Inteligência artificial

A relação não intuitiva entre as tecnologias de manufatura e a «morte do SaaS»: o que isso significa para os sistemas empresariais?

O artigo examina a hipótese da «morte do SaaS» sob a influência de agentes de inteligência artificial, que podem executar tarefas empresariais diretamente, em vez de o funcionário depender das interfaces tradicionais dos aplicativos. A hipótese não significa o desaparecimento de todo o software em nuvem, mas a possibilidade de mudança na forma como sistemas ERP, de gestão da produção e outros são utilizados.

2026-08-28
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certi.news
A relação não intuitiva entre as tecnologias de manufatura e a «morte do SaaS»: o que isso significa para os sistemas empresariais?

A MONOist Japan apresenta uma análise da relação entre os sistemas de tecnologia da informação no setor de manufatura e o que é chamado de «morte do SaaS», com foco no papel crescente dos agentes de inteligência artificial na execução de tarefas empresariais. A ideia central não é que o software oferecido como serviço desaparecerá completamente, mas que a forma como os funcionários interagem com os sistemas corporativos poderá mudar radicalmente se o agente se tornar capaz de executar o trabalho em vez do usuário.

O artigo baseia-se em uma transformação mais ampla do conceito de sistema empresarial. Há mais de 15 anos, o debate girava em torno da razão pela qual as empresas precisavam de sistemas dos quais os funcionários não pudessem prescindir, mesmo que algumas de suas funções fossem limitadas ou que outras tarefas fossem concluídas com o uso do Excel. Os sistemas de planejamento de recursos empresariais (ERP) e de gestão da produção representavam o exemplo mais claro de sistemas centrais aos quais as operações diárias estavam vinculadas.

Entretanto, os desenvolvimentos recentes em inteligência artificial generativa e em agentes capazes de executar múltiplas ações começaram a mudar esse ponto de partida. O artigo menciona o lançamento, pela Anthropic, em fevereiro de 2026, da ferramenta «Claude Cowork», que pode lidar com arquivos locais no computador e com o navegador da Web, além de executar automaticamente tarefas de escritório e outros trabalhos. Segundo a análise, o desenvolvimento desse tipo de agente pode reduzir a necessidade de o funcionário interagir diretamente com cada função do sistema empresarial ou com sua interface tradicional.

O que significa efetivamente «morte do SaaS»?

O artigo não utiliza o termo para indicar o fim de todos os serviços de Software as a Service. O que se pretende dizer é a possibilidade de redução do uso de alguns aplicativos da forma atual, depois que o agente de inteligência artificial passar a interagir com os sistemas e executar, em nome do funcionário, as etapas necessárias. Nesse modelo, a interface que o usuário consulta poderá se tornar menos importante, enquanto o acesso controlado aos dados e a capacidade de executar procedimentos serão mais importantes do que o formato do próprio aplicativo.

O artigo identifica dois pontos para compreender essa transformação. O primeiro é que alguns sistemas são projetados em torno de procedimentos e restrições necessários ao trabalho, e o agente de inteligência artificial não consegue executar completamente suas tarefas sem intervenção humana ou sem obedecer a restrições operacionais específicas. O segundo é que os sistemas podem mudar à medida que a inteligência artificial avança, incorporando gradualmente suas capacidades ao fluxo de trabalho, em vez de manter a inteligência artificial como uma ferramenta separada do sistema principal.

Por que os sistemas de manufatura e ERP são afetados?

Os sistemas ERP e de gestão da produção estão no centro desse debate porque lidam com operações essenciais que não podem ser facilmente separadas dos dados e dos procedimentos da empresa. O artigo observa que, em muitos casos, esses sistemas permaneceram vinculados a ambientes locais, mesmo com a expansão do software em nuvem. Por outro lado, empresas globais de tecnologia como Salesforce, ServiceNow, Workday, SAP, Oracle e Microsoft trabalham no desenvolvimento de funções de inteligência artificial e agentes dentro de seus produtos em nuvem.

Essa diferença cria uma disparidade entre os fornecedores de nuvem e os fornecedores de sistemas ERP, além de exigir que as empresas que planejam um novo projeto de ERP considerem a preparação do sistema para a inteligência artificial entre os requisitos da solicitação de proposta (RFP). A escolha do sistema já não está relacionada apenas às funções atuais, mas também à sua capacidade de absorver novos modelos de interação com dados e processos quando os agentes se tornarem parte do ambiente de trabalho.

O que muda na prática?

Se a hipótese discutida na análise se concretizar, o centro de gravidade poderá passar do aplicativo aberto pelo funcionário para uma camada de inteligência artificial que interage, em segundo plano, com vários sistemas. Em vez de inserir dados e navegar passo a passo entre as telas, o usuário poderá pedir ao agente que conclua uma tarefa específica, enquanto o agente se encarregará de acessar as informações e executar os procedimentos permitidos pelas autorizações e pelas regras.

Contudo, o artigo não apresenta isso como um resultado certo. O fato de ainda ser necessária a intervenção humana em algumas tarefas significa que os sistemas não se tornarão inúteis simplesmente com o surgimento dos agentes. Além disso, o sucesso do agente depende dos dados aos quais ele consegue acessar, de sua compreensão do contexto da empresa e das restrições que regem as decisões e os procedimentos. Portanto, a verdadeira mudança poderá ser uma redistribuição de papéis entre o funcionário, o agente de inteligência artificial e o sistema empresarial, e não a substituição do SaaS de uma só vez.

Análise da certi.news

A importância dessa perspectiva para gestores de tecnologia e equipes de manufatura está em deslocar o debate da pergunta «devemos comprar SaaS?» para uma questão mais prática: «qual parte o usuário ainda precisará executar dentro do sistema?». O desenvolvimento mencionado pressiona os fornecedores de sistemas empresariais a demonstrar que seus produtos não apenas possuem os dados e as funções, mas também oferecem uma base segura e capaz de integração com agentes de inteligência artificial.

Por outro lado, o artigo não prova que a «morte do SaaS» ocorrerá nem define um cronograma para isso. Também não apresenta resultados de implementação ou números que meçam o impacto do Claude Cowork ou de outros agentes nos sistemas ERP. O que o texto confirma é a direção do debate: os agentes de inteligência artificial ameaçam o modelo tradicional de interação com os aplicativos, enquanto os sistemas centrais, os dados e as regras de negócio continuam sendo fatores decisivos para determinar a velocidade e os limites da transformação.

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MONOist Japan
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