A Xiaomi exibiu um novo vídeo documentando a capacidade de seus robôs humanoides (Humanoid Robots) de trabalharem durante um turno completo de 8 horas ininterruptas dentro de sua fábrica de veículos elétricos. A tarefa atribuída aos robôs consiste em separar as tampas laterais do console (console side covers) e transportá-las para as prateleiras de armazenamento designadas.
De acordo com o anunciado pela empresa, os robôs operam de forma autônoma, possuindo a capacidade de detectar e corrigir erros por conta própria durante o processo, com coordenação direta com o sistema de controle da linha de produção. Este passo representa um avanço no programa de automação seguido pela Xiaomi; em março passado, a empresa começou a testar robôs como "estagiários" em sua fábrica em Pequim, e a taxa de sucesso nas tarefas anteriores atingiu 98% antes de passar para tarefas mais complexas, como a separação das tampas laterais.
A inteligência artificial que impulsiona os robôs
Simultaneamente a esta conquista, a Xiaomi revelou o início dos testes em seu modelo de inteligência artificial Xiaomi-Robotics-1. Este modelo foi pré-treinado com 100.000 horas de dados de robôs no mundo real e demonstrou capacidades na execução de sequências de múltiplas tarefas dentro de ambientes residenciais durante testes iniciais que duraram 30 minutos.
O que levanta questões técnicas?
Apesar do caráter impressionante do vídeo, existem lacunas técnicas que a Xiaomi não esclareceu, o que abre espaço para questionamentos sobre o grau de "autonomia" real destes robôs. As dúvidas concentram-se nos seguintes pontos:
- Gestão de energia: O vídeo não esclareceu como os robôs conseguiram manter sua energia por 8 horas; se isso foi feito através da troca de baterias, usando cabos de energia (tether) ou através de curtos períodos de carregamento?
- Dados operacionais: Faltaram números precisos sobre a quantidade de peças efetivamente separadas, a taxa de sucesso durante as oito horas e o número de vezes que foi necessária intervenção humana.
- Conceito de autonomia: Experiências anteriores de outras empresas, como a Tesla com o robô "Optimus", mencionam que algumas demonstrações que parecem autônomas podem, na verdade, ser operadas remotamente por humanos, o que coloca a credibilidade do termo "autônomo" sob teste.
O vídeo também chamou a atenção para a presença de robôs com base de rodas (Wheeled Robots) trabalhando lado a lado com os robôs humanoides. Isso aponta para um paradoxo técnico; enquanto as empresas buscam desenvolver a forma humana, os robôs com rodas permanecem mais eficientes, estáveis e com menor consumo de energia em ambientes de fábricas planas, o que levanta uma questão sobre a viabilidade econômica e técnica dos robôs humanoides em operações industriais tradicionais.