A startup espanhola Liux se prepara para lançar seu pequeno carro elétrico Liux Big no mercado europeu durante o primeiro semestre de 2027, depois de obter uma homologação europeia abrangente para o modelo. A empresa quer competir com os pequenos carros elétricos provenientes da China, concentrando-se na redução do impacto ambiental, no prolongamento da vida útil do carro e na fabricação das etapas finais da produção na Espanha.
A medida ocorre em um mercado que registra uma expansão da demanda por carros compactos nas cidades europeias, em um momento em que marcas conhecidas nesse segmento, entre elas a Smart, transferiram a fabricação para a China. A Liux tenta oferecer uma alternativa europeia, mas não afirma possuir uma cadeia de fornecimento europeia autossuficiente; as baterias do Big não são fabricadas na Europa, segundo informações da TechCrunch baseadas em declarações dos fundadores da empresa.
Design que coloca a reciclabilidade no centro do carro
A estrutura externa do Liux Big utiliza um novo material composto à base de fibras de linho, projetado para que possa ser separado, extraído e posteriormente reciclado. O cofundador Antonio Espinosa de los Monteros considera que a reciclabilidade não é determinada apenas no laboratório, mas também pela forma como o produto é construído e pela preservação da integridade de seus componentes, permitindo dar-lhe uma segunda vida.
A empresa afirma que o carro pode ser carregado em casa, inclusive utilizando eletricidade gerada por painéis solares, e também foi projetado para ser fácil de manter e menos suscetível aos rápidos ciclos de obsolescência que caracterizam alguns carros modernos. No entanto, essas promessas ambientais não eliminam a dependência do carro de baterias fabricadas fora da Europa.
Homologação L7e e espaço maior que o esperado
A Liux escolheu a categoria L7e para veículos de quatro rodas, ligeiramente mais pesada que a L6e segundo a distinção regulatória europeia. A empresa aproveitou os limites dessa categoria para oferecer um porta-malas com capacidade de 260 litros, tentando tornar a experiência de condução mais próxima à dos carros tradicionais do que à dos veículos leves de duas rodas.
Inicialmente, o Big será oferecido em duas versões, com baterias de 15 e 20 quilowatts-hora, enquanto a Liux planeja lançar uma versão destinada ao transporte de cargas. Embora a categoria do carro não exija testes de colisão, a empresa afirma ter testado suas capacidades de manobra, frenagem e condução em trajetos de zigue-zague, ressaltando que a redução de peso não deve resultar de uma estrutura enfraquecida ou de menor estabilidade.
Produção limitada e ambição de expansão
A Liux conta atualmente com 65 funcionários e se prepara para aumentar a produção por meio de três instalações na Espanha, entre elas sua fábrica em Azuqueca de Henares, perto de Madri. A fábrica opera segundo princípios de gestão enxuta e executa apenas as etapas finais da fabricação, o que explica seu tamanho reduzido. A empresa afirma que sua capacidade produtiva poderá chegar a 20 mil carros por ano até 2030.
Mais de 7.500 pessoas entraram na lista de espera do Big sem pagar nenhuma taxa. Os dados da empresa indicam que o grupo mais representativo é formado por moradores de cidades com idades entre 55 e 60 anos, o que levou a empresa a supor que o carro poderá ser comprado principalmente como um segundo carro da família, e não como um substituto completo da propriedade de um carro tradicional.
O que importa na prática?
A Liux captou até agora 16 milhões de euros, incluindo financiamento europeu, e usará esse valor para levar a versão urbana ao mercado por meio de parcerias com concessionárias em toda a Europa. O preço final não foi definido, mas a empresa tem como meta um preço inferior a 18 mil euros, cerca de 21 mil dólares, antes da contabilização de possíveis incentivos para carros elétricos.
Esse preço coloca o Big na faixa mais alta do mercado de carros pequenos, por isso a Liux precisará provar que os materiais recicláveis, a facilidade de manutenção e o espaço interno justificam a diferença. Além disso, a lista de espera ainda não comprova a demanda efetiva, e o sucesso da empresa continua ligado à sua capacidade de transformar a homologação do modelo e seu financiamento limitado em produção e entregas regulares. A Liux mantém aberta a possibilidade de parcerias com operadores de frotas corporativas e talvez de desenvolver funções de condução autônoma no futuro, mas esses planos ainda não se transformaram em produtos anunciados.