A VIDRAFT abriu a primeira temporada do Open Discovery Challenge, um desafio público voltado ao projeto de novos candidatos a medicamentos contra a malária e à sua avaliação por meio de um quadro de classificação verificável. A primeira temporada concentra-se na enzima PfDHODH encontrada no parasita da malária, excluindo a inibição de sua equivalente humana, a Human DHODH, porque o direcionamento à enzima humana está associado à imunossupressão, e não ao tratamento da infecção, segundo o material publicado no blog do Hugging Face.
A temporada chama-se Open Discovery Challenge #1 — Malaria e será encerrada em 30 de setembro de 2026. A inscrição que ocupar a primeira posição ao final da temporada receberá um prêmio de US$ 1.000. A VIDRAFT afirma que o valor do prêmio não constitui uma compensação integral pelo tempo ou pelo consumo de modelos, mas um meio de registrar contribuições no campo dos medicamentos para doenças negligenciadas, com possibilidade de aumento do valor dos prêmios caso patrocinadores se juntem à iniciativa.
Por que a iniciativa se concentra na validação?
O material parte da premissa de que os modelos de inteligência artificial já são capazes de produzir milhares de moléculas candidatas em um único dia, mas que a abundância no projeto não foi acompanhada por uma expansão equivalente na validação. O modelo pode propor uma estrutura química que pareça convincente, mas não determina sozinho se ela mata o parasita, prejudica o paciente, pode ser fabricada ou realmente alcança seu alvo dentro da célula.
A VIDRAFT afirma que o desafio consiste em disponibilizar ferramentas de validação em escala mais ampla, por meio de avaliações computacionais que incluem ligação molecular, previsão de atividade intracelular, propriedades de absorção, distribuição, metabolismo e toxicidade, seletividade e fabricabilidade. O quadro de classificação apresenta medicamentos de referência e compostos inativos ao lado das novas inscrições, para que os participantes possam examinar a capacidade do classificador de fazer distinções, em vez de se limitarem às promessas da organização.
Testes antes da abertura do quadro de classificação
O material explica que a construção do classificador revelou 14 falhas antes do lançamento do desafio. Entre os problemas estava o fato de que os limites iniciais de toxicidade rejeitavam antimaláricos aprovados, além do café, devido ao viés de modelos de toxicidade cardíaca e hepática contra moléculas grandes e lipofílicas. Por isso, a VIDRAFT adotou uma regra segundo a qual medicamentos aprovados devem ser autorizados a passar antes que qualquer limite seja usado para excluir participantes.
A organização também constatou que calcular a eficiência de ligação apenas com base no tamanho da molécula poderia recompensar excessivamente moléculas pequenas com ligação fraca; o café quase empatou com o candidato clínico DSM265. Foi acrescentado um limite mínimo de potência terapêutica para resolver o problema. Em outro teste, o modelo de atividade intracelular previu que o café seria um composto ativo a 1 micromolar, porque os dados de treinamento não continham registros suficientes de falhas. Após a adição de 5.190 registros de falha e o novo treinamento, a diferença entre DSM265 e o café aumentou de 1,00 para 1,74 unidades logarítmicas.
O material também menciona que o teste de docking retornou um valor incorreto para um composto conhecido, antes que se descobrisse que o próprio caminho de chamada estava desativado. Além disso, o uso do nome errado de uma função no cálculo das impressões digitais químicas produziu resultados que pareciam normais sem gerar um erro, até que um processo periódico de validação revelasse o problema. No teste dos intervalos de confiança, a cobertura medida foi de 83%, em vez de 90%; por isso, a VIDRAFT ampliou a margem de correção até que a proporção medida chegasse a 90,01%.
Como as inscrições são avaliadas?
O desafio solicita o projeto de compostos que inibam a PfDHODH e alcancem o alvo dentro do parasita, evitando a Human DHODH. A base de avaliação apresenta eixos que incluem atividade intracelular, ligação ao alvo, seletividade, propriedades ADMET, novidade e fabricabilidade. A atividade intracelular recebe 30 pontos, a ligação ao alvo 20 pontos, ADMET 15 pontos, a novidade 10 pontos e a fabricabilidade 5 pontos, enquanto o material apresenta a seletividade como um eixo independente, sem especificar sua pontuação na tabela publicada.
A novidade é afetada pela potência terapêutica; um composto novo e inativo não recebe valor prático nesse eixo, e um análogo próximo de um medicamento conhecido perde pontos de novidade. As pontuações de previsões incertas são reduzidas, enquanto os compostos com mutações previstas ou insolubilidade acentuada são classificados abaixo das inscrições limpas, em vez de serem rejeitados automaticamente.
Regras de participação e propriedade
Qualquer modelo pode ser usado, incluindo OpenAI, Claude, Gemini, Qwen, KIMI, DeepSeek e modelos de pesos abertos, e a estrutura química pode ser enviada no formato SMILES ou InChI. São rejeitados os compostos que excedam 550 de massa molecular, contenham grupos reativos covalentes ou padrões PAINS, ou correspondam a uma inscrição já registrada; também são rejeitadas as fórmulas moleculares isoladas, pois podem representar vários isômeros.
A VIDRAFT afirma que a propriedade da molécula enviada permanece com o participante e que não obtém direitos de patente ou propriedade, nem transfere a estrutura a terceiros ou a utiliza em seu próprio pipeline. O participante pode manter a estrutura privada, mas ela continuará armazenada na VIDRAFT para fins de avaliação. A publicação pública pode afetar a possibilidade de obter uma patente, pois a publicação constitui divulgação; por isso, a iniciativa alerta aqueles com intenção comercial a não publicar antes do depósito.
A VIDRAFT enfatiza, ao final do material, que os resultados apresentados são avaliações computacionais dos candidatos, e não medições experimentais ou alegações sobre sua eficácia ou segurança, nem representam uma classificação em comparação com medicamentos aprovados. A validação experimental continua sendo uma etapa separada.