A Axiom Space pretende lançar dois módulos de sua estação espacial comercial em 2028 e 2029, segundo Jonathan Cirtain, CEO da empresa, durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica, realizado em Antália, na Turquia. Cirtain explicou que a fabricação dos dois módulos está em fase de conclusão e que a estação estará em órbita e operando antes da retirada da Estação Espacial Internacional de serviço, uma data que não é esperada antes de 2030.
O plano surge em um momento em que a indústria espacial se prepara para passar da dependência da Estação Espacial Internacional para serviços comerciais na órbita terrestre baixa. Cirtain afirmou que a Axiom Space está usando financiamento próprio para construir sua estação, enquanto aguarda uma solicitação da NASA para fornecer serviços que substituam algumas funções da Estação Espacial Internacional.
Por que esse desenvolvimento é importante?
O objetivo declarado não se limita a oferecer espaço para hospedagem ou realizar experimentos em órbita, mas está relacionado ao uso da microgravidade no desenvolvimento de produtos e processos que podem ser difíceis de executar na Terra. Cirtain citou pesquisas relacionadas ao tratamento da leucemia, afirmando que alguns medicamentos e cristais farmacêuticos podem apresentar propriedades melhores quando produzidos no espaço. No entanto, a fonte não forneceu detalhes sobre o nome do medicamento nem resultados comerciais ou clínicos específicos; portanto, esses benefícios não podem ser considerados amplamente comprovados com base apenas na declaração.
A Axiom Space considera que a Estação Espacial Internacional passou cerca de 25 anos demonstrando as possibilidades da microgravidade e que a próxima etapa consiste em transformar essas possibilidades em produção comercial. Isso significa que o sucesso das estações comerciais dependerá de sua capacidade de hospedar experimentos repetidos e transformar seus resultados em produtos fabricáveis, e não apenas de alcançar a órbita.
A órbita congestionada impõe restrições operacionais
Cirtain relacionou a expansão da atividade comercial em órbita ao desafio de administrar o uso crescente da órbita terrestre baixa. Ele afirmou que o aumento do número de veículos exigirá métodos mais sofisticados para reduzir os riscos de colisão e realizar manobras de prevenção de colisões, alertando para a possibilidade de se chegar a uma situação de saturação orbital que eleve os riscos operacionais. Ele também diferenciou os planos da Axiom Station das missões de defesa que o governo dos Estados Unidos poderá realizar no espaço, mas ressaltou que os detritos orbitais representam um fator que deve ser levado em consideração durante a operação dos veículos.
Cirtain também falou sobre uma competição geopolítica entre Estados Unidos, Europa, Japão e Canadá em torno da exploração da Lua e de seus recursos, além de uma corrida mais ampla para construir uma economia espacial que aproveite a microgravidade e os recursos extraterrestres. Essas declarações refletem a direção da empresa, mas o material não apresenta detalhes sobre o cronograma completo de construção da estação, o número final de módulos ou os arranjos de lançamento.
Cooperação em pesquisa com universidades turcas
A empresa afirmou que trabalha, por meio de uma iniciativa chamada «Aliança de Universidades», com universidades na Turquia para desenvolver programas de pesquisa. A cooperação inclui ajudar pesquisadores a projetar cargas úteis de pesquisa, transformar um experimento realizado na Terra em um experimento viável no espaço e, em seguida, operá-lo a bordo da estação.
Segundo Cirtain, a expansão do ecossistema espacial turco pode abrir oportunidades adicionais de cooperação entre a Axiom Space e a indústria local. No entanto, a fonte não especificou os nomes das universidades participantes, nem a natureza dos experimentos ou as datas de seu envio à órbita, o que significa que o alcance dessa cooperação e seus resultados práticos ainda precisam de informações adicionais.