Cibersegurança

A inteligência artificial acelera os ataques cibernéticos? Provedores japoneses definem o que as empresas devem fazer

As opiniões de cinco grandes empresas de tecnologia divergem quanto ao aumento dos ataques cibernéticos no Japão e ao papel da inteligência artificial neles, mas há um consenso claro de que a defesa não começa apenas com ferramentas de IA, e sim com o inventário dos ativos, a aplicação de atualizações e a preparação para uma invasão. Os especialistas consideram que a inteligência artificial pode acelerar o reconhecimento e a análise de vulnerabilidades, enquanto as decisões de alto risco continuam sendo responsabilidade humana e administrativa.

2026-10-08
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certi.news
A inteligência artificial acelera os ataques cibernéticos? Provedores japoneses definem o que as empresas devem fazer

Estão aumentando os relatos de vazamentos de dados e ataques de ransomware que atingem empresas japonesas, mas a questão mais difícil não é apenas saber se a inteligência artificial está sendo usada pelos invasores, e sim até que ponto ela contribui efetivamente para acelerar os ataques e ampliar seu alcance. Para obter uma avaliação mais próxima da realidade, a ITmedia AI Plus consultou cinco entidades de tecnologia: Hitachi, Fujitsu, Accenture, IBM e um provedor cujo nome não foi divulgado.

O aumento dos ataques não está confirmado pelos números

As estimativas das cinco entidades divergiram quanto ao aumento dos ataques no período recente. A Hitachi afirmou que o volume e a velocidade dos ataques aumentaram, observando que, segundo sua estimativa, o intervalo entre a divulgação de uma vulnerabilidade e sua exploração diminuiu de semanas para horas com o avanço da inteligência artificial. A Accenture também mencionou um aumento perceptível no número de casos tratados pelas equipes de centros de operações de segurança e resposta a incidentes, mas não apresentou estatísticas específicas sobre o Japão.

Por outro lado, a IBM alertou que o número de anúncios publicados não deve ser considerado uma medida direta da atividade dos ataques, pois os incidentes divulgados em um mês podem ter ocorrido algum tempo antes. O provedor não identificado indicou que mais de 70 notificações de acesso não autorizado ou danos semelhantes surgiram desde setembro, mas esses números podem incluir invasões ocorridas em julho e agosto, além de poderem ser inflados quando várias empresas anunciam ter sido afetadas por um único serviço ou plataforma.

Qual é a evidência do uso de inteligência artificial pelos invasores?

A Hitachi considera provável o uso de inteligência artificial pelos invasores, enquanto a Accenture afirmou que sua equipe de inteligência contra ameaças identificou casos relacionados a agentes de inteligência artificial e que as operações de invasão estão avançando gradualmente em direção a modelos nos quais o agente automatizado é o núcleo da operação, em vez da dependência total de um operador humano.

IBM e Fujitsu, porém, enfatizaram os limites do que pode ser comprovado a partir dos incidentes divulgados. Segundo a IBM, os casos cujos detalhes foram revelados publicamente não apresentaram evidências confirmadas do uso de inteligência artificial. Ainda assim, a empresa considera que a disponibilização de modelos avançados por meio de interfaces de programação de aplicações em nuvem de baixo custo torna ilógico ignorar a possibilidade de seu uso pelos invasores. Outro provedor também considerou provável que essas ferramentas sejam usadas para explorar vulnerabilidades em sistemas web acessíveis pela internet, sem afirmar isso categoricamente em casos específicos.

O que muda, na prática, para as empresas?

As recomendações das entidades consultadas convergem para a ideia de que a prioridade não é comprar uma nova ferramenta de inteligência artificial, mas saber primeiro o que precisa ser protegido. As medidas incluem identificar os sistemas e ativos essenciais para a continuidade dos negócios, reduzir os serviços e dados expostos publicamente, aplicar correções e verificar a integridade dos mecanismos de autenticação e das vulnerabilidades nas interfaces de internet.

