A Siemens Digital Industries Software anunciou, em 30 de julho de 2026, uma nova estratégia para desenvolver o uso da inteligência artificial em softwares industriais, colocando três frentes no centro do plano: engenharia avançada, execução inteligente e tomada de decisões confiável. A empresa pretende construir um portfólio de softwares descrito como «AI-native», de modo que a inteligência artificial se torne parte da forma de funcionamento dos produtos, e não apenas uma função adicional independente.
O anúncio ocorreu durante um evento realizado no Japão, onde a Siemens explicou que seu foco em inteligência artificial está relacionado a três áreas principais do ciclo de vida do produto e das operações industriais. Essas áreas incluem o design e o desenvolvimento de produtos, a gestão de operações de fabricação e a conexão de dados operacionais e comerciais para apoiar decisões.
Três frentes para a aplicação da inteligência artificial
Robert Jones, diretor executivo do setor Global Sales and Customer Success da Siemens Digital Industries Software, afirmou que a empresa investiu 280 milhões de dólares em novas tecnologias durante os três últimos anos fiscais. De acordo com a apresentação, a Siemens amplia o uso da inteligência artificial em suas ferramentas existentes, em vez de restringi-la a um produto independente.
Na área de engenharia, a plataforma Teamcenter de PLM usa inteligência artificial para classificar peças a uma velocidade até dez vezes maior que os métodos tradicionais. A Designcenter também ajuda a reutilizar projetos e criar conceitos, reduzindo em até 50% o tempo necessário para preparar e verificar desenhos, segundo os números apresentados pela empresa.
Já na gestão de operações de fabricação, a plataforma Opcenter permite criar instruções de trabalho eletrônicas (EWI) e estruturas de processos de fabricação (BOP) a uma velocidade até dez vezes maior em comparação com os métodos tradicionais. A Siemens afirma que essas funções têm como objetivo reduzir o trabalho repetitivo e acelerar a transição do design para a execução.
Expansão das ferramentas Copilot
Joe Bohman, diretor executivo do setor de PLM da Siemens Digital Industries Software, explicou que a inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas, permitindo que os engenheiros se concentrem mais nas atividades de design. A empresa afirma que as funções do Designcenter Copilot estão disponíveis há sete anos e que mais de 50 mil usuários utilizaram funções de inteligência artificial no Designcenter nos últimos 30 dias, dentro do ambiente de trabalho colaborativo.
No Teamcenter, o Copilot ajudou a permitir que mais de 1000 novos usuários executassem automaticamente procedimentos de uso do sistema e também contribuiu para reduzir em 50% o tempo de capacitação dos usuários, segundo a Siemens.
Plataforma Intelligence Center X
Em junho de 2026, a Siemens apresentou a plataforma Intelligence Center X, que conecta dados provenientes de quatro tipos de sistemas: PLM, ERP, CRM e sistemas internos. A plataforma utiliza funções de grafo de conhecimento para integrar os dados em um único contexto e também pode ser integrada às plataformas Snowflake, Databricks e Palantir.
A plataforma inclui agentes de inteligência artificial que operam dentro de um modelo que mantém o ser humano como parte do processo de revisão e tomada de decisão. Na prática, isso significa que o objetivo não se limita a gerar respostas, mas também a organizar dados dispersos e conectá-los às tarefas de trabalhadores e engenheiros.
Por que esse desenvolvimento é importante?
O anúncio da Siemens reflete a transição da inteligência artificial industrial de experimentos isolados para sua integração em ferramentas utilizadas em várias etapas, do design à fabricação e à gestão de operações. Para as empresas que adotam esses softwares, a mudança prática consiste em reduzir o trabalho manual repetitivo e acelerar o acesso aos dados, mantendo a necessidade de verificação humana quando os resultados forem utilizados em decisões de engenharia e operacionais.