fornecer dados mais detalhados sobre as razões do sucesso ou fracasso da interação.
Carter Huffman afirmou que a dependência da empresa de modelos menores reduz sua necessidade de hardware especializado e de uma grande capacidade computacional, além de facilitar o treinamento de novos modelos, sua adição à plataforma e sua ativação quando necessário por meio de um coordenador central. A Modulate também informou que suas tecnologias são utilizadas para monitorar ataques cibernéticos por meio de chamadas de voz.
Expansão e limitações em aberto
A Modulate emprega atualmente entre 40 e 45 pessoas e pretende contratar mais dez funcionários nos próximos meses para apoiar a construção de modelos. A empresa também trabalha para ampliar as possibilidades de implantação nas instalações do cliente e nos dispositivos, em resposta a requisitos de privacidade.
O financiamento ganha importância em um momento de expansão do atendimento ao cliente baseado em voz, mas a fonte não esclarece os nomes dos clientes nem apresenta resultados independentes para medir a precisão da detecção de deepfakes e fraudes. Também não fornece detalhes sobre preços ou sobre os mercados regulamentados nos quais a plataforma é aplicada, pontos que continuarão sendo importantes para empresas que avaliam soluções de análise de chamadas e conformidade.