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Startups de fusão nuclear arrecadaram mais de 100 milhões de dólares

As startups de fusão nuclear arrecadaram 7,1 bilhões de dólares até agora, mas a maior parte do financiamento concentrou-se em um número limitado de empresas. Este relatório apresenta as empresas cujo financiamento privado ultrapassou 100 milhões de dólares, as diferenças entre suas tecnologias e seus cronogramas comerciais anunciados.

2026-08-15
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certi.news Editorial Team
Startups de fusão nuclear arrecadaram mais de 100 milhões de dólares

As startups de fusão nuclear arrecadaram 7,1 bilhões de dólares até agora, segundo dados fornecidos pela FusionX à TechCrunch, com a maior parte do capital destinada a um número limitado de empresas. Esse percurso reúne empresas que utilizam tecnologias diferentes para alcançar um único objetivo: produzir energia a partir da reação nuclear que alimenta o Sol e, depois, convertê-la em eletricidade comercialmente vendável.

A fusão nuclear foi durante anos motivo de piada por causa das promessas recorrentes de que ainda estaria «a uma década de distância», mas tornou-se mais atraente para os investidores com o desenvolvimento de chips de computador, inteligência artificial e ímãs supercondutores de alta temperatura. Esses avanços contribuíram para melhorar os projetos de reatores, as simulações e os sistemas de controle.

No fim de 2022, um laboratório ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou uma reação de fusão controlada que produziu mais energia do que a energia transportada pelos lasers até a cápsula de combustível. Isso representou o alcance do chamado ponto de equilíbrio científico, mas não equivale ao ponto de equilíbrio comercial, que exige que a reação produza mais energia do que o consumo de toda a instalação.

As empresas com os maiores financiamentos

  • Commonwealth Fusion Systems: arrecadou cerca de 3,94 bilhões de dólares, aproximadamente um terço do capital privado investido em empresas de fusão. Uma rodada encerrada em julho acrescentou 1 bilhão de dólares ao seu financiamento. A empresa está construindo em Massachusetts o reator Sparc, do tipo tokamak, e espera alcançar o ponto de equilíbrio científico em 2027 e operar o reator no fim de 2026 ou no início de 2027. Posteriormente, planeja construir uma usina Arc perto de Richmond, na Virgínia, com capacidade de 400 megawatts, com um acordo com o Google para comprar metade de sua produção.
  • Helion: arrecadou 3,2 bilhões de dólares em capital comprometido e adota o cronograma mais agressivo entre as empresas, planejando produzir eletricidade a partir de seu reator em 2028 para seu primeiro cliente, a Microsoft. A empresa utiliza uma configuração de campo reverso e arrecadou 465 milhões de dólares em uma rodada Series G em junho, após a qual foi avaliada em 15,5 bilhões de dólares.
  • TAE Technologies: arrecadou 1,65 bilhão de dólares antes de anunciar, em dezembro de 2025, sua fusão com a Trump Media & Technology Group em uma transação totalmente em ações que avaliou a entidade combinada em 6 bilhões de dólares. Utiliza uma configuração de campo reverso com feixes de partículas para ajudar a estabilizar o plasma.
  • Pacific Fusion: começou com uma rodada Series A superior a 1 bilhão de dólares. Utiliza confinamento inercial baseado em pulsos eletromagnéticos coordenados, em vez de lasers, com 156 geradores pulsados previstos para produzir uma potência total de terawatts durante 100 nanossegundos.
  • Proxima Fusion: arrecadou mais de 682,9 milhões de dólares e está avaliada em 2,7 bilhões de dólares após sua rodada mais recente. Desenvolve reatores do tipo stellarator, com um plano para concluir o protótipo Alpha no início da década de 2030 e a usina comercial Stellaris mais tarde na mesma década.

Tecnologias e caminhos alternativos

Nem todas as empresas estão seguindo o projeto tradicional de tokamak. A Shine Technologies arrecadou 1 bilhão de dólares e atualmente se concentra em testes de nêutrons, isótopos médicos e reciclagem de resíduos radioativos, sem escolher uma tecnologia específica para um futuro reator de fusão. Já a Inertia Enterprises, que tem em sua equipe fundadora Annie Kritcher, cientista-chefe do experimento National Ignition Facility, arrecadou 450 milhões de dólares em uma Series A e utiliza lasers para bombardear cápsulas de combustível de fusão.

A General Fusion utiliza uma abordagem de fusão magneticamente confinada, por meio de uma parede de metal líquido e pistões que comprimem o plasma. A empresa arrecadou mais de 442 milhões de dólares, mas enfrentou uma crise de liquidez em 2025 e cortou 25% de seus funcionários. Posteriormente, arrecadou 22 milhões de dólares em uma rodada relacionada à participação de investidores e, depois, 51,1 milhões de dólares em títulos SAFE, antes de ser listada na Nasdaq em 13 de julho de 2026, após uma fusão reversa com uma empresa de aquisição de propósito específico, em uma transação que lhe proporcionou 127 milhões de dólares.

