A L3Harris Technologies anunciou em 17 de agosto a nomeação de Sam Mehta como seu novo diretor executivo, após Christopher Kubasik deixar imediatamente os cargos de presidente do conselho, diretor executivo e membro do conselho. A empresa afirmou que a decisão ocorreu após uma investigação conduzida pelo conselho, que concluiu que uma conduta não especificada de Kubasik não era compatível com o código de conduta da empresa.
A L3Harris esclareceu que a questão não envolvia relatórios financeiros, controles internos, relações com clientes ou desempenho operacional. Acrescentou que o conselho conduziu a investigação em cooperação com um consultor jurídico independente e depois concluiu que o acordo de saída com Kubasik atendia aos interesses da empresa. Louis Hay, presidente independente do conselho, afirmou que executar o plano de sucessão neste momento era a decisão correta, sem fornecer detalhes adicionais sobre a conduta investigada.
Quem é o novo diretor executivo?
Mehta assume o novo cargo após liderar os negócios espaciais da L3Harris, uma medida que coloca à frente do grupo um executivo responsável pelo portfólio da empresa no setor espacial militar. Mehta ingressou na L3Harris em 2023 para liderar o segmento de comunicações e, no início do ano, foi nomeado presidente do segmento Space & Mission Systems, antes de suas responsabilidades serem posteriormente ampliadas para incluir o segmento Communications & Spectrum Dominance. Juntos, os dois segmentos representam mais de 80% da receita da empresa.
Antes de ingressar na L3Harris, Mehta liderou os negócios de estruturas avançadas da Collins Aerospace, subsidiária da RTX, e passou mais de 17 anos na Sikorsky Aircraft, onde seu último cargo foi o de presidente de sistemas e serviços de defesa. Durante seu trabalho na L3Harris, supervisionou esforços para aumentar a produção de satélites militares e cargas úteis infravermelhas, enquanto o Departamento de Defesa dos Estados Unidos expandia os componentes espaciais da iniciativa de defesa antimísseis Golden Dome, lançada pelo presidente Trump.
A mudança em meio a uma ampla reestruturação
A saída repentina de Kubasik ocorre durante uma grande reorganização da empresa, formada em 2019 pela fusão da Harris Corp. e da L3 Technologies. Em janeiro, a L3Harris passou de quatro segmentos de negócios para três: Space & Mission Systems, Communications & Spectrum Dominance e Missile Solutions.
O segmento Missile Solutions inclui sistemas de propulsão de mísseis e outras tecnologias de armas, incluindo uma parte significativa dos negócios da Aerojet Rocketdyne, adquirida pela L3Harris por US$ 4,7 bilhões em 2023. A empresa havia anunciado planos de abrir esse segmento ao capital público, com o apoio de um investimento de US$ 1 bilhão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que se converteria em ações após a oferta. No entanto, Kubasik afirmou no mês passado que a oferta seria adiada para depois de meados de 2027, no mínimo, devido às condições de mercado, depois de ter sido prevista para o segundo semestre de 2026.
O que muda na prática?
O compromisso da L3Harris com seu projeto anunciado de US$ 3 bilhões para ampliar a produção de motores de foguetes sólidos e fortalecer a cadeia de suprimentos continua mantido, segundo um anúncio da empresa. A empresa também continua reduzindo partes do portfólio espacial herdado da Aerojet Rocketdyne; em janeiro, concordou em vender uma participação de 60% na unidade Space Propulsion and Power Systems à empresa de private equity AE Industrial Partners, em uma transação que avaliou a unidade em US$ 845 milhões. A L3Harris manteve cerca de 40% da unidade e a propriedade integral do motor RS-25, usado no programa Artemis da NASA.
A nomeação de Mehta também resultou em mudanças administrativas adicionais; Lauren Barnes, ex-presidente do segmento Spectrum Superiority, tornou-se presidente do segmento Space & Mission Systems, enquanto Christopher Epley liderará o Communications & Spectrum Dominance, depois de ter sido presidente do segmento Mission Critical Communications. Essas mudanças atribuem à nova administração a responsabilidade de dar continuidade à reestruturação e executar os planos de produção e de oferta pública adiados, em um momento em que a empresa avança para uma fase mais concentrada nos negócios espaciais e de defesa antimísseis.