Inteligência artificial

Google apresenta como a inteligência artificial acelera a descoberta científica e melhora serviços essenciais

A Google apresenta aplicações de inteligência artificial na detecção de doenças, na previsão de desastres, na educação e no trabalho, com números sobre suas ferramentas e projetos de pesquisa em todo o mundo. A empresa ressalta que os benefícios não são automáticos e que alcançá-los exige ampla colaboração e o enfrentamento de riscos relacionados à precisão, à segurança e às desigualdades sociais.

2026-09-14
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certi.news Editorial Team
Google apresenta como a inteligência artificial acelera a descoberta científica e melhora serviços essenciais

A Google apresentou uma ampla visão geral das aplicações de inteligência artificial que, segundo a empresa, já começaram a produzir efeitos práticos na saúde, na previsão de desastres, na educação e nas oportunidades econômicas, em vez de limitar o debate aos modelos de conversação ou às ferramentas de produtividade. A empresa afirma que suas tecnologias atualmente oferecem suporte a cerca de 300 línguas faladas por 7 bilhões de pessoas, ou 86% da população mundial, enquanto lançou novas visões interativas no AI & Economy ATLAS para acompanhar como as pessoas usam a inteligência artificial no trabalho e na vida cotidiana.

O material, escrito por James Manyika, vice-presidente sênior da Google para pesquisa, laboratórios, tecnologia e sociedade, reúne resultados e projetos anunciados pela empresa em diferentes períodos. Por isso, aproxima-se mais de uma leitura estratégica do histórico e das direções da Google do que de um anúncio de um único produto ou de um novo resultado de pesquisa independente.

Da descoberta de genes ao exame médico

Na área das ciências da vida, a Google afirma que o AlphaGenome Atlas já está disponível para pesquisadores traçarem o impacto esperado de cada uma das 9 bilhões de alterações de uma única letra no genoma humano. A empresa apresenta isso como uma extensão do trabalho do AlphaFold, ao qual atribui a previsão da estrutura de todas as proteínas conhecidas pela ciência, num total de 200 milhões, e o uso por 4 milhões de pesquisadores em 190 países.

A Google também menciona um estudo sobre câncer de mama com o Imperial College London e o Serviço Nacional de Saúde britânico, no qual, segundo a empresa, a inteligência artificial detectou 25% dos cânceres intervalares que não apareceram nas mamografias de 175 mil mulheres. Ela também apresenta ferramentas para o rastreamento de câncer de pulmão e de cólon e de mutações genéticas em células tumorais, além do exame de mais de 25 mil radiografias de tórax para detectar tuberculose em 40 locais e seis países. No caso da retinopatia diabética, a empresa afirma que seu modelo apoiou mais de 1,15 milhão de exames em todo o mundo, com um plano de expansão para 6 milhões na próxima década.

Previsão de desastres e riscos à saúde

A Google afirma que as previsões das monções em 2025 forneceram informações a 38 milhões de agricultores na Índia e que o serviço Flood Hub cobre os riscos de inundações fluviais e enxurradas para cerca de 2 bilhões de pessoas em mais de 150 países. Suas ferramentas também ajudaram a prever os limites de incêndios florestais nos Estados Unidos e em outros 33 países, e emitiram alertas de crise pelo Google Search para mais de 75 milhões de usuários durante 2025.

A empresa afirma que o WeatherNext 3 oferece previsões de precipitação 50% mais precisas com um dia ou mais de antecedência, integrando observações de satélite e previsões de alta resolução a cada hora, sem a necessidade de enormes capacidades de supercomputação. Já o Planetary Prediction Engine usa instruções em linguagem natural para prever crises como surtos de doenças, escassez de alimentos e riscos climáticos. Segundo os números apresentados, o sistema identificou antecipadamente 83% dos focos emergentes durante o surto de ebola na República Democrática do Congo e duplicou a precisão das previsões de segurança alimentar em nível local na Nigéria.

Educação, trabalho e línguas

A Google considera que ferramentas como o Guided Learning podem apoiar a aprendizagem personalizada e remover barreiras linguísticas, enquanto os sistemas de inteligência artificial ajudam professores em pesquisas, preparação e tarefas administrativas. No entanto, reconhece riscos relacionados à precisão, à segurança e à cola, além do possível declínio do pensamento crítico ou da aprendizagem, e menciona uma parceria com a ISTE+ASCD para oferecer formação em alfabetização em inteligência artificial a todos os 6 milhões de professores dos Estados Unidos.

Na esfera econômica, a empresa lançou o AI & Economy ATLAS para compreender a transformação da natureza do trabalho, à medida que alguns empregos podem diminuir, outros crescer e muitos mudar com o aumento do uso da inteligência artificial como assistente. A Google afirma ter investido mais de 1 bilhão de dólares globalmente em iniciativas de treinamento e ajudado mais de 100 milhões de pessoas a adquirir competências digitais e habilidades em inteligência artificial.

Por que esta apresentação é importante?

A mudança mais importante aqui é a passagem da inteligência artificial de um modelo de ferramenta geral para uma camada de previsão e análise que intervém na saúde, na gestão de crises e na pesquisa científica. No entanto, os números apresentados têm a própria Google como fonte, e o material não oferece detalhes suficientes sobre o desenho dos estudos, as comparações estatísticas ou as condições de validação clínica e operacional de cada sistema. A empresa também reconhece que os benefícios não são garantidos e que o uso responsável exige enfrentar os riscos de uso indevido químico, biológico, radiológico e nuclear, além do risco de que as ferramentas não cheguem às comunidades que poderiam se beneficiar delas.

A Google afirma que a expansão dessas aplicações depende da colaboração com universidades, laboratórios nacionais, governos, organizações não governamentais e parceiros locais. A empresa diz ter destinado mais de 1 bilhão de dólares a mais de 1.700 instituições de pesquisa em todo o mundo desde 2006, mas as questões relacionadas à verificação independente, à privacidade e à possibilidade de transferir os resultados entre países continuam sendo decisivas antes que esses modelos sejam considerados soluções prontas para uso em larga escala.

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