Inteligência artificial

DistroKid remove músicas em resposta a uma ação da UMG em meio a reclamações sobre obras não geradas por inteligência artificial

A DistroKid confirmou que a remoção de um número limitado de gravações ocorreu em resposta a reivindicações apresentadas pela UMG em uma ação que acusa a plataforma de criar um canal para a distribuição de música gerada por inteligência artificial. Artistas afirmam que obras originais ou licenciadas foram removidas sem aviso ou explicação clara.

2026-10-10
4 min de leitura
856 visualizações
certi.news
DistroKid remove músicas em resposta a uma ação da UMG em meio a reclamações sobre obras não geradas por inteligência artificial

A DistroKid começou a remover várias músicas distribuídas por sua plataforma após reivindicações apresentadas pela Universal Music Group, em um desdobramento que revela como a disputa em torno da música gerada por inteligência artificial pode afetar artistas que afirmam que suas obras não têm relação com a inteligência artificial. Amanda Ferri, vice-presidente de serviços para artistas da DistroKid, confirmou ao The Verge que um «número muito pequeno» de gravações foi removido em resposta a reivindicações da UMG.

A UMG havia entrado com uma ação judicial em setembro, acusando a DistroKid de criar o que descreveu como um «canal para música ruim gerada por inteligência artificial». A DistroKid afirma que contesta veementemente as alegações nas quais a ação se baseia, mas reconheceu que os procedimentos causaram transtornos aos artistas afetados.

Remoções sem aviso claro

Artistas reclamaram nas redes sociais que suas obras desapareceram dos serviços de streaming sem aviso prévio ou explicação posterior. O músico McGwire afirmou que seis de suas músicas foram removidas e que precisou entrar em contato com a empresa para descobrir o motivo, depois de passar por uma conversa longa e repetitiva com um robô antes de conseguir falar com um funcionário humano.

Entre as obras removidas estava uma versão cantada da música «Isn’t She Lovely», de Stevie Wonder, para a qual, segundo McGwire, ele possuía uma licença adequada. Também foi removida uma música que usava um ritmo comprado em um mercado digital, além de uma obra que, segundo ele, foi excluída por usar uma amostra não autorizada, embora a música da qual supostamente teria sido retirada tenha sido lançada dois anos depois da sua.

O rapper Insane Ian afirmou que uma música original sua foi removida sem aviso ou esclarecimento. O rapper King Chase também disse que um álbum completo de um artista com quem trabalha foi removido depois de permanecer na plataforma por três ou quatro anos, sem violações de direitos autorais ou contato por parte da DistroKid.

Por que esta notícia é importante?

A questão não envolve apenas a remoção de arquivos musicais, mas também o mecanismo de aplicação dos direitos autorais dentro de uma plataforma da qual os artistas dependem para chegar aos serviços de streaming. Quando a remoção é realizada em resposta a reivindicações relacionadas a uma disputa ampla sobre inteligência artificial, obras que não se enquadram no escopo da alegação original podem ser afetadas, enquanto o artista continua tendo meios limitados para contestar ou solicitar uma revisão.

O ponto mais sensível está na ausência de aviso e de um processo claro de contestação. O produtor e especialista em marketing Jesse Cannon considerou que os artistas deveriam ter recebido um aviso e uma oportunidade de responder antes da remoção das obras. No entanto, o artigo não inclui detalhes sobre o critério da DistroKid para selecionar as gravações nem sobre um cronograma para sua restauração.

Posição da DistroKid e questões em aberto

Ferri afirmou que a empresa está trabalhando para reduzir os transtornos e, ao mesmo tempo, proteger a capacidade dos artistas de lançar suas músicas. Mas a resposta da empresa não esclareceu quantas gravações foram removidas, a natureza das reivindicações específicas apresentadas pela UMG, se as remoções são temporárias, nem definiu um mecanismo geral para restaurar obras que seus proprietários considerem ter sido removidas por engano.

Assim, a disputa continua sendo um exemplo prático da tensão entre combater conteúdos suspeitos de violar direitos e garantir que os procedimentos da plataforma não se transformem em uma remoção em massa que seja difícil para os proprietários das obras contestarem.

Fonte da notícia
c
Autor

certi.news

Na mesma categoria

Você também pode gostar

Ver todas as notícias