A Autodesk revelou, durante a conferência Autodesk University 2026, realizada em Las Vegas entre 15 e 17 de setembro de 2026, um conjunto de funções de inteligência artificial para as plataformas Fusion, Inventor e Vault, além de iniciativas relacionadas à gestão do ciclo de vida do produto (PLM). Essas funções têm como objetivo automatizar partes dos fluxos de trabalho de design, engenharia e fabricação, aproveitando os dados dos produtos e o contexto operacional disponíveis nas plataformas.
A Autodesk afirma que o objetivo é reduzir o tempo que os engenheiros dedicam a tarefas repetitivas, como modificar modelos, escrever programas CNC e simular o desempenho dos produtos. A visão anunciada baseia-se no uso da inteligência artificial para compreender os dados, o contexto de trabalho e o conhecimento específico do setor, transformando então algumas etapas do design e da fabricação em processos mais automatizados.
Automação do design e da montagem no Fusion
No Fusion, a Autodesk está trabalhando em funções que incluem AutoConstrain, AutoTimeline e AutoAssemble. O AutoTimeline lida com modelos importados que não possuem um histórico temporal editável, convertendo-os em peças paramétricas que podem ser modificadas. Já o AutoAssemble identifica as relações geométricas entre os componentes do produto e, em seguida, cria as posições das peças e as juntas necessárias para construir a montagem.
A empresa também apresentou a função System Modeler, destinada a modelar processos relacionados à preparação de máquinas, criar trajetórias de ferramentas e documentar etapas de fabricação. A ideia permite reutilizar fluxos de trabalho repetitivos e conectar as fases de design à produção, em vez de tratar cada projeto como um processo totalmente separado.
Conexão dos dados do produto com agentes de inteligência artificial
Na área de PLM, a Autodesk está desenvolvendo o que descreve como uma integração entre os dados dos produtos e os requisitos de negócio por meio de agentes de inteligência artificial. Essa abordagem pode ajudar as equipes a reutilizar resultados de projetos anteriores, encontrar conhecimentos relevantes e coordenar tarefas entre as equipes de acordo com o andamento do projeto. A empresa relaciona isso à criação de uma cadeia digital que conecta as equipes de design, engenharia e fabricação, reduzindo o tempo necessário para encontrar as informações solicitadas.
No entanto, a fonte não especifica os limites da autonomia desses agentes nem os mecanismos de verificação de seus resultados, um ponto importante em ambientes de design e fabricação nos quais modificações incorretas podem causar erros no produto ou na produção.
Autodesk Assistant no Inventor e no Vault
A Autodesk também anunciou o uso do Autodesk Assistant no Inventor, com base em interfaces de programação de aplicações (API), ferramentas de design e regras do iLogic. Entre as capacidades anunciadas estão a análise de modelos, a modificação de parâmetros e componentes, a criação de estados do modelo e a execução automática de algumas tarefas.
O Inventor receberá o Fusion Connected Client para conectar o design de desktop aos dados do Fusion na nuvem e aos processos de gestão do ciclo de vida do produto. No Vault, o Autodesk Assistant permite pesquisar dados e exibir peças relacionadas e suas informações, com o objetivo de ajudar as equipes a escolher componentes adequados e reutilizar dados de design em vez de recriá-los.
O que muda na prática?
O valor mais importante desses anúncios não está apenas em adicionar um assistente conversacional às ferramentas CAD, mas na tentativa da Autodesk de tornar os dados de design e fabricação utilizáveis em mais de uma etapa e produto. Se essa visão for implementada conforme descrita pela empresa, a inteligência artificial poderá passar de sugestões isoladas para a automação de etapas interconectadas, começando pelo modelo e estendendo-se à montagem, à fabricação e à gestão de dados.
Contudo, a aplicabilidade continua ligada à qualidade dos dados, à consistência dos modelos, à validade das regras de negócio e aos mecanismos de revisão dos resultados da inteligência artificial. Além disso, a fonte anuncia funções em desenvolvimento ou expansão sem fornecer detalhes completos sobre as datas de disponibilidade, os limites de suporte para cada versão ou as métricas de desempenho; por isso, o impacto prático deve ser entendido como uma direção anunciada pela Autodesk, e não como um resultado comprovado para todos os usuários.