A Accenture e a Hitachi também recomendaram monitorar continuamente a superfície de ataque e as comunicações incomuns, enquanto as recomendações destacaram a importância de examinar os dados de terceiros, incluindo a forma como eles são descartados após o fim do contrato. Os especialistas consideram que os planos de resposta e o treinamento para incidentes devem ser construídos com base na suposição de que uma invasão pode ocorrer, e não na promessa de impedi-la completamente.

Onde a inteligência artificial é útil na defesa?

A Hitachi apresentou um exemplo de redução do tempo de preparação de modelos de ameaças de semanas para horas em um teste realizado, enquanto a Accenture afirmou que alguns trabalhos de análise de vulnerabilidades e código que antes levavam semanas ou meses podem ser concluídos em dias em casos de menor complexidade. A IBM identificou três áreas promissoras: monitoramento e análise de ameaças em centros de operações de segurança, descoberta e avaliação de vulnerabilidades e priorização da aplicação de correções de acordo com os riscos.

No entanto, velocidade não significa delegar completamente a decisão ao sistema. A Hitachi e a Fujitsu enfatizaram a necessidade de combinar a análise da inteligência artificial com o julgamento de especialistas, enquanto outro provedor alertou que as decisões de interromper sistemas ou aceitar riscos continuam sendo decisões administrativas. Leitura editorial: as respostas das empresas revelam que a mudança mais importante é o aumento da velocidade potencial dos ataques, não o desaparecimento dos fundamentos de segurança. Por isso, a questão prática para as empresas continua sendo o que deve ser protegido, o que pode ser interrompido e como recuperarão suas operações se os invasores ultrapassarem as primeiras barreiras.

Fonte da notícia
ITmedia AI Plus Japan
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O que você precisa saber

As opiniões dos fornecedores de tecnologia indicam que a inteligência artificial pode acelerar a identificação de vulnerabilidades e os ataques, mas as evidências públicas de seu uso em incidentes específicos ainda são limitadas. A prioridade para as empresas é inventariar os ativos, reduzir a exposição, aplicar correções e preparar-se para a recuperação, mantendo as decisões de alto risco nas mãos de especialistas e da administração.

  • As estimativas das empresas sobre o aumento dos ataques variam, e o número de anúncios publicados não pode ser considerado uma medida direta de sua atividade.
  • Algumas entidades consideram que a inteligência artificial pode reduzir o tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração, mas IBM e Fujitsu alertaram para a limitação das evidências confirmadas.
  • As empresas devem identificar os sistemas e ativos essenciais, reduzir os serviços expostos, aplicar correções e verificar a autenticação e as interfaces da Internet.
  • Entre os usos defensivos promissores estão o monitoramento de ameaças, a descoberta de vulnerabilidades e a priorização de correções com base nos riscos.
  • As decisões de desligar sistemas e aceitar riscos continuam sendo responsabilidade da administração e não devem ser delegadas integralmente à inteligência artificial.
  • Os planos de resposta e o treinamento devem ser elaborados partindo do pressuposto de que uma violação pode ocorrer, em vez de depender de sua prevenção completa.

Perguntas frequentes

Foi comprovado que os invasores usam inteligência artificial nos incidentes mencionados?

Os casos públicos discutidos pela IBM não apresentaram evidências confirmadas disso, embora a Hitachi considere provável seu uso e a Accenture tenha identificado casos relacionados a agentes de inteligência artificial.

Qual é a primeira medida defensiva que as empresas devem tomar?

Identificar os sistemas e ativos essenciais para a continuidade dos negócios e saber o que deve ser protegido antes de adquirir novas ferramentas de inteligência artificial.

Como a inteligência artificial pode ser usada na defesa?

Ela pode ser usada para monitorar e analisar ameaças, descobrir e avaliar vulnerabilidades e priorizar a aplicação de correções de acordo com o nível de risco.

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