A Zap Energy depende de uma corrente elétrica que confina o plasma e gera seu próprio campo magnético. Em abril, anunciou uma mudança parcial em direção à fissão nuclear, além da fusão, com o estudo de uma usina híbrida. Arrecadou 325 milhões de dólares. Já a Tokamak Energy desenvolve um tokamak compacto, de formato mais próximo de uma esfera, e utilizou ímãs REBCO supercondutores. Arrecadou 284 milhões de dólares e está construindo o protótipo Demo 4; também afirmou em abril que fornecerá ímãs para o programa britânico STEP Fusion.

Lasers, stellarators e cadeias de fornecimento

A Focused Energy, sediada na Alemanha, busca desenvolver alvos de combustível fabricáveis a uma taxa de aproximadamente 1 milhão de alvos por dia. Arrecadou 240 milhões de dólares em uma Series A, elevando seu capital privado a 277 milhões de dólares, além de subsídios no valor de 200 milhões de dólares. A Marvel Fusion utiliza lasers com alvos que contêm nanoestruturas de silício e está construindo uma instalação experimental em colaboração com a Colorado State University, que espera operar em 2027; arrecadou 208 milhões de dólares.

A Type One Energy planeja construir um reator stellarator com capacidade de 350 megawatts no local de uma usina de carvão desativada pertencente à TVA, com o objetivo de colocá-lo em operação em meados da década de 2030. A empresa arrecadou 174,5 milhões de dólares e atualmente está levantando 250 milhões de dólares para uma rodada Series B. A Thea Energy também aposta no uso de dezenas de pequenos ímãs e softwares de controle para formar o campo complexo necessário ao stellarator e arrecadou 120 milhões de dólares.

No segmento de componentes de usinas, a Kyoto Fusioneering arrecadou 121 milhões de dólares para desenvolver o chamado equilíbrio da usina, incluindo sistemas de extração de calor e componentes de aquecimento do plasma. A empresa considera que o sucesso de qualquer tecnologia comercial de fusão criará demanda por fornecedores capazes de integrar esses componentes.

Outras empresas que ultrapassaram a marca de 100 milhões de dólares

  • First Light Fusion: arrecadou 140 milhões de dólares, abandonou os planos de usar um canhão de dois estágios para lançar um projétil e oferece suas tecnologias fundamentais a empresas que constroem usinas de fusão inercial.
  • Xcimer: arrecadou 101 milhões de dólares e desenvolve um sistema de laser com potência de 10 megajoules, cinco vezes mais potente que o sistema da National Ignition Facility; também operou o primeiro protótipo Phoenix em junho.
  • Estas empresas: os cronogramas anunciados variam entre produzir eletricidade em 2028, construir protótipos experimentais durante a próxima década e alcançar usinas comerciais em meados da década de 2030. A diversidade de caminhos indica que o setor ainda não definiu qual tecnologia será capaz de produzir energia de fusão comercial em larga escala.
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O que você precisa saber

As startups de fusão nuclear arrecadaram bilhões de dólares, mas o financiamento está concentrado em um número limitado de empresas que adotam diferentes tecnologias, como tokamaks, stellarators, lasers e confinamento inercial. Os cronogramas anunciados variam desde a produção de eletricidade em 2028 até a operação de usinas comerciais em meados da década de 2030, e a tecnologia comercialmente vencedora ainda não foi definida.

  • O financiamento total mencionado para startups de fusão nuclear foi de US$ 7,1 bilhões, segundo dados fornecidos pela FusionX à TechCrunch.
  • Commonwealth Fusion Systems, Helion e TAE Technologies lideraram a lista de empresas em financiamento anunciado.
  • As empresas utilizam diversas abordagens tecnológicas, incluindo tokamaks, stellarators, fusão a laser, confinamento inercial e fusão magneto-inercial.
  • A Helion planeja produzir eletricidade em 2028 para a Microsoft, enquanto outras empresas têm como meta modelos experimentais ou usinas comerciais ao longo da próxima década.
  • Um laboratório ligado ao Departamento de Energia dos EUA alcançou o equilíbrio científico no fim de 2022, mas isso não equivale ao equilíbrio comercial necessário para produzir eletricidade comercial.
  • As empresas mencionadas também incluem fornecedoras de componentes, como a Kyoto Fusioneering, além de empresas que desenvolvem sistemas a laser, combustíveis ou softwares de controle.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre equilíbrio científico e equilíbrio comercial?

Equilíbrio científico significa que a reação de fusão produziu mais energia do que a energia do laser que atingiu a cápsula de combustível, enquanto o equilíbrio comercial exige que a energia produzida supere o consumo de toda a instalação.

Qual empresa anunciou o prazo mais próximo para produzir eletricidade?

A Helion planeja produzir eletricidade a partir de seu reator em 2028 para seu primeiro cliente, a Microsoft.

Quais são as principais tecnologias de fusão utilizadas pelas empresas?

As tecnologias incluem tokamaks, stellarators, lasers, confinamento inercial, fusão magneto-inercial e configuração de campo reverso.

A tecnologia capaz de produzir energia de fusão comercial já foi definida?

Não. A diversidade de abordagens e cronogramas indica que o setor ainda não definiu qual tecnologia terá sucesso na produção de energia de fusão comercial em larga escala.

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